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sábado, 1 de setembro de 2018

8 exemplos de como o socialismo está levando a Venezuela ao colapso absoluto

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Há 18 anos o socialismo se instalou no coração da América do Sul. Foi na Venezuela.
Em 1998, pouco tempo após ser preso ao tentar um golpe de Estado, o militar Hugo Chávez emergiu como uma liderança popular capaz de solucionar os problemas do país. E se por um tempo o governo conseguiu gozar de apoio dos mais diversos setores da sociedade venezuelana, graças à explosão do preço das commodities no início da última década, hoje, entregue ao seu principal operador político, Nicolás Maduro, o país encara um colapso iminente, como resultado inevitável daquilo que a humanidade testemunhou repetidas vezes ao longo do último século – a incapacidade inconteste da economia socialista produzir riqueza.
As consequências estão escancaradas, como se a Venezuela fosse um exemplo ao mundo daquilo que um governo não deve fazer: escassez de alimentos e de remédios, crise hídrica e energética, fome, surto de doenças de terceiro mundo e uma série de medidas bizarras adotadas pelo governo que não apenas não solucionam o problema, como o agravam, transformando o país numa peça folclórica dos trópicos. Se a revolução cubana conseguiu disfarçar as tragédias geradas pelo governo graças à desculpa conveniente de um equivocado embargo, a revolução bolivariana tornou explícito ao continente, sem escusas, a falibilidade do socialismo. É uma aula viva, à disposição daqueles que querem entender o que evitar para um país alcançar desenvolvimento.
Há alguns anos, todas essas chagas se acentuam, condenando a Venezuela a entrar em rota de colisão. Em 2016, o cenário virou insustentável, a ponto de silenciar todas aquelas vozes que até bem pouco tempo gritavam em defesa da revolução. 
Abaixo, uma lista com exemplos de como o socialismo está levando o país ao colapso absoluto.
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Dois dias por semana. Esse é o tempo que os servidores públicos venezuelanos terão à disposição para trabalhar nos próximos meses. A razão? Auxiliar o país responsável pelas maiores reservas de petróleo do mundo a poupar energia. O anúncio foi realizado há poucos dias pelo vice-presidente do país, Aristóbulo Isturiz.
“Quarta, quinta e sexta-feira não se trabalhará no setor público à exceção daquelas tarefas que são fundamentais, que são necessárias.”
Os dois milhões de funcionários públicos afetados pela medida já não trabalhavam nas sextas-feiras e cumpriam uma jornada diária reduzida de seis horas. Para economizar energia, Maduro também determinou que as escolas do ensino fundamental e médio não funcionem nas sextas-feiras, e que os relógios sejam adiantados em meia hora.

2. Acabou o dinheiro para produzir dinheiro.

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Num país onde se espera que a inflação atinja 720% em 2016 e 2.200% em 2017, ter papel e tinta disponíveis para a produção de dinheiro é algo que custa, não por acaso, muito dinheiro. E a dificuldade não termina por aí. Como quase tudo na Venezuela, a própria produção de dinheiro também é importada no país. E se você sabe minimamente como funciona o câmbio por lá já deve imaginar o que isso tudo acarreta – com as reservas afundando, o Banco Central venezuelano está atrasando o pagamento aos seus fornecedores estrangeiros, colocando a própria produção do dinheiro em risco.
No ano passado, a Venezuela comprou mais de 10 bilhões de notas (e o governo já realizou um novo pedido de 10,2 bilhões de notas para atender a demanda desse ano). Em março, a De La Rue, maior fabricante de dinheiro do planeta, responsável pela criação do primeiro caixa eletrônico do mundo, enviou uma carta ao governo reclamando de uma dívida de 71 milhões de dólares. E ela não é a única insatisfeita. A francesa Oberthur Fiduciaire e a alemã Giesecke & Devrient também reclamam de atrasos. Juntas, elas se comprometeram a entregar “apenas” 3,3 bilhões de notas – forçando o Banco Central do país a negociar a produção de moedas com novas empresas, como a russa Goznack e a americana Crane Currency.
Em outras palavras: a Venezuela está tão quebrada que não tem mais dinheironem para produzir dinheiro.

