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ELEIÇÃO 2012 SÃO PAULO: Entrevista José Serra








Em entrevistas o senhor criticou a produção de um kit anti-homofobia pelo MEC na gestão Haddad. Quando era governador, o senhor distribuiu à rede de ensino um guia contra o preconceito. Por que criticar a ação do oponente agora?

Porque não tem nada a ver um com o outro. O guia contra o preconceito era um guia contra o preconceito de classe, de raça, de cor, de tamanho, se a pessoa é gorda ou não é, contra o bullying em geral, inclusive com relação ao preconceito relativo à orientação sexual. É algo que feito desde 96 e nunca teve problema, nunca teve reclamação, e mais ainda, é uma coisa dirigida aos professores, para eles orientarem, etc. O kit do Ministério da Educação, na verdade, eu nunca levantei o assunto, eu sempre reagi a perguntas da imprensa. Ele foi suspenso pela presidente Dilma porque era considerado desastroso. O próprio Fernando Haddad quando ministro, ou depois de ser ministro, também disse “não, de verdade, o kit estava ruim”. E o pior é que custou R$ 800 mil, o próprio TCU está cobrando isso, foi uma coisa malfeita e que não era de combate bem a preconceito, era de indução a comportamentos. Por exemplo, dizia o seguinte: se você tiver duas opções sexuais, se você gostar de homem e gostar de mulher, é uma vantagem para você porque aumenta 50% tua chance de ter programa no fim de semana. Isso em um kit que vai para crianças acima dos 11 anos de idade. Francamente, não tinha cabimento. Aliás, tinha também um erro de porcentagem, porque no caso seria 100%. Isso não é um kit educativo, pedagógico, era uma coisa estragada. Agora, a própria presidente Dilma disse isso e o próprio Fernando Haddad reconheceu. Essa é a situação, são duas coisas que não dá para comparar. E minha preocupação é com o dinheiro também que foi gasto nisso, R$ 800 mil para nada, pela incompetência de tocar esse assunto.

Candidato, uma das maiores queixas da população é em relação à falta de médicos, principalmente nos bairros mais distantes do Centro. A Prefeitura aumentou os salários, mas isso não resolveu o problema. Como atrair esses profissionais?

Olha, a Prefeitura aumentou, com o apoio do estado, seis mil médicos no serviço municipal, mesmo assim falta médico em São Paulo. Nós vamos ter que ver condições especiais, até de transporte, até de moradia para plantão, para que eles possam ficar nos lugares mais distantes. Mas eu tenho também uma proposta que vai facilitar essa situação: nós vamos pegar 30 das AMAs que existem em São Paulo e transformar em AMAs 24 horas, com o que facilita indiscutivelmente o atendimento, duplica e facilita também a presença do médico porque ele pode fazer um plantão mais prolongado. Já tem 17 AMAs 24 horas e nós vamos fazer mais 30. As AMAs foram unidades de saúde que eu introduzi em São Paulo e no Brasil, foi uma novidade. Atendem 10, 11 milhões de pessoas por ano e a gente vai adotar essa medida de expansão para amenizar o problema da falta de médico.

Um dos maiores problemas da cidade é a falta de segurança. Agora, existem muitas ruas escuras. Existem muitos bairros mal iluminados. Por que a Prefeitura não consegue garantir para a população esse serviço essencial da iluminação?

No final do primeiro ano de governo, se eu for prefeito, essa questão está resolvida. Já tem plano, já tem um caminho. O que acontece: São Paulo tem 550 mil pontos de iluminação. Três por cento tem problemas. Mas 3% é muito. São mais de 15 mil. Então, isso tem que ser atacado também. Iluminação não pode ser, 'não, 90% vai bem, etc e tal'. Tem que ser 100%. Agora hoje já tem um esquema encaminhado, eu já mandei calcular, averiguei, eu mesmo estudei. Em um ano, não vai ter problema de ponto escuro em São Paulo. Isso eu posso garantir porque eu sei como resolver. Aliás, minha especialidade é resolver problemas na vida pública.

Nos últimos oito anos, primeiro com o senhor, depois com Gilberto Kassab como prefeitos, a população nunca deixou de reclamar da falta de linhas de ônibus na periferia, de ônibus que atrasa, de ônibus superlotados. Por que a Prefeitura tem falhado neste aspecto?

Porque entram 500, 700 automóveis por dia, o que cria problema para trânsito. O que que eu fiz como governador e que vou apoiar muito como prefeito? Monotrilho, que é um trem de metrô que anda em um trilho só. Já em um em construção até Cidade Tiradentes. Já tem outro que vai passar aqui perto da Globo que vem do Jabaquara e vai até o Morumbi. Tem outro que irá até o Jardim Ângela. Na hora que nós fizermos uma rede de Metrô...

