Assim fica fácil - Ford deixa o Brasil com uma dívida de R$ 300 milhões com BNDS

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou nesta segunda-feira que vai pedir explicações à Ford sobre sua decisão de fechar suas fábricas e encerrar a produção de veículos no Brasil, o que deve levar à demissão de cerca de 5 mil trabalhadores. De acordo com levantamento feito pelo GLOBO, somente as 20 maiores operações do BNDES com a Ford somaram cerca de R$ 3,5 bilhões em linhas de financiamento desde 2002. Os projetos tinham foco em exportação, desenvolvimento de veículo e apoio a projetos sociais na comunidade. Segundo o BNDES, entre as operações diretas feitas com a Ford, ainda há duas operações ativas. Por isso, o banco já procurou a empresa para pedir esclarecimentos.

A TRAJETÓRIA DA FORD NO BRASIL

  • 1984 – Na fábrica de São Bernardo do Campo, então sua principal unidade no Brasil, a Ford usa um Del Rey para comemorar 2 milhões de unidades produzidas pela marca desde 1957 Foto: Divulgação – 12/07/1984
  • 1984 – Na fábrica de São Bernardo do Campo, então sua principal unidade no Brasil, a Ford usa um Del Rey para comemorar 2 milhões de unidades produzidas pela marca desde 1957 Foto: Divulgação – 12/07/1984
  • 2008 – Linha de montagem do novo Ka, na fábrica de São Bernardo do Campo, reformada à época para produção no modelo Foto: Davilym Dourado / Valor – 11/03/2008
  • 2008 – Linha de montagem do novo Ka, na fábrica de São Bernardo do Campo, reformada à época para produção no modelo Foto: Davilym Dourado / Valor – 11/03/2008
  • 2006 – Operários de empresas parceiras tranalham na montagem de portas de carros, dentro da linha de montagem da Ford, na fábrica de Camaçari, Bahia Foto: Edson Ruiz / Valor – 05/06/2006
  • 2006 – Operários de empresas parceiras tranalham na montagem de portas de carros, dentro da linha de montagem da Ford, na fábrica de Camaçari, Bahia Foto: Edson Ruiz / Valor – 05/06/2006
  • 1999 – Funcionários da Ford trabalham na linha de montagem da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 03/02/1999
  • 1999 – Funcionários da Ford trabalham na linha de montagem da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 03/02/1999
  1. Visão geral de milhares de carros Ford estacionados em um estacionamento no parque industrial de São Bernardo do Campo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 12/11/1998
  2. Visão geral de milhares de carros Ford estacionados em um estacionamento no parque industrial de São Bernardo do Campo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 12/11/1998
  • 1983 – Escort, “o carro mundial
  • da Ford”, marcou a modernização da fábrica Foto: Antonio Carlos Piccino / Agência O Globo – 01/07/1983
  • 1983 – Escort, “o carro mundial da Ford”, marcou a modernização da fábrica Foto: Antonio Carlos Piccino / Agência O Globo – 01/07/1983
  • 1968 -A Ford comprou a Willys e levou junto o projeto do Corcel, que começou a ser
  • fabricado no fim daquele ano.
  • 1968 -A Ford comprou a Willys e levou junto o projeto do Corcel, que começou a ser fabricado no fim daquele ano. Nascia um sucesso brasileiro Foto: Arquivo / Agência O Globo – 06/11/1968
  • 1957 – Os caminhões F-600 e F-350, bem como as picapes F-100, foram os primeiros
  • 1957 – Os caminhões F-600 e F-350, bem como as picapes F-100, foram os primeiros veículos da Ford produzidos no Brasil, ainda na fábrica do Ipiranga (fechada em 2000) Foto: Arquivo / Agência O Globo
  • 1956 – A fábrica da Willys em
  • 1956 – A fábrica da Willys em São Bernardo do Campo começou como linha de montagem dos Jeep CJ-3B, com motor importado Foto: Hans Flieg / Divulgação – 27/04/1956
  • 1959 – Em visita à fábrica da Willys-Overland do Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek
  • 1959 – Em visita à fábrica da Willys-Overland do Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek vai de carona em um Jeep CJ-5 nacional Foto: Arquivo / Agência O Globo – 15/10/1959
  • 1921 – Linha de montagem do modelo T, em São Paulo. A Ford, em 1921, mudou-se para um edifício próprio, na Rua Solon, 809, no bairro do Bom Retiro, construído para abrigar a primeira linha de montagem de veículos em série do Brasil. Era comum a população visitar a fábrica para ver a produção do veículo Foto: Reprodução
  • 1921 – Linha de montagem do modelo T, em São Paulo. A Ford, em 1921, mudou-se para um edifício próprio, na Rua Solon, 809, no bairro do Bom Retiro, construído para abrigar a primeira linha de montagem de veículos em série do Brasil. Era comum a população visitar a fábrica para ver a produção do veículo

Estão em situação ativa empréstimos cujo valor contratado chega a R$ 335 milhões e se referem ao desenvolvimento de novos veículos e de projetos sociais. O banco não foi informado pela montadora sobre o fim da produção nacional.

“O BNDES soube pela mídia do fechamento das fábricas, procurou a empresa para pedir esclarecimentos. O Banco aguarda informação oficial para avaliar os impactos da eventual decisão nos projetos financiados”.  “Os projetos financiados junto à Ford, bem como outros financiados pelo BNDES no antigo Programa BNDES Proengenharia, trouxeram como externalidade a capacitação local da engenharia para atuação da indústria em nível internacional. Todos os contratos diretos do BNDES dispõem de cláusulas-padrão relacionadas à manutenção do emprego em razão da implantação do projeto”, explicou o banco em nota.

Em 2014, a montadora recebeu, por exemplo, R$ 195,4 milhões  para criar, desenvolver  e produzir o novo Ka na fábrica da empresa em Camaçari. Nesse caso, os recursos foram contratados pelo programa voltado para inovação de máquinas. Desde os anos 2000, a montadora vem recebendo financiamento para permitir embarques, prática comum no setor. Em 2005, a montadora recebeu crédito de US$ 250 milhões, com compromisso de exportação de, no mínimo, US$ 834 milhões na ocasião.

Em 2008, quando recebeu empréstimo de R$ 78 milhões para desenvolver seu Programa de Apoio à Engenharia Automotiva em Camaçari, a empresa precisou garantir que iria manter a mão-de-obra qualificada  em seus quadros  na Bahia, como os 1.050 engenheiros envolvidos no desenvolvimento e engenharia de produtos.

Foto: divulgação

Com informações: Bahia Econômica 

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