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Entrevista do diretor do CPCA, um dos principais centros de tecnologia da GM no mundo

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• Para Luciano A. Santos, diretor do CPCA, apesar do avanço da informática no desenvolvimento de um novo carro, experimentos práticos ainda são indispensáveis.

Um dos principais centros de tecnologia da GM no mundo, o Campo de Provas da Cruz Alta acaba de completar 40 anos e atualmente reparte com supercomputadores a tarefa de desenvolver e validar carros Chevrolet com elevado grau de confiabilidade e segurança. Para Luciano A. Santos, diretor do CPCA, apesar do avanço da informática, experimentos práticos ainda são indispensáveis neste processo. Confira os principais trechos da entrevista:
Inaugurado em 1974, o Campo de Provas da Cruz Alta passou por diversos processos de expansão e modernização. Se houvesse um ranking, em qual lugar ele estaria no mundo?
- O CPCA é o maior do gênero no hemisfério Sul e o segundo mais completo dentro da GM no mundo, atrás apenas do campo de provas de Milford, em Michigan, nos Estados Unidos.
É possível desenvolver um carro de padrão global com os laboratórios e as pistas de teste que a GM possui em Indaiatuba?
- O CPCA tem praticamente todas as facilidades necessárias para o desenvolvimento de um produto mundial, com exceção de alguns laboratórios que, devido a seu elevado custo, são estrategicamente únicos e de uso compartilhado entre todas as filiais da GM. Entre eles o túnel de vento e o laboratório de interferência eletromagnética para veículos em escala real. 
O nível de exigência dos testes para carros nacionais é inferior ao para países desenvolvidos?
- A GM desenvolve seus produtos com base em procedimentos globais de qualidade. Mas, como cada país tem legislação e condições de tráfego bastante específicas, os testes precisam logicamente contemplar isso. No Brasil, por exemplo, os veículos precisam ter um sistema de suspensão adequado para aguentar muitos buracos, valetas, lombadas. 
Existe alguma pista ou laboratório exclusivo do campo de provas brasileiro?
- Temos algumas pistas peculiares, como as de durabilidade, copiadas dos perfis das ruas e estradas brasileiras. Mas como o CPCA executa serviços de engenharia para produtos que serão comercializados globalmente também, é preciso ter os mais variados tipos de circuitos. Outro importante diferencial da Cruz Alta são as atividades agrícolas, cuja renda ajuda na manutenção das instalações e no custeio de projetos ambientais do próprio campo de provas.
Em um momento em que quase a totalidade das avaliações de um veículo podem ser simuladas em computadores, qual a necessidade de um campo de provas?
- As simulações aceleraram e aperfeiçoaram o desenvolvimento de um automóvel, e com economia de recursos. No entanto, existem ainda muitos processos aonde a integração entre o homem e o automóvel são necessárias para calibrações e refinos.
Quais tipos de avalições não tem tanta eficácia ainda se realizadas apenas virtualmente? 
- Principalmente as avaliações de componentes passíveis de tunning, como amortecedores, molas e coxins.
Em quanto um campo de provas como o da Cruz Alta pode acelerar o processo de gestação de um novo veículo?
- O campo de provas por si só não acelera o desenvolvimento do veículo. Mas conseguimos em seis meses de testes alcançar um grau de desgaste do automóvel que um consumidor normal levaria aproximadamente 10 anos.
Em sua opinião, porque a grande maioria das montadoras instaladas no país nunca investiram em um centro tecnológico como o CPCA?
- O Campo de Provas da Cruz Alta é o mais completo dentro dos poucos que existem no Brasil. Podemos afirmar que a General Motors como corporação sempre foi líder em testes veiculares, apoia o desenvolvimento regional e acredita na capacidade dos engenheiros brasileiros. Os outros fabricantes devem ter suas razões e considerações para não investirem em um centro local, mas nós não as conhecemos.
Até produtos desenvolvidos em outras unidades da GM, como o Cruze, passam pelo CPCA em sua fase de pré-lançamento?
- Todos os produtos globais acabam de certa forma passando pelo campo de prova da Cruz Alta. Isso também depende de questões estratégicas, entre elas a distribuição da carga de trabalho entre os centros tecnológicos da empresa pelo mundo.
O que é feito com o veículo depois que ele completa seu ciclo de testes no CPCA?
Mantemos aproximadamente 200 veículos de teste, incluindo protótipos e modelos da concorrência, para comparações. Todos, porém, não voltam às ruas. São desmontados para análise minuciosa e seguem depois para desmanche.

