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Conheça o sequestro de Abílio Diniz, o empresário torturado por guerrilheiros comunistas

 

A década de 80 foi uma das melhores épocas dos negócios de Abílio. O Pão de Açúcar estava em grande expansão pela capital São Paulo e pelo país. Contudo, também era o período de desenvolvimento das guerrilhas latino-americanas e da expansão da prática de sequestros no Brasil, que aconteciam com frequência nas décadas de 80 e 90.

O empresário se recusava a andar com seguranças profissionais, pois acreditava que conseguiria se defender sozinho da violência que assolava o país, até que aconteceu a tragédia: o sequestro de Abílio Diniz por guerrilheiros comunistas.

As investigações do sequestro de Abílio ainda tiveram uma reviravolta nacional: a descoberta de provas que possivelmente incriminavam o Partido dos Trabalhadores (PT).

  • Este artigo foi baseado no programa Investigação Paralela, série de investigações criminais exclusiva da Brasil Paralelo:
  • Como foi o sequestro de Abílio Diniz?

    O carro de Abílio foi cercado por guerrilheiros profissionais perto de sua casa. Ele tentou resistir, mas os criminosos estavam em grande número e conseguiram rendê-lo, levando-o para uma estrutura profissional de tortura e isolamento.

    A ação começou em uma manhã de 11 de dezembro de 1989, uma segunda-feira. Abílio dos Santos Diniz começava mais uma semana de trabalho. Apesar da fortuna e dos luxos de que Abílio desfrutava, o empresário não se utilizava de motorista particular.   

    A poucos metros de sua casa, uma Chevrolet Caravan disfarçada de ambulância bloqueia o seu caminho na esquina das ruas Sabugi com Seridó, no bairro Jardim Europa, na capital paulista.

  • Carro disfarçado de ambulância, utilizado pelos guerrilheiros.

    Estranhando a situação, Abílio sacou seu revólver e abriu parcialmente a porta, mirando contra a ambulância. Foi quando sentiu um baque. Seu carro foi atingido atrás por um Opala, dirigido por uma jovem. 

    No instante seguinte, um homem vestido de policial atingiu Abílio na cabeça com uma coronhada de revólver. Do outro lado do carro, outro homem abriu a porta e arrancou a arma que o empresário segurava.

    Apesar da resistência, o empresário foi carregado para dentro da falsa ambulância, onde suas mãos e pés foram amarrados com arame, e um capuz foi colocado em sua cabeça.

    Não houve comunicação alguma entre os sequestradores e Abílio durante todo o trajeto. Depois de um tempo cruzando a cidade, o empresário foi transportado para outro carro de quatro portas, onde ficou acomodado sobre o colo de três homens que sentavam no banco de trás.

    Novamente trocaram de veículo, dessa vez uma Kombi, que levou todos até o destino final.

    Chegando no local do cativeiro, uma casa localizada na Praça Hashiro Miyazaki, no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo, Abílio foi levado para o subsolo. Tiraram sua roupa e lhe deram uma calça de abrigo para vestir. 

    Quando retiraram seu capuz, o empresário estava em um cubículo recém-construído. Dentro havia um colchonete, um vaso sanitário, uma porta, um alto falante e um tubo por onde circulava o ar.

    Pouco tempo depois, Abílio recebeu um papel contendo instruções e regras dos sequestradores. Segundo as normas, ele deveria ficar de frente para a parede sempre que alguém batesse na porta, e toda comunicação entre ele e os sequestradores deveria ser feita por bilhetes. 

    Deixaram claro para o empresário que ele não tentasse resistir, já que tinham o controle da situação. Abílio respondeu:

    “Não vou criar problemas. Vocês venceram e sei quando estou derrotado. Vamos procurar atingir os objetivos pelo caminho mais rápido, no interesse de vocês e no meu”.

    Através da troca de bilhetes, Abílio indicava os melhores caminhos para iniciar as negociações com a sua família. Os sequestradores questionaram o quanto o empresário achava que valia a sua vida. 

    Abílio tinha conhecimento técnico de mercado e argumentava sobre seu patrimônio, disponibilidade de caixa e a cotação do dólar. Após alguns dias com a vítima em suas mãos, os sequestradores pediram de resgate a quantia de 30 milhões de dólares.

    A luz do cubículo ficava ligada o tempo todo, impossibilitando a vítima de saber se era dia ou noite. 

