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A economia sem Dilma

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Queda do dólar, retomada de investimentos e redução do desemprego são alguns dos efeitos positivos que podem surgir com o novo governo

         
Nas últimas semanas, foi possível identificar os efeitos positivos que a saída da presidente Dilma Rousseff provocará na economia. Sempre que o impeachment se tornava uma possibilidade real, o dólar caía, as ações da Bolsa de Valores se valorizaram e uma onda de otimismo impregnava diversos setores da sociedade. Com o afastamento definitivo de Dilma, os especialistas apostam em resultados ainda mais significativos. Um estudo da gestora de recursos Mauá Capital concluiu que, com um novo presidente, o dólar cairá de R$ 3,50 para R$ 3 até o final do ano e a Bovespa subirá dos atuais 50 mil para 60 mil pontos. Isso, porém, é apenas uma pequena indicação das mudanças que podem ser desencadeadas. “A saída de Dilma fará aumentar a estabilidade, já que a matriz econômica que ela vinha seguindo é repleta de equívocos”, diz João Luiz Mascolo, economista do Insper. “A simples troca de governo vai gerar um entusiasmo inicial.”




O fôlego da economia depende essencialmente da confiança da sociedade. Quando as pessoas deixam de acreditar em um governo, elas adiam investimentos, cancelam projetos e mergulham em um estado de paralisia difícil de reverter. Se este governo está às voltas com escândalos de corrupção, é ainda mais complexo sair do fundo poço. Na maioria das vezes, só uma ruptura – um novo presidente – pode virar o jogo e recuperar a credibilidade perdida. “O ponto de partida é muito delicado”, afirma Maria Cristina Mendonça de Barros, economista da MB Associados. “O resultado fiscal nesse início de ano foi bastante perverso, houve uma piora crescente.” A lista de arranjos para desafogar os indicadores econômicos é extensa, mas especialistas concordam que a primeira meta após o impeachment deveria ser alcançar o superávit fiscal. Ou seja, o governo precisa gastar menos do que arrecada – e lançar medidas, por mais dolorosas que sejam, para fazer o País andar.
O grande desafio do crescimento econômico é estimular uma espiral de investimentos. Quanto mais capital aplicado, mais empregos surgirão, a produtividade das empresas aumenta e novos negócios vão aparecer naturalmente. Países como Chile e Coreia do Sul mantém o nível de investimento em 30% do PIB. No Brasil, o índice atual está em 18%. Sob Lula e Dilma, houve apenas um estímulo ao consumo das famílias, sem mudanças estruturais. “Dilma tentou repetir as fórmulas de incentivo, incorreu num equívoco fiscal e acabou com as contas públicas”, diz Mascolo. Com isso, a economia foi tomada pela inércia e estagnação gradual de diversos setores. Segundo economistas, o afastamento de Dilma abriria espaço para um equilíbrio fiscal. O professor de finanças do Ibmec do Rio de Janeiro, Gilberto Fraga, acredita que, com o impeachment, a inflação voltará ao patamar de 6% a 6,5% até o final do ano. A taxa de desemprego, estimada hoje em 11%, poderia cair para 9%. “Haverá uma movimentação na contratação de mão de obra, o que nos fará começar 2017 com a economia um pouco melhor”, afirma ele. Um dos pilares de um novo modelo de desenvolvimento passaria pelo incentivo aos micro e pequenos empresários. “Um país com alta taxa de juros e sem chances para empresários não consegue prosperar”, afirma Istvan Kaszan, professor da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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DESEMPREGO 
Trabalhadores esperam horas para se candidatar às vagas de emprego 
em São Paulo. Após o impeachment, projeções apontam para a redução na taxa 
Com a saída de Dilma, o PIB poderia recuperar pelo menos um ponto percentual ainda em 2016. Apesar dos primeiros indicadores positivos, economistas afirmam que a evolução será obviamente gradual, uma vez que as perdas bateram recordes históricos – e ainda não atingiram um nível de estabilidade. O consumo das famílias, por exemplo, seguirá em queda até o ano que vem. A renda familiar só voltará a subir em 2018 e 2019. Projeções estimam que a renda per capita brasileira só chegará ao patamar alcançado em 2014 daqui a 10 anos. Ou seja, o legado do governo Dilma será uma década perdida. Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, até 2017 cerca de 10 milhões de pessoas devem voltar às classes D e E, anulando as conquistas sociais dos últimos anos. “Até quem perdeu o emprego e usou o dinheiro do FGTS para montar um pequeno negócio está com dificuldade, porque ninguém compra”, afirma Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Isso gera uma dívida maior ainda, porque todo o investimento foi direcionado a uma aposta.”
A crise afetou tanto pequenos empresários quanto gigantes do setor industrial. Com quedas na produção, há expectativa de mais falências para o restante do ano. “A população precisa entender que o crescimento não virá facilmente”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Aumentar a produtividade de um país é um trabalho para décadas.” Apesar da turbulência política e econômica, um importante aspecto deverá sair fortalecido com o afastamento de Dilma: a transparência na gestão pública. “A sociedade está descobrindo quais são os custos sociais e os impactos da corrupção”, diz Maria Cristina da MB Associados. “A partir de agora, teremos um Estado com mais responsabilidade.”
“Vivemos uma década perdida”
Ex-aliado de Lula, o empresário Lawrence Pih fala de sua desilusão com o receituário petista
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ISTOÉ – O impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) ajudaria a resolver a crise econômica nacional?
Lawrence Pih –
 Daria uma injeção de ânimo, mas a questão é tão complexa que, sozinho, o afastamento da presidente não vai resolver. São necessárias mudanças profundas.
ISTOÉ – Que mudanças?
Pih – 
Reformas política, tributária, trabalhista e previdenciária. Isso é impossível hoje. As questões políticas são tão amplas que, se começarmos hoje, levaríamos 50 anos para colocar tudo nos trilhos.
ISTOÉ – A última década está perdida?
Pih – 
Certamente. Só será possível recuperar o PIB de 2014 por volta de 2024.
ISTOÉ – Quais são os principais equívocos do governo?
Pih – 
O projeto de uma nova matriz econômica é um modelo bastante populista, uma grande irresponsabilidade. O político dá benefícios ao povo e consegue se reeleger. Demorei a notar isso e dou a mão à palmatória.
ISTOÉ – Como fazer a mudança?
Pih –
 Para arrumar a economia, é preciso pagar o preço necessário. Tem muitos interesses que estão enraizados no nosso sistema.
ISTOÉ – O que está errado?
Pih – 
O Brasil tem um modelo patrimonialista há séculos. Os políticos buscam o poder por interesses próprios. Nas eleições que levaram Lula à presidência, acreditei que haveria uma mudança radical. Não houve.


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