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          O QUE ESPERAR DOS SEUS PRÓXIMOS 50 ANOS
                                                                                                                                                  

Cidades mais velhas do país estão concentradas

 e têm poucos habitantes


"É na maturidade que temos nossos melhores

 cérebros"


Maiores de 50 estudam para ocupar tempo 

após aposentadoria,   E MUITO MAIS

                                                                                    FONTE JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


"Eu tenho 44 anos de casado. Estou com a minha velhinha até hoje e não estou pensando em trocar, não."
Frases como essa, do aposentado Silas Moret, 79, são hoje menos comuns do que no princípio da década. De acordo com dados do IBGE, entre os anos de 2000 e 2010 a média de divórcios entre pessoas acima de 50 anos cresceu 28%. Esse aumento é seis pontos percentuais maior do que o registrado entre os casais mais jovens (de 20 a 50 anos).
Marlene Bergamo-15.mai.03/Folhapress
Casal se beija em baile da terceira idade, em São Paulo.
Casal se beija em baile da terceira idade, em São Paulo.
Mudanças físicas podem ajudar a explicar esse fenômeno. Segundo Maria Elvira de Gotter, psicanalista especialista em gerontologia e em sexualidade, a quinta década de vida costuma ser "um momento de grande transformação na vida da mulher". Alterações hormonais podem causar não apenas os famosos calores noturnos, mas também provocar irritação, aumento de peso e até mesmo dores durante a relação sexual. Já os homens dessa idade, segundo Gotter, procuram o divã de uma especialista em sexualidade quase sempre com a mesma queixa: disfunção erétil. "É difícil para o homem. Há uma baixa de autoestima."
Fatores sociais também contam. Por volta dos 50 anos, é comum que o casal esteja vendo seus filhos saírem de casa e, ao mesmo tempo, seus pais adoecendo. A esses acontecimentos traumáticos, podemos acrescentar ainda eventuais aposentadorias de um ou de ambos os membros do casal. "De repente, marido e mulher se encontram novamente sozinhos em casa e se percebem como um casal desconhecido", diz Gotter.
RENASCIMENTO
O primeiro marido de Ivone Avelar, 66, não gostava de vê-la tocando acordeom, instrumento que aprendeu a tocar aos 10 anos de idade. "Ele tinha preconceito, dizia que sanfona 'era coisa de nortista'."
Hoje, vivendo há 16 anos com seu segundo companheiro, Ivone não só voltou a tocar como entrou para a Orquestra Sanfônica, grupo de São Paulo fundado e comandado pela musicista Renata Sbrighi. "Entrar para essa orquestra foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida", comemora.
Marcelo Souza Almeida/Folhapress
Ivone Avelar, 66, durante concerto da Orquestra Sanfônica, no Largo da Lapa (zona oeste de São Paulo).
Ivone Avelar, 66, durante concerto da Orquestra Sanfônica, no Largo da Lapa (zona oeste de São Paulo).
Para Mirian Goldenberg, antropóloga da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), na velhice as mulheres costumam dar mais valor à própria liberdade do que ao casamento ou à família. "Mulheres de 75 anos dizem para mim: 'Eu não quero mais casar, só quero dar beijo na boca'." Já os homens "têm uma viagem quase oposta", afirma a antropóloga. "Segundo minha pesquisa, eles passam a valorizar muito mais a família."
Isso não significa que as mulheres que têm filhos e netos não curtam ficar com eles. Mas elas querem isso e muito mais. "Não a coloque como a "vovozinha" de antigamente, que só vai cuidar do netinho", diz. "Ela quer viajar, ir ao teatro, ao cinema, tomar um choppinho."
Gotter afirma ainda que, quando a mulher é capaz de superar as mudanças e desafios dos 50 anos, ela pode chegar a uma das mais interessantes fases de sua vida. "Se ela atravessa bem esse período, depois é como se ela renascesse." E não necessariamente isso significa buscar novos relacionamentos. "Ela também busca novos horizontes, fazendo novos cursos, novas amizades, conquistando novo status social."
"O DESEJO NUNCA ACABA"
Os dados do IBGE, que registram apenas os divórcios oficializados em cartório, podem esconder um número ainda maior de separações informais.
Bancário aposentado há 20 anos, V.B. (que não quis se identificar), 73, continua casado, no papel, com sua primeira esposa. Mas não se vê aliança em seu dedo. Apesar de ainda morar junto, o casal dorme em quartos separados e, em casa, a conversa "não passa do 'Bom dia, boa tarde, boa noite'". Ele diz viver há oito anos um bem sucedido relacionamento com outra mulher.
"Em uma de nossas discussões, falei para minha esposa que iria arranjar outra mulher. Ela disse: 'Pode arranjar. Não trazendo aqui em casa, está bom'", diz. E, rindo, conta sua conclusão: "Eu pensei: sinal verde!".
Sua vida, diz o ex-bancário, é agora muito mais prazerosa. "Preencheu o vazio. Eu tenho com quem desabafar alguma coisa", explica. Mas pondera: "Não chego a ser apaixonado".
Apaixonados ou não, os novos velhos estão casando mais do que antigamente: entre 2000 e 2010, a média de casamentos entre as pessoas com mais de 50 anos aumentou 55%, contra um aumento de apenas 18% entre os mais jovens (entre 20 e 50 anos).
Quando o assunto é a vida sexual na velhice, os depoimentos são variados. "O casamento é assim: chega uma época em que vocês são amigos. Aquele fogo já era", diz Silas Moret, que mesmo assim não pensa em "trocar sua velhinha". Mais empolgado, V.B. diz que seu namoro é "normal". "Você vai para o cinema, para o teatro, para a cama."
O mais importante, para a psicanalista Maria Elvira de Gotter, é lembrar que não se pode reduzir a sexualidade ao ato sexual. "A relação sexual é só um componente da sexualidade, que é algo muito mais amplo: é o impulso de vida, é essa energia que te leva para frente", explica. "O desejo nunca acaba."

