O cenário de estoque elevado e demanda retraída obrigou as montadoras a ativarem mecanismos para equilibrar suas linhas com a atual realidade do mercado. Temas como férias coletivas, lay offs e paradas técnicas têm ocupado a pauta das negociações de empresas com sindicatos dos metalúrgicos e pelo menos 7 mil trabalhadores já foram impactados – além dos mais de 6 mil postos de trabalho fechados apenas nas montadoras desde o começo do ano.
A produção brasileira de veículos caiu 17,4% de janeiro a julho, para 1,8 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus - ou 400 mil unidades a menos do que em igual período do ano passado, aponta levantamento da Anfavea. Ainda assim os estoques estão elevados. Ao fim de julho, 382,6 mil veículos, o suficiente para 39 dias de vendas, permaneciam nos pátios de montadoras e concessionários.
O número de funcionários impactados tende a crescer. A General Motors planeja colocar em lay off pelo menos 1 mil trabalhadores de sua fábrica de São José dos Campos, SP. A terceira reunião da empresa com o sindicato local, realizada na manhã de sexta-feira, 8, terminou sem acordo.
Em nota o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, afirmou que é contra o afastamento dos trabalhadores porque a montadora se nega a garantir a estabilidade de emprego para os 5,2 mil funcionários da unidade. “A GM se manteve intransigente e deixou claro seu plano de demissão em massa na fábrica.”
Segundo o sindicato a montadora comprometeu-se a enviar, na semana que vem, carta oficializando a proposta de lay off, documento que será submetido aos trabalhadores. Até o fechamento desta edição a GM não se pronunciou sobre o assunto.
Macapá prometeu organizar manifestações para evitar o afastamento temporário dos trabalhadores. “O último lay off realizado pela GM em São José dos Campos, encerrado em março de 2013, terminou com 598 demissões”, recordou.
Desde a sexta-feira, 1º, a Ford afastou temporariamente 108 trabalhadores da fábrica de Taubaté, SP, onde produz motores e transmissões. Na mesma cidade a Volkswagen concederá férias coletivas a 4,5 mil trabalhadores a partir de 25 de agosto – serão dez dias sem produção na fábrica do up!, o mais novo modelo da marca. Nas unidades da companhia em São Bernardo do Campo e São Carlos, SP, e São José dos Pinhais, PR, há lay off em andamento, mas a VW não informa quantos trabalhadores foram impactados nem o tempo de duração.
Linhas da Fiat em Betim, MG, também pararão por dez dias a partir da segunda-feira, 11. Segundo a montadora, deixarão de ser produzidos cerca de 10 mil veículos no período – entretanto Palio, Siena, Strada e Uno, os mais vendidos, continuarão em ritmo normal de produção.
Nem a Renault, que registrou crescimento nas vendas com relação ao ano passado, escapou: o terceiro turno da fábrica de São José dos Pinhais, PR, foi encerrado, com a realocação dos trabalhadores em outras funções.
Com essas medidas as montadoras ainda evitam demissões em massa.
Grande parte, entretanto, promove PDVs, programas de demissão voluntária, e assim conseguem reduzir o quadro de funcionários – estratégia que foi admitida por Luiz Moan, presidente da Anfavea, em sua última entrevista coletiva.
Cerca de 650 trabalhadores já não compõem o quadro de funcionários da fábrica da PSA Peugeot Citroën em Porto Real, RJ. Eles estavam em lay off desde fevereiro e aderiram a um PDV. Em nota a empresa afirmou que “a medida decorreu da decisão da empresa de manter a produção da unidade em dois turnos, tendo como objetivo adequá-la às vendas internas e às exportações destinadas especialmente para a Argentina, ambas em forte queda nos últimos meses”.
Caminhões – O PDV também foi o caminho encontrado por MAN e Mercedes-Benz para este momento de menor demanda por veículos comerciais e que resultou em produção 20,7% menor no acumulado de janeiro a julho.
Em Resende, RJ, quase todos os duzentos funcionários da MAN que estavam em lay off optaram por não retornar ao trabalho em agosto, prazo estabelecido. A companhia assegura que foram oferecidos incentivos financeiros para o desligamento e a inauguração de uma nova fábrica na cidade – a da Nissan, em abril – abriu novas oportunidades a estes trabalhadores.
A MAN afirma ainda que os funcionários que não se desligaram da empresa terão seu casos analisados individualmente e a “situação do mercado será levada em conta nessa análise”. Outros cem trabalhadores foram colocados em lay off desde a segunda-feira, 3, por cinco meses.
Já a Mercedes-Benz tem PDV aberto em São Bernardo do Campo, SP, até 25 de agosto. A montadora não revela a meta que deseja alcançar com a medida, porém cerca de 1,2 mil trabalhadores estão em lay off desde 1º de julho – a previsão é de que retornem às linhas em 30 de novembro. A fábrica possui 10,5 mil funcionários. Em Juiz de Fora, MG, a Mercedes-Benz afastará 158 trabalhadores a partir de 18 de agosto, com retorno previsto apenas para janeiro do ano que vem.
Já a Iveco, que conta com 3,7 mil funcionários, implantou uma parada técnica e decidiu deixar em casa 1,5 mil trabalhadores da unidade de Sete Lagoas, MG. Os funcionários da linha de caminhões pesados ficarão afastados de 4 a 20 deste mês e os da linha de veículos leves não trabalharão de 4 a 15 de agosto. Em abril a Iveco concedeu férias coletivas para quinhentos empregados. Em junho, foram mais dez dias de parada técnica para oitocentos trabalhadores.
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