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Empresário que atropelou e matou trabalhador tinha 240 pontos na carteira


O Detran abrirá um processo para suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do motorista Ivo Nascimento de Campos Pitanguy por haver atingido o limite de 20 pontos no prontuário de infrações de trânsito entre 2014 e 2015. Ele foi preso em flagrante no Hospital Miguel Couto após o acidente em que atropelou e matou o operário José Ferreira da Silva, 44 anos, na Gávea, Zona Sul do Rio, na madrugada desta sexta-feira (21).
Em um período de 1 ano, ele somou 27 pontos até o dia 21 de junho deste ano, segundo o Detran. Diante da gravidade do acidente, será aberto também um processo administrativo para que o condutor seja submetido novamente a novo exame prático para averiguar a sua capacidade de direção de automóveis.

Segundo a delegada Monique Vidal, titular da 14ª DP (Leblon), a ficha de Pitanguy no Detran-RJ tem 23 folhas, com 70 multas aplicadas nos últimos 5 anos, o que dá mais de 240 pontos na carteira. Do total de multas, 14 são por dirigir embriagado.
"É um absurdo que, com essa quantidade de pontos, ele não tenha tido a carteira apreendida. Já deveria ter perdido há muito tempo. Está colocando a vida dos outros em risco, como aconteceu com o operário", disse a delegada.

Em nota, a assessoria de imprensa de Ivo Pitanguy informou: "Ivo Pitanguy e família, consternados e profundamente abalados com o acidente, que resultou no falecimento de José Fernando Ferreira Silva, prestam sua solidariedade e se colocam à disposição dos familiares para todas as medidas necessárias de apoio e auxílio, neste momento de tamanha dor."
É um absurdo que, com essa quantidade de pontos [240], ele [Ivo Nascimento de Campos Pitanguy] não tenha tido a carteira apreendida. Já deveria ter perdido há muito tempo"
Monique Vidal, delegada
Homicídio e embriaguez
Segundo a delegada Monique Vidal, Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, que dirigia o carro, responderá por homicídio culposo e embriaguez ao volante.

Em depoimento, de acordo com a delegada, um PM e dois bombeiros que socorreram o motorista afirmaram que ele se recusou a 
colocar o colar cervical, não queria permitir os procedimentos de primeiros socorros, estava visivelmente alterado e com hálito alcoólico.Ainda de acordo com Monique Vidal, os bombeiros afirmaram em depoimento que em momento algum o motorista se preocupou com a vítima.
O empresário, de 59 anos, é filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy.
José Ferreira da Silva foi atropelado na Gávea (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)José Ferreira da Silva foi atropelado
na Gávea (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)
Atropelamento 
José Ferreira foi atropelado Rua Marquês de São Vicente, uma das principais da Gávea, na madrugada desta sexta-feira. Ele chegou a ser levado para o Hospital Miguel Couto, também na Zona Sul, mas não resistiu. José trabalhava como operário na obra da linha 4 do Metrô e voltava do trabalho no momento em que foi atropelado. O caso foi registrado na 14ª DP (Leblon).
Como informou o Bom Dia Rio, Ivo perdeu o controle do carro e invadiu a calçada. Chovia no momento do acidente. O motorista também ficou muito ferido e foi levado para o Miguel Couto.Advogados que estavam unidade de saúde prestando assistência ao motorista confirmaram que representam a família dele. Segundo o advogado Rafael de Piro, Ivo estava inconsciente na manhã desta sexta-feira. "A gente ainda não tem muitos detalhes do que aconteceu. O que a gente sabe é que chovia muito na hora do acidente, como mostram as imagens", disse Rafael.
A irmã do motorista, Gisela, também afirmou que a família ainda desconhecia detalhes  "Estava chovendo muito, o carro derrapou e ele entrou dentro de um posto. Houve um atropelamento", disse. Ela acrescentou que a família pretendia dar apoio à família do operário. Familiares
Durante a manhã, os irmãos da vítima falaram sobre o caso no hospital. Segundo Ernani Ferreira da Silva, José morava há dois anos no Rio e trabalhava na obra da Linha 4 do metrô na Gávea. "Me disseram que ele saiu do trabalho às 22h30, estava atravessando no sinal quando o carro veio em alta velocidade. Chegaram a amputar uma perna dele, mas não resistiu", disse o irmão da vítima.
A família [do motorista] só disse até agora que lamenta o caso, não entrou em detalhes. Eles vão ter que pagar os danos que causaram"
Antônio Ferreira da Silva, irmão da vítima
Ainda segundo o Ernani, José era casado e tinha dois filhos. Ele deve ser enterrado em Pernambuco, seu estado natal.
Outro irmão da vítima, Antônio Ferreira da Silva, estava revoltado. "Meu irmão estava na calçada. Não vou deixar barato. A família [do motorista] só disse até agora que lamenta o caso, não entrou em detalhes. Eles vão ter que pagar pelos danos que causaram", disse.

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