Apagão de mão de obra cria onda de "desaposentados"

HELTON SIMÕES GOMES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Profissionais "cinquentões" têm aumentado sua presença no mercado de trabalho. Eles exercem funções renegadas pelos mais jovens e ocupam cargos que exigem especialização ou maior experiência.
"O mercado sofre com um apagão de mão de obra", diz Fátima Sanchez, gestora do Instituto Personal Search, entidade que recoloca profissionais no mercado. Na ausência do trabalhador mais tarimbado, as empresas criaram estratégias, como "desaposentar" profissionais que estavam longe do mercado.
Segundo o Ministério do Trabalho, os maiores de 50 anos ocupavam 14,21% dos mais de 44 milhões de postos em 2010. Eles preencheram mais de 20% das quase 3 milhões de vagas abertas.
Aloísio Buoro, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) de São Paulo, aponta o setor da construção civil como um dos nichos promissores de recrutamento.
É o caso do Luiz Fernando Penalva, 62. Ele se demitiu em 2008, depois de passar 12 anos como gerente de condomínios em Alphaville, região de alto padrão próxima a São Paulo. Há um ano e meio foi contratado como engenheiro civil sênior pela construtora Contracta Engenharia.
"Já fiz dezenas de obras", diz. "Quando uma delas começa, já tenho uma visão dos problemas que podem ocorrer." Ele afirma ganhar até 8% acima do salário médio para a função que ocupa e diz já ter recebido propostas para trocar de empresa. Mas não pensa em sair. "Na minha idade, se eu der um salto, tem que ter muita certeza."
Jacqueline Resch, sócia-diretora da empresa de recrutamento e seleção de executivos Resch Recursos Humanos, também afirma que há espaço no mercado de trabalho para "pessoas nessa faixa etária", mas elas têm de estar atualizadas. "Não dá para envelhecer nesse sentido", afirma, ressaltando que é impossível trabalhar hoje com referência em uma experiência de 20 anos atrás.
Os especialistas apontam também como setores demandantes dos profissionais "cinquentões" capacitados o agronegócio, a mineração e a área de energia (óleo, gás e petróleo).
BAIXA QUALIFICAÇÃO
Mesmo para os trabalhadores sem qualificação há oportunidades, dizem os especialistas.
O Grupo Pão de Açúcar criou há dez anos o Programa Terceira Idade, que contrata pessoas com 55 anos ou mais. São empacotadores, operadores, auxiliares de cozinha, padeiros e consultores de clientes.
"Eles têm maior comprometimento, sabem ouvir", diz a gerente de RH do grupo Vandreia de Oliveira.
Para Buoro, do Insper, nesses setores não tão atrativos para quem está no começo da vida profissional, é mais fácil tirar da aposentadoria e treinar alguém mais velho com vontade de trabalhar.
Independentemente da função ou do setor, a inclusão de mão de obra com mais experiência no mercado de trabalho tende a mudar a cabeça do empregador.
"As empresas não estão mais restritas a contratar só jovens. Elas procuram quem está no mercado ou quem já saiu dele. Isso amplia a quantidade de oferta de mão de obra", conclui Buoro.24/01/2012 - 03h00