• Estrutura do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP) é uma das mais completas do mundo para o desenvolvimento de veículos
• GM realiza cerca de 16 mil testes por ano no complexo que, desde a inauguração, em 1974, recebeu mais de US$ 120 milhões em investimentos
• Local possui uma área de preservação ambiental, mais de 500 mil árvores de reflorestamento e plantações de noz macadâmia e de milho

Com acesso restrito a visitas, o Campo de Provas da General Motors em Indaiatuba (SP) é um local que desperta a curiosidade das pessoas, pois é lá que a empresa desenvolve os veículos Chevrolet no Brasil, incluindo os futuros projetos.
Para que não sejam revelados antes da data de lançamento ao mercado, os protótipos circulam mesmo internamente camuflados.
Por ano, o Campo de Provas da Cruz Alta (CPCA) realiza cerca de 16 mil testes, entre os laboratoriais e os de rodagem. Suas instalações são uma das mais completas do mundo.
Entre as principais estruturas, destacam-se o laboratório de eletroeletrônica, o de segurança veicular e o de emissões. Há também o laboratório de desenvolvimento de sistemas de refrigeração e o de vibrações e ruídos.
Muitas das atividades desenvolvidas pelos engenheiros da GM no CPCA são bastante específicas. Há, por exemplo, um comitê responsável por “afinar” o som dos motores Chevrolet ao gosto dos consumidores da marca.
40 anos de evolução
O campo de provas conta ainda com 16 tipos de pistas de testes, uma para cada finalidade, como a Pista de Tortura, usada para medir a integridade estrutural do veículo. Nesse percurso, o motorista não consegue transitar acima de 20 km/h, pois o pavimento é cheio de “tartarugas” quadradas e irregulares, além de valetas dispostas em ângulos diferentes.
Nestas quatro décadas de existência do CPCA, mais de US$ 120 milhões foram investidos na modernização e na ampliação do centro, que, no início, tinha apenas a estrada de terra da propriedade e uma garagem, que servia de escritório aos técnicos.
Naquela época, as tecnologias disponíveis também era outras. Os crash tests, por exemplo, precisavam de dois veículos, sendo um apenas para “puxar” o carro que bateria contra a barreira fixa.
Hoje, é possível realizar os mais variados experimentos virtualmente (por meio de supercomputadores) e certifica-los fisicamente depois, com teste realizados em condições absolutamente controladas.
Uma das últimas grandes obras do CPCA foi a construção do “Black Lake”. Esse nome deve-se ao fato de ele parecer um grande lago negro de asfaltado – são 120 mil m² de área, essencial à validação de sistemas eletrônicos de estabilidade, por exemplo.
Localizado a 110 quilômetros de São Paulo, o complexo é o maior do gênero em todo o hemisfério Sul.
Sustentabilidade
Desde a compra do terreno em 1972, a GM procura preservar as características do local ocupada hoje pelo Campo de Provas de Cruz Alta, no interior do Estado de São Paulo.
Estão lá, intactos, os velhos casarões da antiga fazenda habitados durante décadas pela família Waldemarin, ex-proprietária das terras. Pistas, laboratórios, escritórios e oficinas foram erguidos de maneira a não romper o equilíbrio natural, preservando a fauna e a flora locais. Para evitar acidentes com os animais nativos, foram construídas cercas ao longo das pistas.
A água potável é proveniente de poços artesianos que garantem a autonomia do CPCA. Já uma estação de tratamento de afluentes permite que o esgoto seja 100% tratado.
A preocupação da GM com a sustentabilidade pode ser comprovada ainda pela imensa área verde: são mais de 500 mil árvores fruto de reflorestamento e mais uma reserva de mata atlântica intocada.
No local, também há atividades agrícolas, como a produção da noz macadâmia e do milho, em substituição ao café que era plantado no local no passado.

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