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Segunda dia 10 de março (14), GM SJC faz aniversário, 55 anos mudando a economia do vale

Alvarino Alves dos Santos, que entrou na GM aos 13 anos e se aponsentou lá_Foto: Marcelo Caltabiano
Alvarino Alves dos Santos, que entrou na GM aos 13 anos e se aponsentou lá_Foto: Marcelo Caltabiano
Montadora comemora amanhã aniversário da inauguração do complexo industrial do Vale do Paraíba, de onde saiu o primeiro motor da América do Sul e os veículos mais populares dos anos 80 e 90 no Brasil
Janaína Coelho
Editora de Suplementos

O que define a vocação de uma cidade? No caso de São José dos Campos, uma década em especial marcou sua história e selou seu futuro. Foi nos anos 50 que o município deixou de lado seu perfil sanatorial e tomou outro rumo: o da industrialização.
A criação de CTA e ITA em 1950 foi o pontapé inicial. Um ano depois, a Dutra chegaria para se tornar a artéria principal dessa expansão. Engana-se quem pensa que a industrialização veio mais tarde, com Embraer ou Revap. Foi na década de 50 que aportou aqui a nossa primeira grande indústria.
Curiosidade, desconfiança, entre tantos outros sentimentos, tomaram conta da população quando soube que a cidade ganharia uma fábrica de carros. Foi no começo da década que a General Motors do Brasil, a 'GM', começou a traçar seu plano de uma segunda planta no Brasil. Escolheu um terreno gigante ao lado da Dutra e da estrada de ferro para isso.
Amanhã faz 55 anos que Juscelino Kubitschek inaugurou essa fábrica.
"A instalação da GM foi um marco na formação de São José. Dutra, GM e CTA foram os três episódios decisivos para a cidade ser industrializada", definiu o prefeito Carlinhos Almeida (PT).
"A GM se orgulha de fazer parte da comunidade joseense há mais de cinco décadas. Nosso compromisso é continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da cidade e região," disse Pedro Luiz Dias, diretor de Comunicação da GM.
Entre altos e baixos, o fato foi que a GM em São José sobreviveu ao regime militar, à crise econômica dos anos 80, a uma dezena de recessões no mercado internacional e a muito mais.
Saiu daqui o primeiro motor fabricado no Brasil. Desta fábrica também saíram os modelos mais populares dos anos 80 e 90. Mas, mais que isso. Foi ali que muita gente fez carreira, criou os filhos e hoje guarda boas lembranças de uma vida numa das maiores empresas do país.

Demissão marca história recente 
Um dos momentos marcantes na história recente da GM em São José foi a demissão de 1.053 funcionários no começo deste ano, após o fim da produção do Classic e a desativação do setor conhecido como MVA.
O episódio começou a se desenrolar lá em 2008 quando a montadora traçou novos planos para o Brasil, mas não conseguiu acordo com o sindicato local. São José foi perdendo investimentos, os carros daqui ficaram obsoletos e a produção foi caindo aos poucos.
No ano passado, uma frente que envolveu empresa, prefeitura e desta vez o próprio sindicato tentou reverter a situação. Mas era tarde demais. Restou negociar um acordo de demissão que aliviasse os primeiros meses dos dispensados e uma promessa de, em caso de novo investimento no Brasil, o complexo local tivesse prioridade na negociação.
"O clima é outro. Houve amadurecimento. Hoje nosso desafio é continuar dialogando sempre que houver oportunidade", diz o prefeito Carlinhos Almeida (PT), que admitiu ter havido temor sobre possível fechamento da planta. "Era uma tendência, mas conseguimos virar o jogo."

Lição. 
Para o sindicato, ficou a lição. Luiz Carlos Prates, funcionário da GM e secretário-geral do sindicato da categoria, diz que o futuro depende de negociação, de investimentos, mas também do mercado.
"É claro que foi um baque para os trabalhadores e para a economia da região", admite.
"Mas nós vamos prosseguir com a luta para fazer a empresa trazer esses investimentos para São José."
A GM não comenta sobre seu plano de novos investimentos. Após renovar toda a sua linha no Brasil entre 2008 e 2013, a montadora tenta definir agora os projetos para o próximo quinquênio.