Cidades mais velhas do país estão concentradas e têm poucos habitantes

ALEXANDRE ARAGÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A dona de casa Sibila Biondo, 65, faz alongamento duas vezes por semana. Ativa, ela também aproveita as aulas de informática, o grupo de canto e as festinhas que costumam acontecer na região em que mora.
"Pra quem já está na melhor idade, como dizem, aqui é um pedacinho do céu", ela diz sobre Coqueiro Baixo (RS), município em que mora. De acordo com os dados do Censo 2010, essa é a cidade com maior porcentagem de população acima de 65 anos em todo o Brasil --20,42% do total, contra os 7,38% do país.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que, em 2030, a população do Brasil começará a diminuir. Para o instituto o país terá, então, 13,33% de idosos em relação ao total. Hoje, 158 municípios brasileiros já apresentam essa característica --a maioria no Rio Grande do Sul.
"Não é que o êxodo rural acabou, ele mudou sua configuração", diz José Marcos Froehlich, pós-doutor em sociologia rural pela Universidade de Sevilha, na Espanha, e professor da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Antes, diz o pesquisador, toda a família deixava a cidade de origem. Agora, a saída concentra-se principalmente entre mulheres e jovens.
Para Froehlich, outro fator que pode explicar o aumento da porcentagem de idosos nas áreas rurais do Rio Grande do Sul é a melhora na condição de vida dessa faixa da população. Ele diz que a mecanização da agricultura permite que o trabalho no campo seja menos estafante.
A família de dona Sibila é um bom exemplo desse movimento. Enquanto ela e o marido --moradores de Coqueiro Baixo desde que nasceram- ficaram na cidade, o filho e a filha do casal foram viver em Porto Alegre. "Eles tiveram que ir embora para estudar."
Deise Delazeri Scartezini/Folha Coqueirense
A capela São José, na entrada do município de Coqueiro Baixo (RS). Cidade é que possui maior proporção de idosos em todo o país
A capela São José, no município de Coqueiro Baixo (RS). Cidade possui a maior proporção de idosos do Brasil
OS DEZ MAIS
O envelhecimento da população brasileira, no entanto, não seguirá o mesmo caminho que o fenômeno seguiu nos "municípios velhos" de hoje. "Nos grandes aglomerados populacionais é muito improvável que essa proporção de população mais velha seja em função de migração", diz Alisson Barbieri, doutor em planejamento urbano pela Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Dos dez municípios que aparecem nas primeiras colocações do levantamento, nove ficam no Rio Grande do Sul --Águas de São Pedro (SP) é a exceção. Somente Coqueiro Baixo, o primeiro da lista, possui mais de um quinto de idosos em sua população.
Os locais que aparecem nas dez primeiras posições da lista possuem características semelhantes: são municípios com poucos habitantes (média de 2.234, contra 34.278 de todos os municípios do país) e importante parcela de população rural.
Comparando os dados do último Censo com o de 2000, é possível notar o aparecimento de municípios com alto índice de população idosa também nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Mesmo assim, as projeções do IBGE de que o fenômeno só aparecerá em todo o país em 2030 devem se concretizar.
"Quando a fecundidade começa a cair --o que chamamos de déficit demográfico--, demora um tempo para que isso se reflita em uma mudança na estrutura etária", diz Barbieri. Até lá, é possível pegar os bons exemplos de hoje e tentar implementá-los em escala nacional.24/01/2012 - 03h00

