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quinta-feira, 15 de março de 2018

PMs presos em operação cobravam propina de traficantes em Taubaté, SP

Comandante da PM no Vale do Paraíba, coronel Eliane Nikoluk, e coronel Marcelino Fernandes da Silva, corregedor geral da PM, em entrevista coletiva após as prisões (Foto: Poliana Casemiro/G1)

Os 20 policiais militares presos em Taubaté, Guaratinguetá, Pindamonhangaba e Registro (SP) nesta quarta-feira (14) integravam um grupo que cobrava propina de traficantes para não fazer apreensões e prisões em Taubaté. Dois deles também são suspeitos de um triplo homicídio. As informações são da corregedoria da Polícia Militar.

Segundo a corregedoria, a investigação começou em 8 de fevereiro de 2017, depois que três jovens da mesma família foram mortos em Taubaté. À época, a família contou que eles tinham sido levados por policiais para uma diligência, voltaram para casa, e foram mortos a tiros menos de 24 horas depois. Nesta quarta, a polícia informou que dois PMs são suspeitos do crime.

A PM não deu detalhes do que motivou os policiais a executarem o trio, mas informou que o crime teria ocorrido dentro das atividades irregularidades desenvolvidas pelos 20 PMs presos. Todos atuavam em Taubaté - um deles foi transferido em 2017 para Registro. Eles estão sendo ouvidos e vão ser encaminhados para o presídio Romão Gomes, na capital.

Os nomes dos policiais detidos não foram divulgados pela PM ou pelo Ministério Público, pois a investigação segue em andamento.

De acordo com a corregedoria, os PMs integrariam uma organização que chantageava traficantes e criminosos em troca de propina. O esquema foi descoberto após interceptações telefônicas e a atuação de policiais infiltrados. 

Operação

Além dos 20 PMs, outras quatro pessoas também foram presos na operação realizada nesta quarta, entre eles um traficantes com atuação em uma grande área de Taubaté. Ele se entregou à polícia depois que sua mãe foi levada detida após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua casa no Alto do Cristo – foram encontradas drogas no local.

Foram apreendidos onze simulacros de arma de fogo, 12 armas sem registro da corporação, 731 munições, 118 estojos de calibres diversos e 41 celulares.

Também foram localizadas máscaras, balanças de precisão, 650 gramas de maconha e porções de cocaína e crack - o montante não tinha sido contabilizado. Segundo a corregedoria, os itens eram usados em ações da quadrilha e também para forjar flagrantes. Porções de droga foram encontradas nos armários utilizados por dois PMs dentro da corporação.

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, sendo 36 em Taubaté, quatro em Pindamonhangaba, um em Guaratinguetá e um em Registro. Os locais não foram divulgados, mas segundo a corregedoria foram feitos em locais ligados aos policiais e aos traficantes.

A ação criminosa era feita por policiais em Taubaté, mas alguns tinham residência em outras cidades.

“Foram abertos processos administrativos, vamos apurar essas escutas telefônicas, dar aos policiais chance de defesa e seguir com o processo. Caso sejam provadas as alegações, e cremos que será, a pena máxima para esse tipo de crime é a expulsão da corporação e a perda da patente do oficial. A PM reforça que não compactua com esse tipo de ação criminosa”, disse o corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes da Silva.

A PM ainda informou que não há prazo para que os policiais sejam substituídos ou que um reforço seja encaminhado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. Inicialmente será feito o remanejamento do efetivo e, gradativamente, o efetivo deve ser reposto.

A Secretaria da Segurança Pública informou que não compactua com desvios de conduta e que todas as denúncias são rigorosamente investigadas pelas respectivas Corregedorias. "Após minuciosa apuração, se comprovada as irregularidades apontadas, os responsáveis podem ser penalizados na esfera civil e criminal", disse a nota.


fonte: G1/Vanguarda

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