Eu peço que o senhor conclua porque nosso tempo está esgotado

Perfeito. Na hora que nós fizermos uma rede de Metrô embaixo da terra e em cima nós vamos ter base para poder enfrentar, de verdade, o problema do trânsito que por enquanto tem de ser enfrentado através de medidas, de corredores, de sinalização, etc. A solução estrutural está a caminho.

18/09/2012

Candidato, quando o senhor deixou a Prefeitura, o senhor disse que a gestão do prefeito Gilberto Kassab seria uma continuação da sua administração. Só que a última pesquisa IBOPE, do dia 13, apontou que 44% dos moradores de São Paulo consideram que a atual administração é ruim ou péssima. Essa reprovação ao prefeito Kassab está afastando os eleitores do senhor?

Olha, quando eu saí da Prefeitura, eu fui para ser candidato ao governo do estado. Havia um desejo nesse sentido porque, do contrário, se corria o risco do PT ganhar a eleição estadual, coisa que ia desarticular o governo do estado, como eles tinham feito com a prefeitura. Quando eu entrei na prefeitura, a prefeitura estava no chão. O Kassab assumiu porque era meu vice. Completou meu mandato, foi eleito, ganhou por 61% contra 39% da Marta Suplicy. A partir daí, desenvolveu o seu mandato, que é o segundo mandato. O primeiro mandato ele completou as coisas que eu vinha fazendo. O segundo, inclusive, continuou várias delas e em algumas coisas houve avanço. Quanto a esta avaliação dele, eu acho que ela se deve mais ao fato de que ele passou a criar um partido político, e as pessoas muitas vezes identificaram: ‘ah, tá criando partido, não tá preocupado com a cidade’. Não é verdade, mas passou essa imagem porque o prefeito tem imagem de síndico. Em todo caso, neste mandato dele, ele foi eleito por 61% dos votos. O mandato meu, que foi completado, ele foi reeleito, foi bastante, super bem aprovado.

Candidato, o que o senhor mudaria na atual gestão, que o senhor considera que está errado?

Olha, eu aceleraria as questões que envolvem a simplificação da burocracia e da legislação para poder ter mais construção em São Paulo para poder ter terrenos mais baratos porque hoje a demora encarece tudo. E eu acho que esta é uma área que ainda tem que se avançar bastante. A Prefeitura está trabalhando nessa direção, mas eu acho que tem que dar passos mais apressados. Eu me refiro à aprovação da construção de imóveis, aprovação de obras, aprovação de estabelecimento, etc, que dificultam, muitas vezes, o investimento e encarecem também o preço da terra. Você não deve demorar dois, três anos para autorizar, para começar uma grande obra, um grande edifício. Isso encarece tudo. Nós temos que simplificar, nós temos que dizer o seguinte: ‘olha, a aprovação vai demorar três, quatro meses e, a partir daí, refazer o caminho e fazer as mudanças necessárias.

O senhor lançou o projeto da Nova Luz em 2005. Só que, de lá para cá, pouca coisa avançou. Alguns prédios foram demolidos, a situação do crack ainda é muito preocupante, o consumo da droga se espalhou pela cidade. O projeto da Nova Luz fracassou?

Não. O projeto da Nova Luz não fracassou. O projeto da Nova Luz se revelou muito difícil, porque tem problemas legais, problemas legais de aprovar lei, de mudança, porque é uma coisa muito radical que você tem que fazer lá. No final, eles chegaram a uma fórmula. Agora, outras coisas andaram, por exemplo, a Praça Roosevelt já vai ser inaugurada. Então você tem uma desigualdade no andamento das coisas que às vezes acontecem por questões burocráticas, legais, do Ministério Público, do Tribunal de Contas, etc, às vezes difíceis de serem mostradas. Mas o importante é que se avançou muito no caso do bairro da Luz, já vai se chegar agora ao leilão e eu creio que, eu sendo eleito, na Prefeitura eu vou poder entregar.

Quando a gente olha o site da Prefeitura diz lá que as obras do projeto Nova Luz seriam entregues em abril do ano passado, 2011. Qual vai ser o novo prazo agora?