Construtoras redesenham imóveis para idosos

DIEGO ZERBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O envelhecimento da população brasileira também está movendo o mercado imobiliário. Se já tinham, em sua grande maioria, opções de lazer para crianças e adolescentes, os novos condomínios agora trazem facilidades para idosos.
Foi a partir de uma experiência na Pompeia (zona oeste de São Paulo), em 2008, que a Tecnisa desenvolveu o projeto para maduros. A intenção era fazer um condomínio para recém-casados com filhos, mas as vendas revelaram outro tipo de proprietário.
"Vimos que 15% dos compradores eram pessoas acima de 55 anos. A gente está acompanhando essa curva do envelhecimento da população, e é bom perceber que não é uma fatia irrelevante do mercado", diz a gerente de projetos Patrícia Valadares.
Para direcionar a construção dos novos condomínios, a empresa reuniu geriatras, gerontólogos (estudiosos da vida idosa) e arquitetos especializados em design universal, que faz adaptações para garantir o acesso para pessoas com limitações de movimento em imóveis residenciais e comerciais.
Divulgação/Tecnisa
Adaptação de banheiros dos apartamentos da Tecnisa; design universal é aplicado em cômodos e áreas comuns
Adaptação de banheiros dos apartamentos da Tecnisa; design universal é aplicado em cômodos e áreas comuns
ADAPTAÇÕES
As alterações acontecem dentro dos apartamentos e nas áreas comuns. A instalação de interruptores mais baixos e tomadas mais altas para diminuir o esforço para abaixar e levantar, o uso de maçanetas em forma reta a fim de facilitar a abertura das portas e a instalação de pisos de mesmo padrão para evitar desníveis são algumas das mudanças nas casas.
Nos espaços do condomínio, escadas das piscinas foram construídas em alvenaria e com corrimão, barras de alumínio identificam vidros dos prédios e até o porcelanato, usado por diversos lançamentos, foi substituído. "Trocamos por madeira porque a luz reflete no chão e pode provocar acidentes para quem tem problemas de visão", diz Valadares.
Com o conceito, foram lançados dez prédios no bairro do Marapé, em Santos (a 72 km de São Paulo), conhecida por ser a escolha de muitos aposentados para morar após sair do trabalho. No total, são 1.627 apartamentos: oito blocos com dois quartos, previstos para junho de 2012, e outros dois, de três dormitórios, que devem ficar prontos um ano depois.
Uma das compradoras é a secretária executiva paulistana Elizabeth Henriques, 59, que se mudará para o litoral com o marido quando se aposentar, em busca de melhor qualidade de vida. "Esperamos ter vizinhos de nossa faixa etária ou próxima a ela. Gostamos de prosa e mais ainda com pessoas da mesma idade."
ACESSO PARA TODOS
Em Suzano e Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), pesquisas de mercado levaram a J. Bianchi a construir dois prédios com design universal em 2008. Com a venda dos edifícios, foram lançados outros dois condomínios nessas cidades em 2010. Segundo a construtora, já foram negociados 70% dos apartamentos.
"Percebemos uma aceitação maior entre proprietários mais velhos e tivemos até cadeirantes que escolheram o prédio por causa das mudanças", afirma a gerente de projetos Juliana Tartaglia.
Além das adaptações das construtoras para esse público, entidades de assistência a idosos também começaram a fazer condomínios dedicados a essa faixa etária.
Em São José do Rio Preto (a 438 km de São Paulo), a Agerip (Associação Geronto-Geriátrica de São José do Rio Preto) criou um condomínio destinado para maiores de 55 anos. A entidade oferece o terreno e a ajuda de um engenheiro especializado em casas para idosos para a construção de chalés, que é pago pelo comprador.
De acordo com a entidade, um título, que custa R$ 15 mil, dá direito ao usufruto eterno da casa. A associação afirma que 40 residências já têm moradores, enquanto outras 63 serão construídas.
CUIDADOS NA SUA CASA
Banheiros: a instalação de barras de apoio nos vasos sanitários e no box facilitam a locomoção. Para ajudar a abrir as torneiras e o chuveiro, o uso de registros monocomando ou com pontas, que podem girar para águas quente, morna e fria, ameniza a abertura do chuveiro.
Maçanetas: os modelos de alavanca devem ser adotados, pois são mais fáceis de abrir que os redondos (ou bolinha), que precisam de mais força nas mãos para girar.
Pisos: evite os pisos brilhantes e que precisam ser encerados. Além do risco de escorregar, a luz pode refletir no piso e dificultar a visão dos mais velhos. Prefira pisos de madeira e cerâmicas foscas. Evitar também os ressaltos entre os pisos dos cômodos.