    Além da tensão e do temor natural de uma situação como essa, os sequestradores ainda colocavam coletâneas de músicas sertanejas 24h por dia através do alto falante instalado no cubículo. Abílio conta que não conseguia nem ouvir os próprios pensamentos e que a música parecia sair de dentro de sua cabeça.

    Depois de muitos pedidos, os sequestradores baixaram o volume da música, o que permitiu ao empresário ouvir ruídos diferentes.

    Tempo de duração do sequestro de Abílio Diniz

    O sequestro de Abílio durou 5 dias. No quinto dia, ainda em cativeiro, Abílio ouviu gritos e notou uma agitação anormal no andar de cima. Nesse momento, os sequestradores bateram na porta, sinalizando que o empresário deveria se virar contra a parede. 

    Foi então que Abílio foi puxado para fora do subsolo, levado até a janela e ordenado que comunicasse para a polícia que quem estava ali era realmente ele. Nas poucas vezes que esteve fora de seu cubículo, Abílio pôde observar o arsenal de armas que os sequestradores portavam.

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    Como a polícia identificou os criminosos

    Alguns dias antes do sequestro, o carro Caravan, usado pelos sequestradores, teve um problema no câmbio e foi levado para o conserto. No cadastro da oficina, foi registrado o número de telefone de um apartamento que alguns dos envolvidos haviam alugado para preparar o sequestro.

    Quando a polícia localizou o veículo abandonado, foi encontrado dentro do carro um cartão dessa oficina. Através do telefone registrado, os policiais localizaram um prédio residencial. Chegando lá, encontraram o dono do apartamento entregando as chaves para o porteiro.

    Em um dos bolsos do homem abordado, encontrou-se um papel com um endereço, o que levou os policiais até o cativeiro de Abílio. A casa número 59, na Praça Hashiro Miyazaki no bairro do Jabaquara, na zona sul de São Paulo

    No domingo, 17 de dezembro, depois de 36 horas do cerco do cativeiro por policiais e pela imprensa, os sequestradores decidiram que iriam se entregar e libertar Abílio Diniz. O fim da novela foi exibido ao vivo pela TV.


  • Momento da libertação de Abílio.

    A identidade dos sequestradores: guerrilheiros comunistas

    Todos os envolvidos no sequestro foram presos em flagrante. Para a surpresa dos policiais que libertaram o cativeiro, apenas um dos sequestradores era brasileiro.

    As diferentes nacionalidades do grupo e suas ligações com movimentos guerrilheiros latino-americanos davam novas tonalidades às investigações. Entre os 10 sequestradores, contam-se 5 chilenos, 2 argentinos, 2 canadenses e 1 brasileiro.

    Chefiados pelo argentino Humberto Paz e seu irmão Horácio, os sequestradores tinham ligações com pelo menos 12 grupos terroristas diferentes da América Latina.

    Humberto e Horácio já haviam praticado atos terroristas em nome de grupos como o Exército Popular Argentino (ERP), as Forças Populares de Libertação de El Salvador (FPL), Sendero Luminoso do Peru, e o braço chileno do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).

    Os cinco chilenos eram Ulisses Gallardo Acevedo, Pedro Lembach, Héctor Ramón Tapia, Sérgio Olivares e Maria Marchi Badilla, a jovem acusada de dirigir o Opala que bateu na traseira do carro de Abílio durante o sequestro.

    Todos entraram no Brasil com o status de exilados políticos, concedido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

    • Entenda mais: os exilados conseguiram acesso ao Brasil no contexto político do fim da ditadura militar, iniciada em 1964 e encerrada em 1985. Entenda a brusca mudança social do Brasil através do artigo sobre a ditadura brasileira.

    Um dossiê elaborado pela Interpol revelou que os dois canadenses haviam sido redatores do jornal "El Rebelde", de El Salvador, e que ambos eram membros de guerrilhas terroristas de esquerda naquele país.

    Inicialmente, Lamont e Spencer negaram qualquer participação. Entretanto, foram desmentidos quando documentos que provavam o envolvimento de ambos no sequestro se revelaram.

    Os documentos com seus nomes e dados foram revelados através de uma explosão ocorrida na base da guerrilha, na cidade de El Salvador.

    A descoberta dos documentos é o “elo perdido” que faltava para a Interpol ligar os dez sequestradores do empresário Abílio Diniz ao movimento mundial de arrecadação de fundos para grupos políticos.

    Analisando o caso, o delegado Romeu Tuma Jr, que elaborou o dossiê do sequestro de Abílio para a Interpol, afirmou:

    “Os sequestradores de Diniz passaram por Cuba, Nicarágua e El Salvador, onde tiveram treinamentos de guerrilha. [...] Não tenho dúvida de que essa conexão é mundial e se alastra até a Europa”.