3. A água está acabando.

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A Venezuela vive a pior crise de falta d’água de sua história. O governo culpa sabotagens da oposição e do El Niño, que Maduro chama carinhosamente de “Mãe Natureza”. Geógrafos do país assinaram um documento dizendo que o fenômeno climático não tem nada a ver com isso, apesar da seca. Alheio às discussões políticas, El Guri, o reservatório que atende a principal hidrelétrica do país, atingiu seu nível mais crítico em 60 anos de funcionamento, com uma queda do nível da água de 15 centímetros por dia.
O cenário é calamitoso. Em geral, além da queda na quantidade disponível para a população, a água chega amarelada e mal cheirosa. Na região central do país o cenário é ainda pior, porque o líquido emite um odor que fica impregnado na pele provocando ardor nos olhos. Na favela El Valle, em Caracas, a empregada doméstica Angela Mera contou ao The Wall Street Journal que precisa deixar a água escorrendo por uma hora antes de poder usá-la. “Esperamos tanto pela água, e aí vem essa sujeira”, diz ela. 
A oposição joga a culpa na falta de manutenção e de investimentos do governo. Em 2009, Chávez assinou um acordo de US$ 180 milhões com o Irã para a construção de um novo duto de água que ligaria o continente à Ilha de Margarita, um lugar turístico com meio milhão de habitantes que atualmente recebe água uma vez a cada 21 dias. Nenhum metro de tubulação foi instalado, apesar da verba ter sido liberada.
Há dois anos, o governo também anunciou um projeto de suprimento de água em Coche, uma ilha próxima. Tubulações abandonadas enferrujando na areia, porém, são as únicas coisas disponibilizadas à população. 
Como resultado inevitável da crise, caminhões-pipas são constantementesequestrados pela população. O caos é completo; uma versão latina do cenário pós-apocalíptico de Mad Max.

4. Há um surto de sarna acontecendo.

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A crise hídrica, a falta de remédios e a escassez de produtos básicos de higiene levaram a Venezuela a testemunhar uma explosão de doenças como sarna, diarreia, malária e disenteria nos últimos meses. E isso é apenas parte do problema. Como as pessoas são obrigadas a armazenar água para administrar a escassez, o país ainda vê a proliferação de criadouros de Aedes aegypti, aumentando os casos de dengue, zika e chikungunya. 
Segundo um relatório da Secretaria de Saúde do Estado de Miranda, houve um aumento de 58,5% dos casos de sarna no estado no primeiro trimestre desse ano.
“O pico dos casos de sarna em Miranda coincide com o mês de recomeço das aulas, onde as crianças não são mais obrigadas a se lavar e trocar de roupas”, diz o relatório. “Embora o Estado tente manter o nível de abastecimento na capital, é possível supor, a nível nacional, que a situação seja mais grave no interior das províncias.”
Segundo o relatório, Miranda registra o maior número de casos de Malária nos últimos 50 anos. Já não há mais remédios para diarreia ou doenças hepáticas no país, além do tratamento de outras tantas doenças.

5. A energia está acabando.

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Como 60% da eletricidade usada na Venezuela depende da água, a crise de energia é uma consequência inevitável da crise hídrica. O caos forçou o governo a decretar quatro horas diárias de racionamento em todas as regiões. Entre os planos anunciados por Maduro para conter o colapso do setor está a diminuição do uso de secadores de cabelo.
“O secador de cabelo nestes 60 dias deve ser usado pela metade. É possível, mulheres? O que acham? (…) A secadora de roupa e os mecanismos do secador de cabelo são fortes e altos consumidores, assim como o ferro. Devemos criar consciência disso.”
Para Maduro, além da questão energética, a medida ainda atende a um senso estético.
“Eu sempre acho que uma mulher fica mais bonita quando ela penteia o cabelo com os dedos e, em seguida, deixa o cabelo secar naturalmente. É uma ideia que eu tenho e que eu apresento para as mulheres, certo?”
Ou seja: não basta deixar de gerar condições mínimas para a produção de energia no país, o governo venezuelano quer controlar até o modo como as mulheres penteiam seus cabelos.