Portas: prefira as de correr, pois exigem menos força para abrir. Os espaços de passagem também devem ser maiores, pelo menos com 80 cm de vão livre, para garantir a entrada e saída sem problemas com acompanhantes ou aparelhos como cadeira de rodas e andadores.
Interruptores e Tomadas: os botões devem ser mais baixos que o normal, com, no máximo, 1 metro de altura, a fim de minimizar o esforço. Pelo mesmo motivo, a tomada deve ser mais alta. A regra também pode ser aplicada para descargas e registros.

Novas tecnologias tornam a vida do idoso mais segura e independente

FILIPE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Novos serviços e inovações tecnológicas prometem dar maior segurança para os mais velhos que, apesar de alguma dificuldade na locomoção ou de muitos lapsos de memória, querem continuar levando uma vida independente.
A designer lituana Egle Ugintaite recebeu este ano o grande prêmio da empresa Fujitisu, no Japão, ao apresentar o modelo de uma "bengala do futuro". O equipamento, batizado como "the aid" (o auxílio), serve para mais do que se apoiar. Entre as funções da bengala "high-tech" estão a medição da pressão arterial e pulsação sanguínea e um sistema de navegação GPS para que os mais esquecidos não percam o caminho de casa.
Enquanto isso não vira realidade, as pessoas que têm habilidade com smartphones já possuem recursos para não se perderem. O aplicativo Tell My Geo possui um navegador GPS e guarda um histórico de saúde do usuário para alguma emergência. Se a pessoa preferir aparelhos mais simples, a empresa Cell Design oferece o celular BP, que vem com teclas grandes para facilitar o manuseio e a visualização dos números. É compatível com aparelhos auriculares. Possui também um botão para chamar ajuda em situações de emergência e sensores de queda, que ligam para os familiares do idoso no caso de um movimento brusco. O aparelho já está disponível no Brasil pela internet.
Para quem precisa tomar muitos remédios em horários e quantidades bem definidas, a empresa americana Vitality Inc. oferece, apenas nos Estados Unidos, as Glow Caps. Elas são tampas de remédios que vêm com sensores e transmissores acoplados.
Na hora marcada para se tomar o medicamento, uma luz acende sobre a cápsula. Se, mesmo assim, a tampa não for aberta, a GlowCap aciona sucessivos alarmes sonoros. Persistindo fechada, o sistema faz uma ligação automática para um telefone cadastrado.
Também nos Estados Unidos, a Rescare, empresa que oferece serviços de home-care, possui um serviço de cuidado à distância. A tecnologia usada por ele é semelhante a de um sistema de videoconferência. O serviço, chamado "Rest Assured" (descanso garantido, em tradução livre), conecta o idoso a profissionais de saúde e familiares.
O serviço de teleassistência já está disponível no Brasil. Trata-se de um painel ligado a uma central telefônica que é instalado na casa. Em caso de emergência, o idoso aciona um alarme em forma de colar ou pulseira que fica junto com ele. O alarme avisa uma central de atendimento que ligará para telefones de pessoas que podem socorrê-lo.
CASAS ADAPTADAS
As inovações tecnológicas não se restringem a equipamentos. No futuro, será possível encontrar casas completamente adaptadas para abrigar um idoso.
O Agelab, unidade do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) que estuda o envelhecimento, desenvolveu o projeto de uma cozinha capaz de monitorar as atividades que acontecem dentro dela, utilizando-se de tecnologia empregada pela Nasa para monitorar satélites.
O sistema tem como base a instalação de aparelhos de medição de amperagem (corrente elétrica) de altíssima precisão ligados a utensílios da casa. O uso dos objetos, como uma cafeteira, por exemplo, é então registrado por um servidor capaz de perceber qualquer anormalidade na rotina do idoso.
Uma das criações do AgeLab que usam esta tecnologia é uma lata de lixo "inteligente". Para isso, também usaram uma antena de rádio, minietiquetas especiais que podem ser lidas pela lixeira e uma balança digital. Dessa forma, ela consegue registrar quais itens foram consumidos e em que quantidade e enviar essas informações para parentes do idoso.
O serviço da Intel chamado GE Quiet Quare (cuidado silencioso em inglês) utiliza um conceito semelhante: sensores instalados na casa detectam os movimentos dos idosos. Portas e cápsulas de remédios também são capazes de monitorar o que está acontecendo. Um servidor armazena essas informações e, usando um código algorítmico (sequência de instruções bem definidas), analisa-as e percebe se algo está errado.
FILIPE OLIVEIRA participou da 52ª turma do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha, que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil, pela Odebrecht e pela Syngenta.
Editoria de Arte/Folhapress