    No inquérito, consta o depoimento do sequestrador chileno, Pedro Lambach, em que ele relata ao delegado da polícia civil de São Paulo um encontro entre grupos de esquerda de todo o mundo ocorrido em Hamburgo, na Alemanha, em 1988.

    No encontro, 150 participantes decidiram pela prática de sequestros na América Latina para arrecadar fundos.

    O dossiê elaborado pela Interpol e pela Polícia Federal revela que também em 1988 teria havido outra reunião em Buenos Aires, na Argentina, com a presença de um oficial do Partido Comunista Cubano.

    Guerrilheiros brasileiros da década de 80.

    Na reunião foi deliberado que os movimentos políticos deveriam arrecadar fundos através de sequestros de empresários.

    Esses mesmos grupos participaram de outros três sequestros no Brasil, envolvendo as vítimas Antônio Beltran Martinez, ex-vice-presidente do Bradesco, e os publicitários Luiz Sales, Geraldo Alonso e Washington Olivetto.

    Além dos 9 estrangeiros, um brasileiro também participou do sequestro. 

    Raimundo Rosélio Freire, o sequestrador brasileiro, começou a militância cedo em sua vida. Em uma entrevista, confessou que aos 16 foi integrado em uma organização trotskista no Ceará, chamada Convergência Socialista. O grupo era ligado à Quarta Internacional Comunista.

    Dando continuidade à sua militância, Rosélio se torna professor de história e fundador da filial do PT no Ceará. Anos mais tarde, decidiu viajar a Nicarágua para fazer parte da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FFMNL). Em entrevista, Raimundo revelou como foi parar na luta armada:

    “ISTOÉ: Como aconteceu a ligação com as organizações internacionais?
    Raimundo Rosélio Freire:
    “Eu achava que podia ser útil como militante internacionalista na América Central, uma vez que a democracia começava no Brasil. Aí, eu vendi o meu carro, os amigos fizeram uma cota e eu comprei a passagem até a Nicarágua. 
    Deixei a companheira, a faculdade de história, o meu trabalho como chefe de recepção de um hotel quatro estrelas, o apartamento classe média e fui embora. Na Nicarágua, não era só discurso. Lá tivemos uma guerra. Me integrei às atividades armadas. Hoje, ainda pago um preço emocional e pessoal por esse sofrimento de guerra”.
    ISTOÉ: O senhor se arrepende?
    Raimundo Rosélio Freire:
    Eu acho que eu não poderia me furtar. Estava envolvido em meus princípios, em minha ideologia e na minha luta. Eu não renego a luta armada”.

    Freire disse também que o MIR chileno escolheu o Brasil para fazer o sequestro porque o SNI (Serviço Nacional de Informação) passava por um momento de desmanche em sua estrutura, o que dificultaria a localização do grupo no país.

    O sequestro do empresário ocorreu no intervalo entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 1989. Os candidatos em disputa eram Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello.

    Envolvimento do PT?

    No cativeiro, uma descoberta dava ainda mais uma nova face para o que parecia ser um simples sequestro de um empresário famoso: Além de armas e munição, foi encontrado material de campanha do Partido dos Trabalhadores e de Lula, como adesivos, camisetas e bandeiras.

    Foto do esconderijo dos guerrilheiros.

    Em outro imóvel usado pelos criminosos, a polícia informou que teria encontrado mais materiais de campanha de Lula, além de uma agenda com telefones de dois líderes petistas, a saber, o vice-prefeito paulistano Luiz Eduardo Greenhalgh e o vereador e presidente da Câmara Municipal, Eduardo Suplicy.

    As descobertas geraram 2 teorias:

    • envolvimento do PT no sequestro;
    • armação da mídia e da polícia contra o PT.

    Teoria do envolvimento do PT no sequestro

    O Partido dos Trabalhadores se tornou um imediato suspeito no caso. Apesar do material encontrado, os policiais não conseguiram fazer nenhuma ligação direta dos sequestradores com qualquer membro do partido. 

    Tendo em seu quadro uma série de ex-guerrilheiros comunistas, o PT é membro fundador do Foro de São Paulo, idealizado por Lula e Fidel Castro em um encontro em Havana. Em seminários e encontros discretos, os membros deliberaram sobre as ações do movimento revolucionário em todo continente.  

