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quarta-feira, 21 de março de 2018

Sem transporte, marido improvisa carrinho de mão para levar idosa para hospital, vereador "brinca"

Casal usa transporte improvisado para hospital (Foto: Zilda de Andrade/Vanguarda Repórter)

Idosa fraturou o pé e precisava fazer raio-x. Após esperar por mais de uma semana, a Prefeitura de Silveiras, onde ela mora, mandou a paciente fazer o exame em outra cidade, mas disse que não poderia buscar paciente na casa dela.


pós esperar por mais de uma semana para ter acesso a um exame de raio-x e o diagnóstico de uma fratura, uma idosa de 70 anos foi transportada pelo marido em um carrinho de mão para conseguir atendimento médico. Como a idosa estava com dificuldade de locomoção após cair, a família dela contou que pediu uma ambulância para o transporte, mas que a Secretaria da Saúde de Silveiras (SP), onde ela vive, informou que não poderia buscar a paciente. Um vídeo do transporte improvisado da mulher foi gravado pela filha.

Benedita de Andrade Siqueira mora com o marido, de 69 anos, na zona rural. Ela caiu no último dia 4 de março e, após a queda, foi encaminhada para a Santa Casa de Silveiras. A queixa ao médico foi que ela não conseguia apoiar os pés no chão por causa da dor.

A filha conta que ao chegar ao hospital, o médico receitou anti-inflamatórios e remédios para dor, com a indicação de ingestão por cinco dias. Caso a dor piorasse, ela deveria voltar à unidade. Ela não foi submetida a exame de raio-x.

Cinco dias depois, a idosa não conseguia caminhar e os filhos levaram a mãe novamente à unidade. Desta vez eles foram informados que, como agora o caso já não era mais uma emergência, teriam que entrar na fila de exames. Silveiras não tem equipamento de raio-x e o exame teria que ser feito em uma cidade próxima, Cruzeiro.

No dia da fratura, por ser uma situação considerada de emergência, a mulher não precisaria entrar na fila pelo exame. “O médico que a atendeu disse que no dia da queda era uma emergência e que, por isso, o primeiro médico deveria ter solicitado uma ambulância para outra cidade para que ela fizesse o exame. Como isso não aconteceu, cinco dias depois o caso não era mais emergência, então ela teria que aguardar. Mas aguardar quanto mais? Ela reclamava de uma dor insuportável”, contou a filha Zilda Andrade.

Ela explicou ainda que para evitar a fila, que poderia demorar, o médico sugeriu que eles procurassem uma clínica particular. Ele solicitou que a Santa Casa desse o apoio no transporte. Porém, como o caso não era tratado como emergência, a van que levaria os pacientes da cidade para exames em outros municípios não poderia buscar a idosa em casa. Ela, cuja a família não tem carro, teria que ir até o ponto de encontro para transporte dos pacientes.

“Eles ignoraram a dificuldade de locomoção dela. A casa fica a quinze minutos e pé, ou seja, de carro é muito perto. Ela tinha que estar lá 5h30 da manhã, não tinha ônibus nesse horário e nós não temos carro. Fizemos o que podíamos para ela não perder a consulta”, explicou Zilda.

No vídeo feito pela filha, Benedita aparece sendo transportada em um carrinho de mão pelas ruas de paralelepípedo da cidade. O percurso carregando a esposa termina em frente a Santa Casa, ainda fechada, onde eles aguardaram a saída do transporte para pacientes.

Consulta particular


Eles pagaram R$ 35 pelo raio-x que constatou a fratura e R$ 150 por uma bota ortopédica para a imobilização do local. A família decidiu pagar a esperar na fila, sem previsão para o atendimento.

A prefeitura de Silveiras informou que não conta com equipamento de raio-x na cidade e quando há necessidade solicita uma ambulância para encaminhar o paciente até o hospital em Cruzeiro. A Secretaria de Saúde reconheceu que houve um erro no procedimento de atendimento e que vai apurar o motivo de Benedita não ter sido atendida, com a realização do raio-x no dia da queda.

A secretária de Saúde, Marlene Borges Sodéro, informou, por telefone, que foi até a casa da família para entender o problema e que ofereceu o reembolso do valor gasto no atendimento particular, mas a família recusou o dinheiro. A prefeitura não soube explicar os motivos do transporte médico não ter buscado a paciente, com dificuldade de locomoção, em casa.

Vereador Vídeo

A situação chegou a ser discutida na Câmara, que cobrava a apuração do caso. O vereador Pedro Paulo postou um vídeo em sua rede social dizendo que estava apurando o caso.

“Medidas serão tomadas e quero deixar bem claro para a população de Silveiras que nós vereadores não estamos aqui para passar a mão na cabeça de ninguém e muito menos fazer piadas com a cara de alguém porque aqui estamos falando de saúde pública”, disse.

Procurado, o vereador não quis dar entrevista. Por nota ele negou a sátira e explicou que o vídeo foi gravado no último domingo (18) quando foi a um carrinho de lanche com a namorada.

"Ao chegar próximo ao local, um conhecido meu, em tom de brincadeira, já que eu estava de pé, me disse para que eu sentasse no carrinho de mão, de propriedade do estabelecimento comercial, que ele me levaria para eu buscar meu lanche", explicou,

Ele afirmou ainda que, na ocasião, “todos entenderam que não passava de uma brincadeira feita por esse conhecido e que eu levei na esportiva”. O político reiterou sua indignação com o caso de saúde pública e informou que acompanha a sindicância interna da prefeitura para apurar o caso.


fonte: G1/Vanguarda
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