"É na maturidade que temos nossos melhores cérebros"

DOUGLAS LISBOA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Um dia, Barbara Strauch, 57, desceu para buscar papel-toalha no armário do porão de sua casa, em Nova York, mas no meio do caminho simplesmente não conseguia se lembrar mais do que ia fazer.
O pequeno lapso de memória foi o alerta para a editora de ciência do "New York Times" escrever "O Melhor Cérebro da sua Vida" (Zahar), lançado no Brasil em maio. No livro, ela descreve as mudanças por que passa o cérebro humano após os 40 anos, relata as habilidades que surgem nessa idade e tenta desvendar o que, afinal, significa atingir a maturidade com os avanços trazidos pela ciência no início do século 21.
A autora já havia mergulhado em pesquisas sobre o tema ao publicar, em 2003, "Como Entender a Cabeça dos Adolescentes" (Campus). Esgotada no país, a obra discute o cérebro na juventude e foi escrita na época em que suas duas filhas ainda estavam na adolescência.
No jornalismo há 37 anos, Strauch foi correspondente na Venezuela e coordenou uma equipe contemplada com o Prêmio Pulitzer, em 1992, pela cobertura de um grave acidente de metrô em Nova York.
Divulgação
Barbara Strauch, editora de ciência do "New York Times" e autora de livros sobre o cérebro humano na adolescência e na maturidade <M> ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***</M>
Barbara Strauch, editora de ciência do "New York Times" e autora de livro sobre o cérebro na maturidade
Em entrevista à Folha, a jornalista falou sobre o envelhecimento, os caminhos apontados pela ciência na busca de cérebros mais saudáveis e como práticas simples podem prolongar nossas capacidades cognitivas.
*
Folha - O que é estar na meia-idade hoje em dia?
Barbara Strauch - O conceito moderno de meia-idade é uma coisa nova para o nosso planeta e para as espécies que vivem nele. A média de expectativa de vida em 1900 era de 48 anos e hoje é de 78. É claro que muitos viviam mais e outros menos. O que mudou é que agora há muito mais gente tendo esse largo ponto de equilíbrio na metade de suas vidas, um longo e saudável intervalo que vai, aproximadamente, dos 40 ao começo dos 70 anos. Essa é a ideia moderna de meia-idade. Não somos mais jovens, mas não somos velhos ainda.
Qual é a preocupação mais comum dos seus leitores?
Todos nós nos preocupamos em ficar doentes, mas o que realmente nos preocupa é perder nossa capacidade de raciocínio, perder as habilidades que nosso cérebro tem. Por isso todos esses estudos são tão importantes.
O que a medicina tem feito para que as doenças neurológicas ligadas ao envelhecimento sejam algo do passado?
Há um número crescente de pessoas mais velhas que mantêm sua capacidade cognitiva intacta. Isso pode ser explicado por as condições de saúde na infância serem cada vez melhores. Um número maior de pessoas tem acesso a vacinas quando criança e está menos exposto a doenças que podem ter consequências graves no futuro.
Além disso, hoje em dia há maior controle sobre doenças como a hipertensão e o diabetes e melhores tratamentos para infartos. Tudo isso contribui para que a ciência possa, cada vez mais, estudar essas pessoas que estão envelhecendo mas que estão com seus cérebros em ótima forma. As preocupações com alimentação também aumentaram, e isso é ótimo para o cérebro.
Que novos estudos científicos a senhora destacaria?
Neste momento, uma das melhores coisas que podemos fazer pelos nossos cérebros --de acordo com o que há de melhor e mais consistente na ciência-- é o exercício físico. O cérebro é como o coração, precisa de sangue e de oxigênio. As pesquisas têm demonstrado que os exercícios podem aumentar o volume do cérebro, melhorar a capacidade de aprendizagem e até produzir novos neurônios.
Que atitudes quem ainda é jovem deve tomar para ter um cérebro saudável no futuro?
O melhor conselho ainda é manter uma dieta saudável, além do exercício físico. A ciência costumava pensar que os nutrientes não ultrapassam a barreira que separa o sangue do cérebro, um conjunto de células que nos protegem de infecções e mantêm o sistema nervoso em equilíbrio químico. Agora, eles sabem que isso não é verdade. Os nutrientes atravessam essa barreira e são importantes para manter o cérebro saudável.
Há uma combinação ideal de alimentação e exercícios físicos?
Na maior parte dos países desenvolvidos, a grande maioria das pessoas consome todos os nutrientes de que precisa. Por isso, comer uma tigela a mais de mirtilo pode não fazer muita diferença. Por outro lado, está comprovado que uma dieta equilibrada pode ajudar no controle do diabetes e diminuir os riscos de infarto --e ambos trazem consequências prejudiciais ao cérebro.
E fazer exercícios aeróbicos não significa ter que correr uma maratona. Os benefícios já podem ser sentidos em quem caminha regularmente três vezes por semana.
Já podemos amadurecer sem medo?
Acho que uma das mensagens mais importantes da ciência hoje em dia é que nós devemos perder o pânico dos pequenos problemas que surgem com a idade, como esquecer um nome ou dois, e começar a apreciar nossos cérebros maduros por aquilo que eles fazem por nós.
De muitas formas, nós temos os melhores cérebros de nossas vidas quando atingimos a maturidade, perfeitamente capazes e quase prontos para resolver os problemas mais complexos, perceber nuances, fazer melhores julgamentos e ter uma visão mais otimista das coisas.
Como a sociedade recebe esses novos velhos?
Isso, é claro, depende de como iremos resolver os problemas econômicos de hoje. Não tenho muitas esperanças de que a gente consiga modificar a sociedade a ponto de tirar vantagem de tudo que as pessoas que estão entrando na meia-idade podem oferecer e de todas as suas mentes maduras, que estarão saudáveis e prontas para o trabalho.
Mas nós devemos pensar nisso. Acrescentamos 30 anos em nossas vidas e não paramos nem um minuto para pensar o que faremos com esses anos. Há muitos cérebros de meia-idade e alguns até mais velhos que estão sendo desperdiçados.
Amadurecer não a assusta?
Bom, sou humana e atingir a maturidade às vezes me assusta. Quando se chega à meia-idade, nem tudo é motivo para festa: ficamos doentes, perdemos nossos pais e alguns amigos. Por outro lado, consigo apreciar muito mais o que meu cérebro é capaz de fazer agora e o que ele ainda pode fazer no futuro.
Certamente amadurecer traz alguns problemas, mas ficar mais velho compensa todas essas desvantagens por muito tempo, se nos cuidarmos e tivermos um pouco de sorte.
Então, a maturidade tem também suas compensações?
Sim. Às vezes nos deixamos levar pela visão que a nossa própria cultura construiu sobre ficar mais velho --aquela imagem de tristeza, melancolia, decadência...
Mas isso é bobagem. A ciência mostra que, se nos mantemos saudáveis, podemos ter cérebros perfeitos e conseguimos aproveitá-los da melhor forma possível por anos --e seremos cada vez mais ativos e úteis para a sociedade. Temos que parar de pensar que envelhecer é só um grande passo ladeira abaixo.
DOUGLAS LISBOA participou da 52ª turma do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha, que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil, pela Odebrecht e pela Syngenta
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O MELHOR CÉREBRO DA SUA VIDA
AUTOR Barbara Strauch
EDITORA Zahar
PREÇO R$ 33
PÁGS 248
Divulgação
Livro explica as mudanças por que passa o cérebro humano na maturidade.
Livro explica as mudanças por que passa o cérebro após os 40 anos