    O dossiê do Foro de São Paulo, descoberto pela Interpol e pela Polícia Federal, revelou que os movimentos políticos deveriam arrecadar fundos através de sequestros de empresários. O documento foi elaborado um ano antes do sequestro, com a presença de um oficial do Partido Comunista Cubano, numa reunião em Buenos Aires.

    Segundo as investigações, o dinheiro dos sequestros de Washington Olivetto, Luiz Sales, Geraldo Alonso e Abílio Diniz iria para organizações como as FARC e o MIR chileno, dos quais os membros já participaram de reuniões do Foro de São Paulo. 

    A quantidade de organizações envolvidas com o sequestro, suas diferentes nacionalidades e a logística envolvida dão indícios de um grande esquema por trás. 

    Teriam seus membros conhecimento de que seus companheiros de luta praticavam sequestros em troca de dinheiro para financiar os próprios partidos de esquerda? Sabendo das práticas e das intenções dos sequestradores, teria o PT beneficiado do sequestro indiretamente?

    Outra perspectiva dentro dessa teoria é de que mesmo não tendo envolvimento com o sequestro, o PT pode ter se favorecido dele indiretamente, uma vez que Abílio se tornou um dos principais aliados e se integrou ao esquema petista que dominou a máquina estatal por mais de uma década.

    Abílio Diniz torna-se amigo do PT

    Em 2003, Diniz tornou-se membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.  Esse grupo assessora diretamente o presidente em diversas áreas. O CDES é um órgão de “proteção” dos interesses do governo, um  instrumento político partidário para ajudar na fusão de empresas, regular setores da economia e eliminar a concorrência.

    Abílio foi sondado diversas vezes para assumir o Ministério da Fazenda e era um dos nomes fortes para a pasta se Haddad tivesse vencido a eleição de 2018.  Sua relação com o PT e com Lula sempre foi a melhor possível. Numa entrevista em 2010, ele se declarou “fã de carteirinha” do então presidente da república.

    Lula, Abilio Diniz e José Serra no jantar de comemoração do aniversário de 60 anos do Pão de Açúcar.

    Sabendo das ligações do partido com as ações terroristas praticadas na América Latina, Abílio pode ter se tornado um petista, pois sabia que no seio do partido não sofreria com essa ala terrorista da esquerda. 

    Além disso, obteria vantagens de mercado com a ajuda dos companheiros no governo. Integrando o quadro de empresários amigos do partido, Diniz passou a comprar outras redes de supermercados, para fundir empresas e ter controle de tudo e, assim, eliminar a concorrência e os pequenos empreendedores.

    Mas tudo tem um preço: ser companheiro do partido também implica em participar do esquema de roubo e da corrupção que se instalou no país.

    Esquemas de corrupção

    Dilma Rousseff, eleita para seu primeiro mandato como presidente, mandou anunciar o nome do ministro mais poderoso de seu governo. Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, ex-deputado federal, ex-prefeito de Ribeirão Preto, assumia a chefia da Casa Civil.  

    Era a ressurreição política de Palocci, afastado do governo Lula pelos escândalos de corrupção que assumiu em seu nome para livrar o partido das condenações. Palocci havia perdido o cargo, mas não a influência. 

    No seu retorno ao cenário político, coordenou e atuou como arrecadador informal da campanha de Dilma, ao lado do tesoureiro do PT, João Vaccari.

    Nas palavras de Dilma, Palocci foi “um dos artífices da jornada vitoriosa”. No dia em que foi anunciado como ministro de Dilma, Palocci recebeu um pagamento de R$ 1 milhão na conta de sua consultoria.

    Anos mais tarde, Palocci foi preso na Operação Omertà e condenado a 12 anos e dois meses de reclusão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Após uma briga com o líder do partido, José Dirceu, Palocci fechou acordo de delação premiada com a polícia federal na Operação Lava Jato. 

    Segundo uma de suas delações, o pagamento de 1 milhão de reais foi feito por Abílio e serviria para comprar Palocci, que ajudaria na fusão entre o Pão de Açúcar e as Casas Bahia, facilitando a concessão de um empréstimo ao empresário pelo BNDES. 

    Diniz queria o dinheiro emprestado para tentar evitar que o grupo francês Casino assumisse o controle do Pão de Açúcar. Notas divulgadas em 2015 pelas partes confirmam diversas transações entre as empresas de Abilio e a consultoria de Palocci.

    Porém, o dinheiro de Abílio foi embolsado por Palocci, mas o favor não foi atendido.