José Sebastião Simão, que trabalhou durante 16 anos na GM_Foto: Macelo Caltabiano José Sebastião Simão, que trabalhou durante 16 anos na GM de São José Foto: Macelo Caltabiano
José Sebastião Simão, que trabalhou durante 16 anos na GM de São José
Foto: Macelo Caltabiano

Uma vida inteira de dedicação

Ex-funcionários relembram com saudade de uma vida inteira dentro da fábrica, como fizeram carreira e criaram os filhos; entre altos e baixos, muita história e curiosidades sobre a evolução da GM em São José 

Por muito tempo, trabalhar na GM foi sinônimo de status, nem cadastro em loja era preciso fazer. Os empregos eram disputados e os salários, os melhores da cidade. O mercado automotivo no país ia bem, era a época dos compactos e do carro a álcool.
São histórias como estas, e tantas outras, que se confundem com a história de vida de muita gente que passou pela GM nestes 55 anos do complexo de São José dos Campos.
Caso de Alvarino Alves dos Santos, hoje aos 54 anos, parte de um dos primeiros grupos de funcionários da montadora na cidade. Ele chegou à GM só quatro anos após sua inauguração. Entrou como engraxate aos 13 anos de idade e lá se firmou, chegou a supervisor, casou-se, criou as duas filhas e se aposentou em 2006.
Fala com saudade dos tempos de fábrica, guarda em casa seu primeiro contrato de trabalho e todos os crachás que usou ao longo da carreira na montadora. "Olha só a evolução do meu cabelo, grande, muito grande, menor e, no fim, careca", diverte-se olhando as fotos enquanto conta sobre sua vida na empresa.
Lembra de sua primeira promoção. "Eu era engraxate. Estava no banheiro lavando as mãos quando o Elmo Ferrari (antigo chefe) entrou e perguntou o que eu fazia e em que ano da escola estava. Respondi e ele me mandou o procurar na segunda-feira. Foi aí que fui efetivado", lembra.
Depois disso, a evolução foi natural. Por 30 anos foi supervisor, atuou em todas os setores do complexo. "Eu queria ser médico. Meu irmão era supervisor e me arrumou o emprego na GM. Fui ficando e acabei nunca saindo."
Alvarino hoje integra um grupo nas redes sociais que troca histórias e fotos sobre os tempos áureos da GM em São José. Também reencontra alguns ex-colegas a cada dois meses para bater papo e lembrar da época em que trabalhavam na empresa.
Dedicação. 
Outro que dedicou boa parte da vida à montadora na cidade foi José Sebastião Simão, 69 anos.
O 'Pai João', como ficou conhecido entre os colegas do 'chão de fábrica', trabalhou de 1982 a 1998 na GM. Foi pintor de acabamento.
"Trabalhava na Volkswagen em Taubaté mas morava em São José dos Campos. Viajava todos os dias. Quando surgiu a oportunidade, mudei para a GM", conta ele.
Só saiu da empresa para se aposentar. Relembra que, com o que ganhava na GM, conseguiu criar os dois filhos, pagar a faculdade deles e ainda quitar sua casa, comprada pelo sistema do antigo BNH.
"Hoje dá uma tristeza de ver como está. A gente era feliz naquele época e não sabia", lembra, referindo-se à atual crise no emprego na cidade.
 