Eu acho que em dois anos, por aí. É o que eu calculo assumindo. De agora a dois anos. Porque não é só fazer o leilão das áreas e isso e aquilo. Mas é também ter a construção e as melhoras. O importante também é que não vai custar muito para o governo. Ela vai se pagar com a própria valorização. Coisa que acontece aqui do lado, Avenida Roberto Marinho, Operação Águas Espraiadas. Custa R$ 4 bilhões, 3 [bilhões] já vêm dos empresários que vão pagar pela urbanização. Ou seja, a urbanização paga-se a si própria. E está se fazendo inclusive um monotrilho, que também pegou dinheiro dessa operação urbana. E a gente vai fazer mais disso na cidade. Por exemplo entre o Ipiranga e a Mooca, uma operação urbana que vai se pagar a si própria e que vai levar mais moradia e mais atividade econômica para a região. A mesma coisa o Piritubão, que vai sediar, eu espero, a exposição mundial de 2020. No Piritubão você vai ter capital privado, vai ter valorização, vai ter emprego. Com isso você gera uma dinâmica que São Paulo é capaz de fazer, de que o progresso paga o progresso.

Candidato, a Cohab levou sete anos para construir, eu estava vendo, 17.700 casas. E o senhor está prometendo fazer 24 mil moradias populares em quatro anos. Como é que isso vai ser possível?

Perfeitamente. Porque nós demos ênfase, e eu comecei isso, à transformação de favelas em bairros. Nunca se fez tanto em São Paulo. Duzentas mil famílias foram beneficiadas. Eu posso pegar aí, fácil fácil, mais de 60 mil moradias foram beneficiadas. Porque moradia não é só a casa. É o asfalto, é o esgoto, é o saneamento. Por exemplo, Heliópolis, que era a maior favela de São Paulo, tinha 5% de esgoto, tinha 5% de água limpa. Hoje tem mais de 90. Hoje tem uma escola técnica lá dentro. Hoje tem escolas, tem creches, tem um ambulatório médico de especialidades, um centro para adolescência. O grosso do esforço foi para transformar a favela em bairro. Foram mais de 70 favelas. Houve muita melhora, inclusive na área de mananciais. E isso não é necessariamente é construir uma casa. Isso é dar melhor condição para que o lugar vire um bairro. E só para te dar um número, mais de 70 favelas viraram bairro nesse período. O que eu vou fazer, nos próximos anos, serão mais 200 favelas que virarão bairro. Porque isso já está adiantado. Fica mais fácil fazer. E tem dinheiro do governo do estado, porque nós trabalhamos junto com o estado, e da prefeitura. Como eu fiz quando era governador, botando recursos nessa área.

Se o senhor for eleito, o senhor vai pedir para o governo federal recursos do programa Minha Casa Minha Vida?

Eu quando era governador ofereci, o governo federal não conseguiu usar. A prefeitura que ofereceu, o governo federal não conseguiu usar. O Minha Casa Minha Vida não consegue fazer casas populares de até 50 metros quadrados. Eles não conseguem. Porque onde o terreno é valorizado, não alcança. Na verdade, é a prefeitura e o estado que sempre foram atrás do Minha Casa Minha Vida. É o contrário do que alguns candidatos dizem. Mas é óbvio. Nós ajudamos a fazer o Minha Casa Minha Vida quando era governador, a concepção e tudo. Acontece que o terreno na capital tem um valor maior, e o Minha Casa Minha Vida não é suficiente. Basta você perguntar para os empresários, isso todo mundo sabe, exceto na política quando é usado no sentido oposto ao da realidade.

Candidato, o senhor só tem mais 18 segundos, nem dá para fazer mais alguma pergunta. Queria que o senhor só terminasse a entrevista.

Nós não tivemos a oportunidade de falar, mas eu quero dizer o seguinte. Eu vou fazer o maior esforço, com toda a minha experiência, para melhorar a saúde em São Paulo. Cabeça no lugar, pé no chão. Ideias firmes e capacidade de executar. Nós vamos melhorar a saúde na cidade.

21/08/2012

Candidato, as pesquisas apontam o senhor como candidato que tem a maior rejeição dos eleitores. A que o senhor atribui esse sentimento?

Eu sou o mais conhecido. Teve eleição presidencial em 2010. O pessoal que em geral prefere o PT ou que votaram na outra candidata tem uma manifestação mais imediata, digamos. É claro que se você olhar do outro ângulo, 62%, 63% não rejeitam e aceitam votar, o que também é uma porcentagem mais alta ainda. Isso é normal para quando você está muito tempo na política.

Essa rejeição não é consequência do fato de o senhor ter abandonado a Prefeitura de São Paulo em 2006 para disputar o cargo de governador do estado?