    Em um jantar entre Lula e o presidente do grupo Casino, este solicitou a ajuda do então presidente da república para barrar a expansão dos negócios de Abílio, pois era ele que queria fazer fusões entre o Carrefour com empresas do varejo brasileiro.

    Após o jantar, Lula comunicou a Palocci que aceitou “segurar” Abílio no que fosse preciso.

    Ainda em seus depoimentos, Palocci disse que o valor oferecido pelo grupo Casino era muito alto e precisava ser parcelado. O político deu detalhes de como o dinheiro ficou guardado em uma filial do banco Safra na Suíça e como depois foi repassado para campanhas eleitorais. 

    Dois milhões foram para a campanha de Haddad em 2012 à prefeitura de SP. Outros 10 milhões para a campanha de Dilma em 2014. 

    Parte do dinheiro foi diretamente para Lula, pago através do seu instituto. Em uma das oportunidades, o dinheiro foi entregue dentro de uma caixa de lenços. Em outra, 50 mil reais foram entregues na sala presidencial do aeroporto de Brasília. 

    O dinheiro também foi entregue a Lula em caixas de whisky, dentro do avião presidencial no aeroporto de Congonhas.

    Em depoimento à Polícia Federal, o motorista de Palocci, Carlos Pocente, disse que o mesmo "tinha o costume de receber pessoas na garagem dos edifícios em que se localizavam suas consultorias”. 

    Palocci recebia pessoas como Marcelo Odebrecht, João Vaccari, Léo Pinheiro e Abílio Diniz. Dos citados pelo motorista, só Abílio não foi preso, embora tenha sido indiciado no âmbito das investigações da Operação Carne Fraca. Os demais foram presos na Lava Jato.

    Ao todo, Palocci deu 23 depoimentos, que apontam uma sucessão de ilícitos e propinas, que chegam a mais de 300 milhões de reais, supostamente arrecadadas e repassadas por empresas, bancos e indústrias a políticos e partidos nos governos de Lula e Dilma. 

    Os depoimentos de Palocci denunciaram corrupção do PT em:

    • grandes obras de infraestrutura; 
    • contratos fictícios;
    • doações por meio de caixa 2;
    • liberação de recursos do BNDES;
    • créditos do Banco do Brasil;
    • criação de fundos de investimentos;
    • fusões e elaboração de medidas provisórias para favorecer conglomerados.

    Palocci cita os ex-presidentes Lula e Dilma, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ex-governador de Minas Fernando Pimentel, a deputada Gleisi Hoffmann, o ex-senador Lindbergh Farias, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.

    Ainda, Palocci menciona Grupo Odebrecht, AMBEV, Grupo Camargo Corrêa, Banco Safra, Casino, Instituto Lula, PAIC Participações, Votorantim, Aracruz, BTG Pactual, Grupo Parmalat, Itaú-Unibanco, Bradesco, Vale, Brasil Seguros, BNDES, Sadia-Perdigão, OAS e o Grupo Pão de Açúcar.

    Todavia, diante dos fatos do sequestro de Abílio Diniz, surge outra possibilidade.

    Armação da mídia e da polícia contra o PT

    A segunda teoria é sustentada por apoiadores do PT. Eles afirmam que o material de campanha e a agenda com o número de líderes petistas foi uma armação da polícia. Segundo eles, os policiais plantaram o material no cativeiro e obrigaram os sequestradores a vestirem as camisetas do PT para a imprensa tirar fotos.

    Isso teria sido feito a fim de prejudicar Lula, já que as eleições se encerravam no dia em que o material foi encontrado.

    Petistas e militantes acusaram a Globo pela manipulação midiática. Afirmaram que o então adversário de Lula, Fernando Collor, tinha apoio das organizações Globo e de seu dono, Roberto Marinho.

    O líder do grupo, Humberto Paz, revelou perante o juiz que foi obrigado a vestir a camiseta do Partido dos Trabalhadores pela Polícia de São Paulo. 

    Outro sequestrador relatou:

    "No sábado de manhã, dia 16 de dezembro, alguns policiais também arrancaram minhas roupas e colocaram-me uma camiseta do Partido dos Trabalhadores".

    O diretor do Departamento de Homicídios da Polícia Civil, Gilberto Cunha, nega as acusações.

    Anos mais tarde, Lula foi preso pelas ilegalidades relacionadas ao seu triplex no Guarujá. Nesse momento, a deputada e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, relacionou a atuação do judiciário contra Lula com a cobertura feita pela mídia do sequestro de Abílio Diniz, alegando que ambos são armações para prejudicar o partido.