Maiores de 50 estudam para ocupar tempo após aposentadoria

DIEGO ZERBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O químico gaúcho Paulo Marcos Alves, 58, termina em abril as aulas de marcenaria do Senai, em Novo Hamburgo (RS), após 30 anos de formado na faculdade.
Alves, que se aposenta em fevereiro, já fez outros dois cursos, de paisagismo e culinária. A intenção é aplicar os conhecimentos durante o retiro, em uma casa ecológica construída no litoral do Ceará. O químico se muda com a mulher assim que sair da empresa onde trabalha.
"Quero praticar por lazer as coisas que eu aprendi. Se eu puder vender uma mesa, é bom, mas ganhar dinheiro não é minha prioridade."
Sérgio Amaral/SENAI
Idoso em aula de mecânica em Taguatinga (DF); cursos servem para ocupar o tempo e ter renda extra
Idoso em aula de mecânica em Taguatinga (DF); cursos servem para ocupar o tempo e ter renda extra
VOLTA ÀS ESCOLAS
O caso do químico é um exemplo do que prevê o Estatuto do Idoso ao estimular a educação profissional para maiores de 60 anos. O objetivo é trazer uma ocupação aos maduros no período de aposentadoria.
Desde 2003, quando o documento foi aprovado, diversas entidades, públicas e privadas, começaram a fomentar a realização de cursos para a faixa etária, a fim de reintegrar essa população ao mercado de trabalho e incentivar a criação de microempresas.
A presença dos maiores de 45 anos é maior nas salas do Sistema S (organizações de educação de setores da economia). No Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), eles são 7% dos estudantes, enquanto no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) o número chega a 11,5%.
Em escolas técnicas públicas, a presença dessa faixa etária é menor. No IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), por exemplo, apenas 4% dos alunos têm esse perfil, enquanto nas Etecs (Escolas Técnicas) eles são 2,16%.
INICIATIVAS
Pensando nesse grupo, o Senai nacional realiza há três anos iniciativas experimentais em 24 Estados, com aulas regulares e específicas para maiores de 45 anos. Além da ocupação, a entrada no mercado de trabalho também é interesse da entidade.
"Nossos cursos são para alunos que buscam uma segunda formação para trabalhar em consultoria, criar uma microempresa ou trabalhar em casa", diz a gestora de ações inclusivas Loni Manica.
Ainda que não tenha dados sobre o destino dos alunos da entidade, Manica diz que não há discriminação dos empresários para a contratação dessas pessoas. "A indústria vê com bons olhos e quer que essas pessoas tenham qualidade de vida. É uma questão de tempo a adaptação."
E acredita que a demanda de cursos para essa faixa etária aumentará. "Essas pessoas percebem que ainda podem fazer muita coisa, mesmo envelhecendo."
TENDÊNCIA
A educação dos maiores de 60 anos também é um dos pontos da proposta de Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Idosa, a ser votada em convenção da ONU (Organização das Nações Unidas), em fevereiro de 2012.
A consultora Laura Machado, que assessora a Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia a fazer o documento, afirma que a educação profissional para indivíduos próximos da aposentadoria "é uma tendência internacional".
"As organizações começam a ter consciência de que precisam requalificar esse profissional, que deve atuar em áreas de consultoria e treinamento, para onde levará sua experiência."
SERVIÇO
Senai, tel. 3528-2000
São 549 cursos de formação continuada oferecidos em unidades em todo o Estado de São Paulo, nas áreas de mecânica, gestão financeira, gráfica e alimentos.
Senac, tel. 0800-883-2000
A entidade possui cursos em 41 áreas do conhecimento, como administração, beleza, nutrição, informática e gastronomia, em 21 unidades na Grande São Paulo e 33 no interior.


A maior parte dos paulistanos (64%) não tem medo da velhice e gostaria de viver ao menos 88 anos. É o que revela pesquisa Datafolha realizada na cidade de São Paulo entre os dias 1º e 2 de dezembro de 2011.
A vontade de estender a vida é tamanha que apenas um em cada dez entrevistados afirma ter muito medo da velhice, enquanto 22% disseram ter um pouco de medo.
Um dado interessante do estudo é o fato de que quanto mais velho o entrevistado, menor o temor de envelhecer. Entre os maiores de 56 anos, 75% não se importam com o assunto.
Mas o receio aumenta em outras faixas etárias: de 41 a 55 anos, 69% não têm medo; de 26 a 40, 63%; e de 16 a 25, 54% não mostram preocupação com isso (dez pontos percentuais abaixo da média).
VIVER MAIS
Os pesquisadores perguntaram também quanto tempo as pessoas gostariam de viver. O resultado aponta que boa parte dos entrevistados, 26%, sonha prosseguir até os 80 anos.
Porém, os números se equilibram no quesito viver mais. São 20% entre os que gostariam de chegar aos 90; a mesma porcentagem que respondeu querer se tornar centenária um dia.
Mesmo considerando os avanços da medicina e o aumento da expectativa de vida, somente 4% dos paulistanos disseram preferir ultrapassar os cem anos.
Ao se levar em conta a idade dos participantes da pesquisa, também se nota nos jovens um equilíbrio nos números relacionados a prolongar o tempo de vida.
No grupo de entrevistados de 16 a 25 anos, 14% viveriam até os 60 e 16% gostariam de chegar aos 70.
Em geral, os jovens demonstraram mais vontade de viver que a média da população. Entre os que esperam chegar aos cem anos, o resultado alcançou 17% -- 13 pontos percentuais a mais que a média.
Os mais experientes também jogam sua expectativa de vida para cima. Dos maiores de 56 anos, só 2% disseram que gostariam de viver até os 60. Já os que optaram em responder 70 anos para os pesquisadores foram 8%.
Por outro lado, 26% dessa população gostaria de chegar aos 90 anos e 23% planejam atingir o centenário.
BOA ALIMENTAÇÃO
Entre os cinco itens apresentados aos entrevistados para que apontassem o mais importante para viver melhor na maturidade, a boa alimentação foi a mais citada (84%).
Praticar exercícios físicos também é bem avaliado pelos paulistanos: 77% apostam na atividade física para estender a vida.
Porém, poupar dinheiro foi a menos lembrada (53%). O desapego venceu o temor e as pessoas optaram por ficar próximo dos amigos e familiares (74%) e ter atividades de lazer (67%).
Arte/Folhapress
MAIORIA NÃO TEM MEDO DA VELHICE Pesquisa Datafolha caderno +50