Não creio, porque em 2006, quando eu saí da prefeitura, eu fui eleito na capital para governador com votação maior da que eu tive para prefeito, ou seja, naquela época, a população aprovou essa mudança, até porque ela veio beneficiar muito São Paulo, porque o governo do estado faz muitas coisas na cidade: tem segurança, transporte de trilhos, saneamento, metade da educação, metade da saúde, ensino técnico. Só no ensino técnico nós criamos 40 mil vagas novas na cidade. É uma coisa feita pelo governo estadual. Eu fui aprovado pelo voto. Tanto que fui o primeiro governador que ganhou no primeiro turno.

Candidato, na sua gestão como prefeito, o senhor criou as AMAs para reduzir a demora, para reduzir a espera, na marcação de consultas e cirurgias. Mas a demora no atendimento médico continua. Por quê?

Porque a saúde é uma batalha permanente. O que você pode fazer é melhorar. Eu dizia isso sempre quando fui ministro. Você pode melhorar as coisas, você nunca vai resolver. O importante é que hoje seja melhor do que ontem e amanhã seja melhor do que hoje. As AMAs, que hoje são 140, não existiam em São Paulo. Elas atendem 10,5 milhões de pessoas por ano. Você imagina se elas não existissem. Teve problema, como por exemplo, distribuição de remédios que nós praticamente resolvemos. Na lista das reclamações, hoje está lá embaixo, melhorou muito a distribuição de medicamentos. Tem áreas que você avança e tem áreas que é difícil você eliminar o atraso. O que que tem de fazer na saúde agora? Fazer funcionar melhor. Você tem 5 mil médicos a mais, você tem 900 unidades de saúde a mais, você tem que aprimorar esse funcionamento e integrar mais a saúde do governo do estado com a saúde da Prefeitura. E pegar as AMAs, 30 delas, transformar em AMAs 24 horas. Com isso você vai aprimorando e vai dando a batalha para que amanhã seja melhor do que hoje e hoje melhor do que ontem.

Candidato, o prefeito Gilberto Kassab deu dinheiro para o Metrô e não construiu nenhum novo corredor de ônibus. Se eleito prefeito, qual vai ser a sua prioridade. Ajudar o Metrô, ou construir corredor?

As duas coisas. Na verdade, o Kassab fez sim um corredor que foi o Expresso Tiradentes, que é considerado o melhor de São Paulo hoje

Mas muito pequenininho, menos de 7 km.

Não, não. É um pouco mais. Sai do Parque Dom Pedro e vai até a Vila Prudente. É considerado hoje o melhor. E isso continua agora até a Cidade Tiradentes. E a Prefeitura deu dinheiro para isso. Não sei, 40 km ou 35 km de corredor agora com monotrilho na outra parte, que é uma forma de metrô. Mas nós vamos fazer corredores de ônibus, por exemplo, na Radial Leste de São Paulo, junto com o monotrilho. O monotrilho que vai do Jabaquara até o Morumbi, que vai depois até o Jardim Ângela, o monotrilho que vai até a Cidade Tiradentes e em outros lugares da cidade. Os passageiros de metrô, Tramontina, nos últimos anos, duplicaram. Tinha 3,5 milhões e agora tem sete, graças à ampliação que nós fizemos. Mas ainda é pouco, tem que fazer muito mais.

Queria fazer uma pergunta para o senhor sobre creches, porque o número de vagas nas creches subiu bastante nos últimos anos. Mas ainda existem 145 mil crianças na fila esperando por uma vaga em creches. A sensação que o cidadão tem é de que essa fila não termina nunca.

É porque a demanda cresceu na frente da oferta. Você triplicou o número de vagas em creches, e a demanda, a procura, as inscrições aumentaram ainda mais. O que nós vamos fazer. Creches nas estações de metrô. Eu já fiz pesquisas.

O senhor já sabe quantas estações e quantas vagas?

Quarenta e tantas estações têm espaço. Vamos fazer em parceria com o governo do Estado. Com isso, para as mães, vai ser uma mão na roda. Porque elas já, indo para o trabalho, podem deixar a criança, seu filho já na creche junto da estação.

O senhor tem 20 segundos para o fecho da sua colocação...

Bem. Nesta semana São Paulo lembra o deficiente físico, as pessoas com deficiência. Eu fiz bastante nessa área. Mas é preciso fazer muito mais. Criamos a Secretaria do Deficiente, fizemos a Rede Lucy Montoro. Agora tem muito pra fazer, e nós estamos muito dispostos a isso.











FONTE:http://g1.globo.com/politica/eleicoes-2012/entrevistas-serra-haddad/platb/


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