    Foi levantada a hipótese de que os bandidos espalharam material de propaganda petista na casa para que, se fossem presos, se beneficiassem das penas mais brandas que a lei estabelecia para os crimes com motivação política.

    Como estão os sequestradores de Abílio Diniz? Condenações e fechamento do caso

    Os dez presos foram condenados a penas de 26 e 28 anos de prisão pelo sequestro. Eduardo Suplicy, Lula e outros líderes petistas então iniciaram uma verdadeira cruzada internacional pela libertação dos criminosos, fazendo visitas e pressionando o governo de Fernando Henrique para libertar os presos.

    Os criminosos entraram em greve de fome duas vezes enquanto ficaram encarcerados, exigindo que o governo brasileiro extraditasse os nove estrangeiros do grupo para seus países de origem. Os presos disseram:

    "Nosso movimento não cessará até os companheiros canadenses terem sido transferidos para seu país; os argentinos e chilenos expulsos do Brasil devem ser indultados. [...] Se necessário, pagaremos com nossas vidas".

    Graças a um acordo de troca de presos entre o Brasil e o Canadá, aprovado pelo Congresso, David Spencer e Christine Lamont foram extraditados para o Canadá. Depois da campanha apoiada pelo PT e especialmente por Lula, o restante dos estrangeiros foram mandados de volta para seus países.

    O único brasileiro do grupo, Raimundo Rosélio da Costa Freire, foi indultado. Anos mais tarde, voltou a ser preso por tráfico de drogas.

    Foto de Abílio Diniz.

    Abílio dos Santos Diniz é um grande empresário brasileiro.Foi sócio de grandes empresas do varejo, como Pão de Açúcar, Extra e Ponto Frio. Presidente dos Conselhos de Administração da BRF e da Península Participações, além de membro dos Conselhos de Administração do Carrefour Brasil.

    Diniz foi eleito pela revista Forbes, em 2016, a 477ª (quadringentésima septuagésima sétima) pessoa mais rica do mundo. A fortuna de Abílio Diniz o posicionou como o 14º brasileiro mais rico do país.

    Nascido em 1936, na capital paulista, Abílio é o mais velho entre os seus seis irmãos. Na época de escola, sofria por ser tímido, baixinho e gordinho. Mas o bullying serviu de inspiração para o menino. 

    Voltando-se para as artes marciais e o esporte, Abílio aprendeu a se defender e desenvolveu confiança. Segundo ele próprio, os esportes foram um meio para desenvolver o autoconhecimento, disciplina e competitividade. 

    Começando a sua vida desportiva aos 11 anos, Abílio foi goleiro de futebol, praticou judô, boxe e capoeira. A musculação e o levantamento de peso também fizeram parte de sua carreira atlética.

    Aos 12 anos começou a trabalhar com o seu pai, que era dono de uma doceria chamada Pão de Açúcar, inaugurada em 1948. 

    Em 1959, quando estava de malas prontas para fazer uma pós-graduação nos Estados Unidos, Abílio recebeu uma proposta de seu pai e acabou mudando seus planos. Juntos, os dois inauguraram o Supermercado Pão de Açúcar, que veio a se tornar anos mais tarde a maior rede varejista da América Latina, gerando grande fortuna para Abílio. 

    Em 1968, o Pão de Açúcar já contava com 40 supermercados e mais de 1600 funcionários. Nessa época, o empresário praticava motonáutica, conquistando 3 vezes o campeonato brasileiro na modalidade. Além disso, foi campeão das Mil Milhas de Interlagos em 1970. 

    Com Abílio à frente dos negócios, a rede Pão de Açúcar teve um crescimento exponencial nas décadas de 60 e 70, sendo a primeira rede de supermercados a ter uma loja dentro de um shopping e a funcionar 24h por dia.

    Após recorrentes desentendimentos entre a família, Diniz se afasta dos negócios no final dos anos 70. Nesse período, foi convidado pelo então ministro do planejamento do governo Figueiredo para atuar no Conselho Monetário Nacional. Enquanto isso, a rede de supermercados era administrada por seu pai e seus irmãos.

    Com a forte inflação e instabilidade econômica que marcaram a década de 80, a rede perdeu força e os negócios da família começaram a falir. Com a situação delicada, o pai de Abílio decide pedir ao seu filho que retornasse à direção da empresa. 

    Em 1989, Abílio se tornou presidente executivo da companhia, onde reestruturou as finanças, cortou despesas e colocou a rede de supermercados de volta nos trilhos.

