sexta-feira, 22 de junho de 2018

Trabalhador da Volkswagen em Taubaté, ex-zagueiro do Guarani, relembra do amigo Tite quando jogavam juntos

Waldir Carioca, ex-zagueiro do Guarani, trabalha há 23 anos em montadora de carros em Taubaté, no interior de São Paulo (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Waldir Carioca, ex-zagueiro do Guarani, trabalha há 23 anos em montadora de carros em Taubaté, no interior de São Paulo (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

O ambiente não remete em nada ao futebol. Grandes máquinas, som de parafusadeiras e carros pendurados em trilhos. Mas boleiro que é boleiro não perde o hábito da resenha. Em meio a uma pausa e outra na linha de produção, Waldir Carioca, de 58 anos, conta histórias. Nesta época de Copa do Mundo então, dá-lhe resenha com Waldir. A convivência dele com Tite é um dos assuntos dos bate-papos.

A relação com o técnico da seleção brasileira foi há bastante tempo. É de 1986, quando jogaram juntos no Guarani e fizeram parte da equipe histórica do Bugre que foi vice-campeã brasileira naquele ano. Após encerrarem as carreiras, cada um seguiu um rumo. Tite se tornou técnico, e Waldir foi trabalhar em uma montadora de carros em Taubaté, no interior de São Paulo.

Apesar dos caminhos terem sido opostos e a convivência deixar de ser próxima, as histórias daquela época não se perderam com o tempo.



– Os amigos me param, principalmente quando comecei trabalhar aqui. Não me abri muito, falando que eu era jogador. Quando eles descobriram que eu era jogador, perguntavam porque eu estava aqui, se eu não ganhei dinheiro, como perguntam até hoje. (...) Realmente a gente para, conversa na hora do almoço. Eles perguntam de Guarani, de Tite, principalmente agora que é Copa do Mundo. Eu falo tudo que realmente passei com ele, que foi muito gostoso – comentou.

Tite, o volante técnico que "chegava junto"




A resenha que hoje Waldir Carioca tem com os amigos da linha de produção, ele tinha com Tite nas concentrações do Guarani. O sotaque gaúcho de Tite é algo que ele lembra bem desses bate-papos, que aconteciam geralmente no dia a dia no clube e nas concentrações nos hotéis. Dos treinos, as principais lembranças são de quando se enfrentavam no "dois toques", o tradicional rachão que acontecem nas vésperas de jogos.

Tite defendeu o Guarani entre 1984 e 1988. Fez 40 jogos e um gol (Foto: Arquivo EPTV)

Tite defendeu o Guarani entre 1984 e 1988. Fez 40 jogos e um gol (Foto: Arquivo EPTV)

Waldir Carioca e Tite faziam parte do sistema defensivo do Bugre. Enquanto Waldir era zagueiro, Tite jogava como volante. Ambos foram titulares da final do Brasileiro de 1986, contra o São Paulo, em que o Bugre perdeu o título nos pênaltis.

– Ele jogava de volante. Na época, era ele e o Tosin. Ele chegava junto, xingava a gente: “vamos jogar, vamos para cima”. Ele era um volante que chegava mesmo. Era técnico, que chegava junto. O pancadeiro é aquele cara que dá porrada. Ele não era assim, não. Ele era habilidoso, chegava junto, mas sem dar pancada. Não era um cara de dar porrada. Nosso time não tinha ninguém com esse estilo – contou.

Waldir destaca a humildade como uma das características de Tite como jogador. Se hoje o treinador da seleção é conhecido por saber motivar os jogadores, na decisão do Brasileiro de 1986 foi assim também.

– Após o jantar, nós sentávamos na salinha dos hotéis ou no próprio Guarani e ficávamos conversando. Ele ficava com aquele jeito do Sul dele, falando “Tchê! Tchê! Tchê!”. Na final, principalmente, ele nos deu uma força. Sabendo quem ia jogar e tudo. Nos deu uma força tremenda lá. Infelizmente, não conseguimos o título.

Amizade após 1986


Para chegar à final do Campeonato Brasileiro de 1986, Waldir Carioca exalta a qualidade do elenco do Bugre. Além de Tite, a equipe tinha o zagueiro Ricardo Gomes, hoje treinador, o atacante Evair, ídolo do Palmeiras, entre outros. Na decisão, os titulares do Guarani, comandados por Carlos Gainete, foram: Sérgio Nery; Marco Antônio, Ricardo Rocha, Waldir Carioca e Zé Mário; Tosin, Tite (Vagner) e Boiadeiro; Catatau (Chiquinho Carioca), Evair e João Paulo.

Além da qualidade do elenco, Waldir aponta a união dos jogadores como um diferencial para aquele time ter chegado longe no Brasileiro. A amizade que nasceu naquela época permaneceu. Waldir mantém contato com jogadores, como Ricardo Gomes e Evair. Com Tite, a última mensagem trocada foi quando ele assumiu a seleção brasileira.

Ao ver o amigo no comando da equipe nacional, Waldir sente orgulho.

– A história é engraçada. Até meus filhos falam quando vemos ele nas coletivas: “pai, você poderia estar lá ao lado do Tite”. Eu falo: “é, filho. Mas, infelizmente, o destino quis assim”. Mas a gente torce. O coração bate forte por alegria dele estar ali. Tenho certeza que ele estudou muito para isso e quis isso. Principalmente nesses anos todos que ele ficou no Corinthians e ganhou títulos. Ele foi merecedor de estar no cargo na seleção brasileira – afirmou.

Waldir Carioca ex-zagueiro (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Waldir Carioca ex-zagueiro (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Fazendo carros há 23 anos


Waldir Carioca é de Campo de Goytacavez, no Rio de Janeiro. Começou jogar no Americano-RJ e, depois, passou por Fluminense, Sport, Guarani, Marília, entre outros clubes. Em 1990, quando atuava pelo Francana, quebrou a perna. Um fato que mudou o rumo da vida dele.

– Quando recebi a mensagem que eu quebrei, foi um abalo horrível. Minha família dependia de mim, como depende até hoje. Eu sabia que aquele tipo de fratura encerraria a carreira. Rezei muito e pedi muita força para Deus para superar aquele momento. Depois de quatro anos de recuperação, infelizmente não consegui. A dor é demais. Mesmo você reforçando, a dor é horrível. Infelizmente, não voltei – disse.

Waldir Carioca ex-zagueiro (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Waldir Carioca ex-zagueiro (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

No período que estava em recuperação, Waldir começou gastar as economias que tinha juntado como jogador. Em 1995, o irmão que trabalhava na Volkswagen perguntou se ele gostaria de trabalhar também na montadora. Convite aceito. Desde então, Waldir mudou de profissão. São 23 anos na empresa, onde hoje tem a função de montador. Mas o futebol ainda faz parte da rotina dele.

Além das resenhas, é convidado para jogar futevôlei com companheiros do trabalho.

– Apesar de ser tudo garoto, tem uns garotos que eu boto no bolso (risos). Estou com 58 anos e tem uns garotos de 30, 40 anos, que eu arrebento eles (risos). Eles ficam na bronca comigo – diverte-se.

Assim, com brincadeiras e sorriso no rosto, Waldir Carioca vai contando histórias. Porque boleiro que é boleiro tem sempre uma resenha. Seja para falar do futevôlei com os amigos ou das histórias com Tite e Guarani.


fonte: G1 Vanguarda

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