Internet e lazer devem guiar consumo dos novos velhos

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LEONARDO RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O mercado de lazer deverá ser o segmento mais procurado no futuro por consumidores brasileiros acima de 60 anos, em detrimento do de bens duráveis tradicionais, como eletrodomésticos, imóveis e automóveis.
A opinião é unânime entre seis especialistas ouvidos pela Folha, entre economistas, administradores e consultores em tendências de consumo e varejo no Brasil.
Segundo eles, esse é um público cada vez mais ativo, crítico e financeiramente independente. Além disso, o idoso hoje vive mais, goza de mais saúde e, por isso, dispõe de tempo extra para gastar consigo mesmo.
Para Claudio Felisoni, presidente do Provar (Programa de Administração de Varejo) --instituto que realiza consultorias e pesquisas de mercado--, o aumento na procura por lazer é ainda mais acentuado entre os idosos da classes C, a parte da pirâmide social que mais cresce no país.
"À medida que as pessoas passam a viver mais e a ter uma renda um pouco maior, a demanda por itens de necessidade básica e por bens duráveis vai sendo substituída", ressalta Felisoni.
A inclinação pela diversão também aparece no mais recente levantamento da QuorumBrasil, que, em 2008, ouviu 200 paulistanos entre 65 e 75 anos, de diferentes faixas de renda. De acordo com a empresa especializada em números de mercado, os gastos com entretenimento estão à frente de outras despesas importantes, como as de moradia e de transporte.
"Com um pouco mais de renda, o idoso fica menos escravizado dentro de casa. Ele se alimenta fora, vai ao cinema, a restaurantes. Fica mais ativo de forma geral", destaca o economista André Braz, da FGV (Fundação Getúlio Vargas) do Rio de Janeiro.
MEIOS DIGITAIS
Outro ponto em comum na opinião dos especialistas consultados é a afirmação de que a internet e os novos meios digitais serão grandes aliados dos novos idosos quando forem às compras. Seja por meio de computadores tradicionais ou pelo uso de smartphones e tablets.
O usuário de leitores portáteis com mais de 55 anos, por sinal, quase dobrou nos Estados Unidos no período de 2010 a 2011, segundo a Nielsen, um dos maiores institutos de pesquisa do mundo. E a expectativa é que isso também ocorra por aqui.
"Cerca de 30% dos e-consumidores têm entre 35 e 49 anos de idade. Daqui a 20 anos eles estarão muito mais habituados à internet e aos meios digitais do que os idosos de hoje, e deverão consumir mais", diz Cris Rother, diretora da e-bit, empresa especializada em informações de comércio eletrônico.
Números da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) sinalizam essa projeção. A pesquisa mostra que a faixa etária entre 50 e 59 anos é a que mais cresce na internet brasileira, com 40,4% de avanço entre 2008 e 2009. Quase o dobro da média geral para todas as idades, de 21,5%.
MERCADO INCIPIENTE
Desenvolver produtos e serviços que atendam as necessidades de consumidores cada vez mais velhos e exigentes ainda é um desafio para as empresas no Brasil.
Hoje, o mercado já dispõe de opções para esse público. De roupas a cosméticos, passando por planos de saúde, serviços bancários, telefones e até imóveis adaptados.
Mesmo assim, para especialistas, o momento é mais de adequação. O número de negócios que de fato entende os anseios desse nicho ainda seria pequeno. E as estrelas, as agências de turismo.
"Pelo crescimento no número de pessoas ativas nessa faixa etária, a oferta atual de produtos e serviços é insuficiente. Basta ver como as campanhas publicitárias ainda exploram a imagem dos jovens", entende a administradora Sandra Regina da Luz, da DS Consultoria Empresarial e Educacional.
Para o economista da FGV Marcelo Neri, as empresas que apostarem na faixa etária acima dos 60 anos logo terão um forte diferencial competitivo. "Os idosos de hoje já compõem um grupo extremamente atrativo às marcas, com dinheiro no bolso e crédito disponível", afirma.
LEONARDO RODRIGUES participou da 52ª turma do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha, que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil, pela Odebrecht e pela Syngenta.
Editoria de Arte/Folhapress

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