    Quais são as empresas de Abílio Diniz hoje em dia?

    Atualmente, Abílio Diniz é dono do Carrefour Brasil e é presidente do conselho de administração da BRF — empresa originada a partir da fusão entre Perdigão e Sadia. Abílio também é um dos principais acionistas da empresa Casas Bahia.

    Devido a todo seu sucesso financeiro, Abílio tornou-se uma presa desejosa para sequestradores. Era de conhecimento geral que seu resgate seria alto.

    Quanto ao sequestro de Abílio Diniz, restam as dúvidas: houve participação do PT no sequestro do empresário Abílio Diniz? Qual a relação do partido com os criminosos? Teria o material de campanha sido plantado pela polícia? Essas perguntas nunca foram respondidas, permanecendo o mistério.

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  • fonte : Brasil Pararelo

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A Fiat apresentou nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, o Bravo reestilizado. Lançado em 2010, o hatch médio teve mudanças discretas, incluindo nova grade frontal, novos para-choques, spoiler traseiro e lanternas com acabamento escurecido. O interior possui novas opções de revestimento e a inclusão de um descansa-braço central com porta-copos no banco de trás. Além do design, todas as versões passam a sair de fábrica com a central multimídia UConnect Touch, que oferece funções como GPS e Bluetooth. Outro equipamento de série do modelo é a câmera de ré, cujas imagens são exibidas na tela de LCD de cinco polegadas da central. O Bravo - que chega às revendas já como linha 2016 - será oferecido nas versões Essence, Sporting e T-Jet. A novidade da gama é a série especial Blackmotion, equipada com rodas de liga leve aro 17, sensor de estacionamento traseiro, suspensão esportiva, faróis com máscara negra, saias laterais, detalhes em preto brilhante, ponteira dupla cromada, faixas la...

Processo: Publicidade da faculdade Fiap que usa um rosto parecido com o de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook

"Procura-se a próxima geração de talentos da tecnologia", lê-se no anúncio dentro do trem na linha verde do metrô. Ao lado da chamada, um rosto conhecido, ainda que desfocado (ou "pixelizado", com pixels aparentes, no jargão da tecnologia). É Mark Zuckerberg, fundador do Facebook. Ou alguém muito parecido tentando se fazer passar por ele. A peça de publicidade causou mal-estar no escritório brasileiro da rede social.  Segundo funcionários da empresa, a equipe jurídica do Facebook já entrou em contato com a matriz, na Califórnia, e estuda como responsabilizar juridicamente a Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), que fez o anúncio. O Facebook diz que não comentará o caso. A Fiap afirma que "a campanha que traz uma imagem que remete à figura de Mark Zuckerberg foi encerrada. Portanto, a instituição não vai comentar a respeito". Até o começo da semana, a versão brasileira de Zuckerberg ainda estava nos anúncios, olhando para quem...

Vídeo: Homem com camisa do Brasil é espancado por manifestantes “Antifas”

No Rio de Janeiro, neste domingo, um homem com a camisa do Brasil foi espancado por manifestantes “Antifas” — movimento que reúne pessoas da Extrema-Esquerda. O momento da agressão foi gravado. Nas imagens, o rapaz que traja as cores do Brasil tenta recuar, mas rapidamente é cercado pelos militantes extremistas de Esquerda, que o agridem covardemente. Donald Trump e o movimento Antifas O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (31), em seu perfil oficial no Twitter, que pretende classificar o movimento Antifas como uma “organização terrorista”. O mandatário americano acusa o movimento da Extrema-Esquerda de liderar atos violentos durante manifestações que ocorrem, no país após a  morte de George Floyd . “Os Estados Unidos da América designarão a ANTIFA como uma organização terrorista” — escreveu Donald Trump. fonte:  Portal BR7 Adsense

Cemitérios de automóveis: os ferros-velhos mais assustadores do mundo

A seguir reunimos alguns dos mais assustadores registros de ferro-velho pelo mundo Através de décadas, os carros são expostos a todo tipo de intempérie e são invadidos pela vegetação Muitas vezes, a decadência gera imagens bonitas Pronto para esta galeria? CHATILLON, BÉLGICA A pacata aldeia de Chatillon, na Bélgica, é conhecida por um dos mais lindos cemitérios de automóvel do mundo A lenda conta que estes carros pertenciam a militares dos EUA que, durante a II Guerra Mundial, os utilizavam em seus deslocamentos Esta imagem mostra estes carros, que parecem estar em um engarrafamento de fantasmas  Com as décadas, depois do fim da II Guerra, os carros ficaram abandonados e foram invadidos por plantas, acabando integrados à paisagem  O governo belga tem realizado esforços para recolher as carcaças e limpar a paisagem KAUFDORF, SUÍÇA Na Suíça, este ferro-velho foi o resultado do esforço de um único homem em acumular carcaças de c...

