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A Virada Cultural + Violência: Jovem morto, arrastões, A Virada Cultural deste ano encerrou com dois mortos (um deles baleado e outro supostamente por overdose), 28 pessoas detidas, sendo 17 delas em flagrante, e nove adolescentes apreendidos, além de outras três pessoas baleadas e seis esfaqueadas



Essas informações fazem parte do balanço preliminar divulgado pela Prefeitura de São Paulo e a Polícia Militar do Estado no final da tarde deste domingo (18).
"O horário crítico foi das 2h30 às 5h", disse o prefeito Fernando Haddad (PT). Para ele, a questão mais preocupante foi a segurança. "Houve mais ocorrências do que se esperava. Mas [pode ser considerado] normal por trazer 4 milhões de pessoas para um bairro."
"A percepção das pessoas que acompanharam da central de monitoramento é a de que houve mais ocorrências do que se esperava, mas que houve também intensa mobilização dos contingentes que estavam de prontidão no sentido de pensar o socorro e a atenção devida." Durante a Virada, 260 pessoas foram removidas para atendimento pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura.
Segundo a Folha apurou, representantes da organização do evento disseram ter recebido, ao longo da madrugada, relatos de uma suposta inércia de policiais militares diante de atos de violência.
"Temos que avaliar os relatos que chegaram sobre possíveis omissões. Todo o contingente estava de prontidão, atuando e fazendo seu trabalho conforme previsto ao longo da madrugada", afirmou Haddad.
Para o coronel da Polícia Militar Reynaldo Simões Rossi, comandante do policiamento da região central durante o evento e que participou do anúncio do balanço, é preciso tomar cuidado com a avaliação do trabalho policial.
"Não digo em sutileza nem em leniência [da parte da polícia]. As ações foram na justa medida num contexto como esse. A sensação de ser vítima não é confortável para ninguém, mas gostaria de perceber o universo de vítimas dentro do universo de pessoas", afirmou Rossi.
Em nota, a Polícia Militar de São Paulo informou que "ampliou o efetivo [neste ano] em relação ao ano passado", de 3.100 em 2012 para 3.424 neste ano, e que 37 pessoas foram detidas sob a suspeita de crimes diversos, como roubos, vandalismo e tráfico de drogas.
"Fizemos um levantamento preliminar no que diz respeito a ocorrências policiais. Se são de natureza patrimonial ou se são ligadas ao comportamento, ao consumo excessivo de álcool, àquele sentimento de liberalidade que as pessoas têm quando tomam as ruas", disse Rossi. Ainda não há prazo para a divulgação de um balanço final das ocorrências no evento.

JOVEM MORTO

O pai do jovem Elias Martins Morais Neto, 19, que morreu neste domingo após levar um tiro durante a Virada Cultural, reclamou do policiamento responsável pelo evento. Com um olhar triste e desolado, ele ainda tentava entender o que tinha acontecido com o filho.
"Como pode um menino vir para uma festa desse porte e ser baleado? Não tinha ninguém para revistar as pessoas e ver quem estava armado?", disse Aurelino Santana, 49, enquanto aguardava a polícia finalizar o boletim de ocorrência no 3º DP (Campos Elíseos).
Segundo o coronel da PM Reynaldo Rossi, "as características da Virada nos


impedem, pela própria natureza do evento, de elevar as condições de vistoria [do público] como acontece num campo de futebol".
"No decorrer da noite, vimos que alguns grupos, indivíduos se valendo da natureza do evento e do número de pessoas nas ruas perpetraram crimes patrimoniais simulando brigas ou de forma sutil. Eu não reputaria como arrastão, a gente tem que ter em conta um aspecto importante", afirmou Rossi.
Para ele, "não podemos dizer que a situação desse ano transcende ou ultrapassou as circunstâncias de eventos anteriores." A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana registraram quatro mortos nas últimas oito edições da Virada Cultural de São Paulo, criada em 2005.
Os dois primeiros anos do evento não apresentaram ocorrências policiais graves. Já em 2007, um tumulto entre a Polícia Militar e fãs do grupo Racionais MC's deixou ao menos cinco pessoas feridas na praça da Sé. No mesmo ano, dois carros foram depredados.
As edições de 2008 e 2009 também não registraram casos graves de violência. Em 2010, a PM confirmou a primeira morte da história da Virada Cultural. Um jovem de 17 anos levou uma facada durante uma briga na avenida São João e morreu na Santa Casa de Misericórdia. A edição contou com 4.300 policiais militares e guardas civis.
Já em 2011, ano em que o evento teve o mesmo efetivo de segurança do ano anterior, foram registradas duas mortes por suspeita de suicídio --ambas no viaduto Santa Ifigênia. Também houve uma briga entre punks e skinheads na praça Júlio Prestes, deixando um ferido.
Na edição do ano passado, que contou com 4.200 PMs e GCMs, uma garota de 17 anos morreu supostamente por overdose de cocaína. Um policial federal também foi baleado após reagir a uma abordagem policial.

ARRASTÕES

Policiais militares ouvidos pela Folha disseram que foram registrados inúmeros casos de arrastões durante a madrugada. A reportagem flagrou pelo menos onze deles: nas avenidas São João, Ipiranga, Rio Branco e Duque de Caxias, dois na praça da República e outro no viaduto Jaceguai --onde, por volta das 2h30 da madrugada, dezenas de assaltantes desceram a partir da avenida São Luís.
A reportagem esteve entre as 2h e 3h no 3º DP (Campos Elíseos) e constatou pelo menos 15 casos de vítimas.
Em todos os casos, a descrição dos crimes é a mesma. Grupos de aproximadamente 50 pessoas passavam abordando os frequentadores da festa e, após agressões, arrancavam à força celulares, carteiras, bonés e blusas.
"Arrancaram meu boné, meu tênis e minha carteira. Me chutaram quando estava caído. Levei um chute no rosto", disse o estudante C., 16, enquanto


era atendido na delegacia.
O ajudante de serralheiro Jeferson Silva, 19, foi agredido antes de ter o celular e o boné roubados. "Eles chegam gritando 'olha o bonde' e roubam tudo", disse Silva, roubado quando saía de um dos palcos em direção ao metrô, acompanhado de três amigos. Todos foram roubados.
"Chegavam, arrastavam a gente mesmo, juntavam e e arrancavam tudo, corrente, tênis, carteira", disse o conferente Fabio Viana, 24. "A gente vem para se divertir e acaba sem nada".
Na maioria dos casos, os policiais de plantão nas delegacias orientam a fazer o registro da ocorrência pela internet, pois os crimes são considerados furtos. Porém houve casos de pessoas que foram rendidas por pessoas armadas.
"Pior é que está cheio de PMs nas ruas. É muita gente, impossível evitar", disse um PM à Folha.


PONTO DE VISTA: Gasta se dinheiro promovendo eventos desse tipo, é válido, quando as coisas funcionam, mas infelizmente tem uma minoria inconsequente que não pensam dessa maneira. A população de bem que tem desejo de cultura,  fica refém das leis que não pune os infratores soltos, que desrespeitam  o povo e praticam a violência. Viva o código penal Brasileiro.  

canadauencetv.blogspot.com.br

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