Polícia do lockdown invade casa, fere moradora e prende mulheres e criança em Florianópolis

 


Aniversariante com ferimento de bala na perna |Foto: Arquivo pessoal

Com o pretexto do lockdown, a Polícia Militar de Santa Catarina invadiu uma casa em Florianópolis na noite deste sábado (13), agrediu moradora e prendeu mulheres e uma criança de 13 anos que estavam no local.

A aniversariante, que é filha da proprietária da casa, recebeu um tiro de bala de borracha na perna e foi algemada e conduzida à delegacia por comemorar seu aniversário com familiares e amigos. De acordo com testemunhas, havia apenas 12 pessoas no local.

BSM conversou com as pessoas que estavam na casa, que afirmaram que os policiais foram muito truculentos e partiram para a violência de maneira desproporcional. Quatro pessoas foram levadas à delegacia, entre elas uma criança de 13 anos e uma idosa, a filha e a mãe da aniversariante, respectivamente.

Em entrevista à reportagem, muito abalada e chorando, ela contou que é professora de uma escola e que teme perder o emprego. Por isso, pediu que seu nome não fosse divulgado. Ela disse que está com o corpo todo machucado com arranhões, marcas e manchas roxas, além do ferimento da bala de borracha.

"Me deixaram horas em uma gaiola na parte de trás do carro (da PM), algemada. Estou com a mão inchada. Eles me chamaram de louca, me mandaram tomar no c*, me falaram que sou drogada. Mas não tinha nada de drogas, eu não uso nenhum tipo de droga", relatou.

A aniversariante disse que a sua filha também está machucada porque, durante a abordagem policial, eles esfregaram seu rosto no muro da casa, que é áspero. "Ela viu o tiro e ficou desesperada, quis me defender. Então eles pegaram ela, mas meu muro é salpicado", continuou.

A mãe dela, uma idosa de quase 70 anos, é hipertensa e passou mal durante a ação. As três tiveram que receber atendimento médico antes de irem à delegacia.

Fábio da Silveira, um dos presentes que permitiu que seu nome fosse divulgado, disse que outras pessoas passaram mal e foram agredidas pelos policiais. "Um amigo nosso, colocaram deitado no chão, eu achei que com excesso de força, porque ninguém ofereceu resistência nem nada. O cara (policial) botou ele de barriga no chão e forçou o joelho nas costas dele", contou.


Fábio da Silveira foi agredido pelos policiais durante abordagem | Foto: Arquivo pessoal

Silveira também foi uma das vítimas. "Eu acabei sendo chutado, tive as duas penas chutadas para ficar na parede para a vistoria, mas os chutes não eram necessários porque ninguém ofereceu resistência, volto a falar. Depois, um deles arrancou o celular da minha mão porque todo mundo estava procurando registrar (a ação). Um deles arrancou o celular da minha mão me dando um soco na face direita, mas eu continuei argumentando: 'Calma, cara, isso aqui é casa de gente de bem', e um deles chegou e me deu uma cotovelada na altura da têmpora esquerda. Causou um edema, está um hematoma horrível", relatou.

Ele disse que já fez um B.O. e que vai entrar na justiça contra a abordagem. Já a aniversariante disse que vai fazer exame de corpo de delito e que vai procurar ajuda jurídica para saber como agir.

Entenda

Doze pessoas comemoravam o aniversário na noite deste sábado, quando policiais militares bateram à porta e pediram para entrar na residência. A aniversariante, porém, se negou a abrir o portão argumentando que era uma propriedade privada e que eles precisariam de um mandado.

Os agentes chegaram a desligar o registro de luzes da casa até que um deles pulou o muro por meio da propriedade do vizinho e abriu o portão para os demais. Foi quando a abordagem começou: os presentes foram encostados no muro, revistados e agredidos. Em meio ao bate-boca, a bala de borracha foi disparada.

O aparelho de som e a televisão, além dos celulares foram apreendidos. A aniversariante, sua mãe e sua filha, além de uma outra amiga e de Silveira, foram encaminhados à delegacia, onde passaram mais de cinco horas e foram liberados após assinatura de termo circunstancial.


Com informações: Brasil sem Medo


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