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Na crise política sem fim, os erros do estrategista de Dilma, 'Mercadante"

AMEAÇADO O ministro Aloizio Mercadante  no Planalto. Muito poder, mas muitos erros na condução política (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
Desde o começo do ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve três encontros com a presidente Dilma Rousseff e outros tantos com políticos em São Paulo e em Brasília. Em uma dessas conversas, com senadores do PT e do PMDB na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, Lula falou na necessidade de uma reforma ministerial para ressuscitar o já moribundo segundo governo Dilma. Nessas e em outras conversas, Lula defendeu a troca do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, por Jaques Wagner, hoje ministro da Defesa. Lula – ele e metade da Esplanada, por sinal – considera Wagner politicamente mais habilidoso. E Dilma, às voltas com uma crise que vai longe, nunca precisou tanto de um político habilidoso por perto. Para defender seu ponto de vista, Lula mencionou um episódio que o PMDB, maior aliado (ou inimigo?) do governo, adora lembrar e odiar. “Esse negócio de pegar Cid e Kassab para criar partidos ou aumentar a base foi um equívoco. Não tem justificativa o que foi feito”, disse Lula. “Que senadores eles influenciam?”
No início do ano, Mercadante convenceu Dilma a apoiar uma iniciativa do ministro Gilberto Kassab, do PSD, e do então ministro da Educação, Cid Gomes, do Pros, de criar um partido para atrair parlamentares – inclusive do PMDB – em número suficiente para formar uma terceira força de apoio ao governo. Se a jogada desse certo, Dilma ficaria menos dependente do PT e do PMDB no Congresso. Mas, para quem entende de política, era óbvio que não daria certo. Era um estratagema amador. Mercadante e o Planalto subestimaram um risco óbvio: uma manobra desse tamanho não passaria despercebida. Em duas semanas, o PMDB, que domina o Congresso, se articulou e aprovou alterações na legislação partidária que sepultaram o novo partido. Desse ardil, como de outros pensados ou avalizados por Mercadante, sobrou ao Planalto apenas a mágoa dos peemedebistas. E quem é do PMDB não esquece jamais. “O PMDB não engole o Mercadante por isso”, diz um senador.

Equívocos assim são comuns na carreira de Mercadante. Talvez em nenhum outro partido ele tenha tantos desafetos quanto no próprio PT. Não é de hoje  que Lula e os principais líderes do PT detestam Mercadante. E detestar é, sem dúvida, o verbo mais adequado. Se em público nunca fazem críticas, em privado maldizem e articulam contra Mercadante amiúde. A maioria das críticas, sejam elas justas ou injustas, centra-se no ego e na arrogância do ministro da Casa Civil. Mercadante, segundo essas avaliações, erra com frequência por acreditar ser mais astuto e poderoso do que realmente é. Não é um político ingênuo ou despreparado, mas acaba engolido pela soberba. Não é à toa que ele não tem amigos no Congresso. Tem, no máximo, aliados de ocasião.

Com Dilma pressionada por Lula e demais aliados para, pela enésima vez, tentar resolver o crônico problema de diálogo entre governo e Congresso, ganha força o movimento pela saída de Mercadante.  Ele poderia, por exemplo, voltar ao Ministério da Educação, Pasta sem comando desde a bisonha saída de Cid Gomes. Ou permanecer na Casa Civil, embora sem a prerrogativa de conversar com os parlamentares. A queda de Cid deu a oportunidade política para que Dilma troque seus ministros, entre eles Pepe Vargas, que está com graves problemas para exercer a função na Articulação Política.
>> Resultado do bate-boca na Câmara: a reaproximação de Dilma do PMDB

Nos últimos meses, Mercadante ajudou nas conversas com o PMDB e outros aliados para aprovar medidas do ajuste fiscal. Sua relação com o Senado melhorou; com a Câmara, no entanto, não é das melhores. No início do ano, com Pepe Vargas, Mercadante embarcou o governo na candidatura do petista Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara, quando Eduardo Cunha já tinha mais de dois meses de dianteira e uma vitória certa. De forma canhestra, o governo pressionou aliados e perdeu feio, com sequelas que ainda não foram sanadas. Desde então, o governo perdeu várias disputas na Câmara. Além do apelido de Freddie Mercury, devido ao bigodão, Mercadante ganhou uma relação ruim com Cunha.

No ano passado, após a reeleição, Mercadante convenceu Dilma de que seria melhor os 39 ministros encaminharem cartas de demissão, para facilitar a reforma ministerial. Com a aquiescência da presidente, Mercadante agiu. Marta Suplicy, que estava descontente e disputava poder com Mercadante em São Paulo, aproveitou a chance para deixar o cargo atirando. Para ele, uma vitória. Para Dilma e o PT, uma derrota. Com o feito, Mercadante ganhou mais um apelido no Palácio: Senhor dos Anéis. Quer o poder apenas para ele. Azar do governo.

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