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  Vale se firma de vez como polo automotivo 
Após a chegada da GM, a vocação do Vale do Paraíba para o setor automotivo se firmou no final dos anos 60, com a instalação por aqui de outras montadoras.
A Ford escolheu Taubaté para, em 1964, abrir uma planta voltada à produção de motores e transmissões. A cidade vizinha também foi a opção da Volkswagen. A 'alemã' instalou-se na cidade em 1976 para fazer modelos compactos.
A chegada das três 'gigantes' fez brotar na região uma centena de empresas menores ligadas ao setor de autopeças. Elas se espalharam também pelas cidades vizinhas, como Jacareí, Pinda e Caçapava.
E agora um novo polo surge para ampliar o segmento no Vale --ainda este ano, a chinesa Chery inaugura sua primeira planta no país. Escolheu Jacareí para isso.
Além de veículos, a cidade vai sediar uma fábrica de motores. Na unidade, serão desenvolvidos motores 1.0 e 1.5 que serão utilizados no Celer e no sub-compacto S15, substituto do QQ. Os dois veículos serão os primeiros a ser fabricados no país pela montadora.
Ambas as plantas serão resultado de um investimento de mais de US$ 500 milhões e deverão atingir quase 4.000 empregos para o início das operações no país.
 
 Vista aérea do complexo fabril da GM em São José - Foto: Adenir Britto/PhotoupBrasil
Vista aérea do complexo fabril da GM em São José dos Campos
Foto: Adenir Britto/PhotoupBrasil/Arquivo O VALE

SAIBA MAIS
FábricaHoje, o complexo conta com duas fábricas de motores, uma de transmissões, uma linha de montagem de veículos, uma fábrica de peças plásticas e uma de CKDs, a única do setor automobilístico brasileiro totalmente dedicada ao preparo, embalagem e despacho de veículos completamente desmontados para exportação

Futuro
Após perder investimentos nos últimos 4 anos, a GM avalia trazer um novo veículo para ser montado em São José

Cronologia


1925 A GM no Brasil foi fundada em 26 de janeiro de 1925 e começou a operar em galpões alugados no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Em 1930, é inaugurada oficialmente a fábrica de São Caetano do Sul

1956
Em 12 de dezembro, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística aprova o plano de nacionalização de caminhões. Em 21 de dezembro, começa a fabricação da Fundição e fábrica de Motores em São José

1958
Em 4 de dezembro, a fábrica de São José, ainda em fase de construção, na zona leste da cidade, ao lado da linha do trem, entrega o primeiro motor Chevrolet fundido, forjado e usinado na Região do Vale do Paraíba

1959
Em 10 de março, é inaugurada a segunda fábrica da GM do Brasil, em São José. Na época, produzia somente motores e peças para os caminhões Chevrolet Brasil, picapes e caminhonetes Chevrolet Amazonas

1970
A GMB inaugura uma nova linha de montagem em São José, para o lançamento do seu primeiro carro pequeno, o Chevette, um 'best seller' do mercado que alcançaria a marca de 1.600.000 de veículos produzidos

1987Em março, a General Motors do Brasil alcança a marca de 1 milhão de Chevettes produzidos em São José dos Campos e, em outubro, a linha de montagem da fábrica produz o motor Família 2 de número 1.500.000

1993Em 13 de janeiro, as Fábricas de Motores de São José atingem a marca de 6.000.000 de motores fabricados (Opala, Chevette, Comerciais e Família. Um ano depois, em fevereiro, a GMB lança o Corsa Wind 1.0 no Complexo de São José

1995A GM do Brasil obtém, em fevereiro, o certificado de qualidade da norma ISO 9002 para as fábricas de veículos de São Caetano e de São José. Em 31 de março, o Complexo de São José alcança a marca de 100.000 Corsas produzidos

1996Em 3 de julho a Câmara Municipal de São José dos Campos institui este dia como o 'Dia do Chevrolet', a ser comemorado a cada primeiro domingo deste mês. A data faz parte hoje do calendário oficial do município

2001A GM alcança a marca histórica de 1 milhão de unidades exportadas desde 1974 e inicia a produção em São José do monovolume Zafira. Um ano depois, começa a produção do Corsa Nova Geração e do monovolume Meriva

2010A GM lançou o Classic 2011, que ganhou um novo visual. O modelo teve sua produção desativada em janeiro deste ano, selando a crise de produção em São José, que hoje produz somente S10 e Trailblazer, além de motores.

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