Betina Baino que protestou nua em Porto Alegre, conta o seu sofrimento

Com dificuldades financeiras e em busca de emprego, a mulher que foi flagrada caminhando nua por uma das avenidas mais movimentadas de Porto Alegre na última semana busca um recomeço na vida e no esporte. Betina Baino, 35 anos, está treinando na academia de um amigo e morando em uma pensão na Zona Norte da capital. Uma semana depois do ato de protesto que classificou como "desabafo", a lutadora de MMA diz que não se arrepende da manifestação. Pelo contrário. Ao receber o   G1   nesta quinta-feira (13), falou com tranquilidade sobre sua relação com o corpo e até com a prostituição, que admitiu ter praticado por sobrevivência (veja um trecho da entrevista no vídeo ao lado). “Foi um conjunto de fatores de ordem pessoal. No caminho, fui pensando. Estava tão desamparada. Não tenho onde morar, não tenho dinheiro. Meu corpo foi tudo o que me restou", afirmou. "Escuto elogios pelo meu corpo. Foi bom correr na chuva, ótimo. Eu não sou louca, tive que engolir muita coisa...

Chevrolet Cruze 2015, um novo visual, uma nova identidade

Com apresentação marcada para o Salão de Nova York nesta semana, a versão norte-americana do Chevrolet Cruze ganhou um tapinha no visual e novidades pontuais na lista de equipamentos. Não confundir este Cruze com a nova geração global que deve ser apresentada no Salão de Beijing, na China, nos próximos dias. O visual mudou pouco, a não ser pela nova frente, que ganhou uma grade angulosa com inspiração no Malibu e Impala. As versões LT e LTZ passaram a contar com LED’s diurnos. Por dentro quase nada mudou. Apenas uma atualização no sistema multimídia, que agora emite mensagens de alerta para o motorista. Além disso foram incorporados novos comandos de voz. Porta copos e objetos também foram revistos. Com estas mudanças, a Chevrolet espera dar fôlego ao seu best-seller até a chegada da próxima geração no fim de 2015. fonte: http://carplace.virgula.uol.com.br/chevrolet-cruze-2015-ganha-visual-atualizado-nos-estados-unidos/

Banco do Brasil vai fechar 402 agências e demitir 18 mil funcionários

O Banco do Brasil (BB) vai anunciar, em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (21) um plano de reestruturação da instituição que reduzirá o número de agências e oferecerá um plano de aposentadoria incentivada para até 18 mil funcionários. Estimativas obtidas pelo  Broadcast,  serviço em tempo real da Agência Estado, apontam uma economia total de, aproximadamente, R$ 2,7 bilhões em 2017 somando a redução da estrutura física, corporativa e de pessoal, no caso de a adesão ao incentivo da aposentadoria antecipada chegue a 10 mil funcionários. Segundo comunicado ao mercado divulgado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BB fechará 402 agências em todo o País e transformará outras 379 em postos de atendimento ao longo do próximo ano. A economia anual com o enxugamento da estrutura é estimada pelo BB em R$ 750 milhões, sendo R$ 450 milhões da nova estrutura organizacional e R$ 300 milhões de redução de gastos com transporte de valores, segurança, locação e con...

O Brasil vai explodir, população esta cada vez mais revoltada

AMBIENTE INFLAMÁVEL Na tarde da terça-feira 24, militantes se digladiaram  em frente à ABI, durante  ato em defesa da Petrobras.  Do lado de dentro da associação, Lula conclamou  a militância à luta. Nessa atmosfera conturbada, caminhoneiros paralisaram as principais rodovias do País e sindicalistas vestidos de leões protestaram contra a deterioração  dos salários  Caldeirão social fervilha em meio a brigas de militantes nas ruas, paralisações de rodovias por caminhoneiros, greves de professores e metalúrgicos e uma população cada vez mais revoltada com o aumento do desemprego e do custo de vida. Aonde vamos parar? Eumano Silva No final da tarde da terça-feira 24, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dirigiu à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, para participar de uma manifestação em favor do governo Dilma Rousseff. Organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela F...