
Felipão cumpriu o que havia prometido e escalou a mesma equipe que atuou nos últimos amistosos. A pressão da estreia, exaustivamente abordada pela imprensa nas semanas que antecederam a partida, de fato, foi sentida. A Croácia entrou em campo com uma escalação ofensiva e não se escondeu na defesa. As primeiras jogadas de perigo foram da equipe europeia, que aproveitava espaços laterais para usar a altura de seus dois atacantes, Olic e Jelavic.
Aos 13 minutos do jogo de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia, na Arena Corinthians, parte da iluminação do estádio caiu. Metade do campo de ataque do Brasil ficou mal iluminada por causa da queda de energia – um fato raro em um evento internacional como a Copa do Mundo. O apagão parecia uma metáfora do que se via em campo. O Brasil tinha a posse de bola, fazia triangulações, mas era ineficaz. Tanto que aos 10 minutos de jogo, os croatas abriram o marcador. Mas o primeiro gol da Copa foi brasileiro: um gol contra de Marcelo. Era a terceira finalização no gol da Croácia contra apenas uma do Brasil. A Seleção tentava repetir a fórmula bem-sucedida da Copa das Confederações do ano passado, quando pressionava o adversário no campo de ataque para retomar a bola. O resultado foi uma defesa fragilizada e descoberta, com as laterais totalmente abertas. Marcelo, na lateral esquerda, e Daniel Alves, na lateral direita, deixavam espaços de sobra para a descida de Perisic e Vrslajko. O gol da Croácia nasceu quando Daniel Alves tentava tomar a bola no campo de ataque. Pelo lado esquerdo, Olic cruzou rasteiro para a área. O atacante Jelavic tentou o chute e apenas resvalou na bola, que seguiu na direção de Marcelo, batendo em seu pé direito e acabando no fundo das redes de Julio César. A Seleção Brasileira mostrou certo abatimento, ao mesmo tempo que tentava uma reação imediata - por vezes, até desorganizada.

Assim como a iluminação voltou aos poucos, o brilho do futebol brasileiro também. E a torcida teve papel fundamental nisso. Neymar assumiu seu papel de protagonista, domou o jogo e conduziu o Brasil ao empate, com uma bela jogada em que driblou e chutou para o gol. O Brasil continuou dominando as ações no primeiro tempo,e poderia ter virado o jogo, não fosse a retranca croata. O Brasil tinha 65% de posse de bola, contra 35% da Croácia.
Neymar revezava entre Oscar e Paulinho em suas tentativas no ataque. As chegadas desses três jogadores eram o ponto forte da Seleção no primeiro tempo. Fred pouco se movimentava, enquanto Hulk errava lances em demasia.
Neymar revezava entre Oscar e Paulinho em suas tentativas no ataque. As chegadas desses três jogadores eram o ponto forte da Seleção no primeiro tempo. Fred pouco se movimentava, enquanto Hulk errava lances em demasia.

Com o empate, a torcida se inflamou e levantou o ânimo dos jogadores. Vibrantes, os atletas comemoravam em bolas afastadas e lances perigosos. No entanto, ainda havia espaço para os croatas atacarem, mesmo não conseguindo chegar ao gol brasileiro com contundência. O fim da primeira etapa era desejado pelas duas equipes, que não se arriscavam, tentando manter o placar nos minutos finais.
No segundo tempo, o jogo começou sonolento. Nenhum dos goleiros apareceu até os 15minutos da segunda etapa. Foi então que apareceu quem não deveria aparecer. Aos 23 do segundo tempo, o árbitro japonês Yuichi Nishimura marcou pênalti quando Fred dominou a bola na pequena área e caiu depois de trombar com o zagueiro croata Lovren. Pênalti inexistente, convertido por Neymar. O segundo gol do Brasil e de Neymar, artilheiro da Copa.

O resultado do jogo passou uma falsa imagem de tranquilidade. O jogo foi pegado e o Brasil esteve perto de ceder o empate várias vezes. Estreias em Copa do Mundo são sempre complicadas. Países favoritos costumam estrear mal. Países campeões também. A Espanha em 2010 estreou com derrota para a Suíça. Mas o jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil trouxe à memória outra estreia brasileira. Em 2002, na Copa do Japão e da Coreia, o Brasil estreou contra a Turquia. Um jogo duro, o Brasil começou atrás no marcador, empatou o jogo e virou a partida em um pênalti cavado pelo atacante Luizão. Assim como em 2002, um jogador questionado se destacou. Em 2002, Rivaldo era criticado por suas más atuações. Agora, Oscar era colocado em xeque por suas fracas participações nos treinamentos e nos amistosos. Ao lado de Neymar, Oscar foi protagonista da partida, roubando bolas no ataque e dando passes. Assim como em 2002, o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014 foi complicado, decidido por um pênalti discutível. É, sem dúvida, uma ótima recordação para Felipão – e para o Brasil.
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