6. Acabou a cerveja.

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E nem só de água vive o cidadão venezuelano. Ou da falta dela.
A cervejaria Polar suspendeu a produção de todas as versões de sua cerveja nas quatro fábricas que possui na Venezuela, devido à falta de moeda internacional para pagar seus fornecedores estrangeiros, provocada pela política de controle de câmbio no país. A medida é uma catástrofe. A Polar abastece 80% do mercado local e a ausência de seus produtos nas lojas de bebidas e nos supermercado causa grandes preocupações em um país tão acostumado ao consumo de bebidas alcoólicas.
De acordo com a empresa, a paralisação impacta negativamente 10 mil empregos diretos e mais de 300 mil postos de trabalho indiretos, ligados à cervejaria.
O governo acusa a Polar de exagerar a respeito das suas necessidades de dólares e de armazenar produtos como parte de uma “guerra econômica” em favor da comunidade empresarial e dos Estados Unidos com o objetivo de acabar com o socialismo na Venezuela.
Há seis anos, o ex-presidente Hugo Chávez, já lidando com problemas com a Polar,disse que a cerveja não fazia falta ao povo venezuelano porque “só serve para nos deixar mais barrigudos, aumentar o colesterol e deixar as pessoas meio loucas”. Disse também que era “uma das armas do capitalismo para causar vícios na população”.

7. O petróleo está sendo importado.


Um navio com meio milhão de barris de petróleo saiu dos Estados Unidos no último mês de fevereiro. A notícia seria apenas mais uma nota de rodapé qualquer se a embarcação não tivesse rumo a um destino no mínimo curioso – o terminal de um país com reservas de petróleo oito vezes superiores as dos Estados Unidos: a Venezuela.
Pela sua incapacidade em construir uma estrutura mínima para refinar o petróleo que produz, muito pesado, petroleiras como a PDVSA são obrigadas a misturá-lo com outros mais leves para equilibrar a qualidade. Segundo Nilofar Saidi, analista de mercado da ClipperData, a Venezuela já importava tipos mais leves de petróleo da Rússia, da Angola e da Nigéria. Do coração do imperialismo ianque, porém, é a primeira vez em 40 anos.
“É mais barato trazer um tanque de petróleo bruto (mais leve) do Golfo dos Estados Unidos do que importá-lo da África”, explicou Saidi à CNN Money.
Graças à incapacidade de administrar seus recursos naturais seguindo a lógica do mercado, e com poucos investimentos no setor, a dona das maiores reservas de petróleo do mundo já precisa importar petróleo americano para suprir suas próprias necessidades.

8. A alimentação está virando um luxo.

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De acordo com a última Pesquisa de Condições de Vida feita por três das maiores universidades venezuelanas no ano passado, 87% dos habitantes do país dizem que sua renda é insuficiente para comprar comida. Segundo a pesquisa, 49,9% da população do país é extremamente pobre. Outros 23,%1 são considerados pobres. Comparado com os números de 2014, a pobreza extrema dobrou no país e todos os pobres daquele ano viraram extremamente pobres no ano seguinte (além disso, a metade dos não-pobres de 2014 viraram pobres em 2015). Segundo o Censo de 1998, ano em que Hugo Chávez foi eleito, a extrema pobreza atingia 18,7% da população, número quase três vezes menor do que hoje, passados 18 anos de socialismo.
12% dos entrevistados já não fazem três refeições por dia. E a tendência é de piora, com as medidas adotadas pelo governo para combater a crise hídrica – a produção dos principais alimentos no país caiu 87% no último ano, forçando a Assembleia Nacional a decretar emergência alimentar no país e convocar a Organização para Alimentação e Agricultura da ONU (a FAO) para enviar uma missão de especialistas ao país e avaliar os riscos à segurança alimentar da população.
Só tem um problema nessa história: a FAO é atualmente dirigida pelo brasileiro José Graziano, ligado ao PT, que atuou no gabinete do presidente Lula como seu assessor especial. Há menos de um ano, Graziano utilizou a organização que dirige para fazer proselitismo político e condecorou Nicolás Maduro com um prêmio. A razão? Sua “luta” no combate à fome na Venezuela.
O socialismo latino-americano é um livro apócrifo de George Orwell.
youtube/BBC Brasil

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