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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Brasileiros eram enviados como 'escravos' por igreja dos EUA, dizem ex-membros

Juliana Oliveira, ex-membro da Word of Faith Fellowship (Associação Palavra da Fé) chora durante entrevista em Betim, em Minas Gerais (Foto: Silvia Izquierdo/ AP)

Quando Andre Oliveira respondeu a um chamado para deixar sua congregação vinculada com a Word of Faith Fellowship (Associação Palavra da Fé) no Brasil e se mudar para a igreja sede na Carolina do Norte, aos 18 anos de idade, seu passaporte e dinheiro foram confiscados pelos líderes da igreja - para proteção, segundo os líderes.
Preso em um país estrangeiro, ele disse que foi forçado a trabalhar 15 horas por dia, geralmente sem remuneração, primeiro limpando casas para a igreja evangélica secretamente e depois trabalhando nas propriedades dos ministros sêniores. Ele conta que qualquer desvio nas regras os colocava sob a ira dos líderes da igreja, regras que variavam de espancamentos a humilhações no púlpito. “Eles nos traficaram para cá. Eles sabiam o que estavam fazendo. Precisavam de mão-de-obra, e nós éramos mão-de-obra barata - ou melhor, mão-de-obra gratuita”, diz Oliveira.
Uma investigação da Associated Press descobriu que a Word of Faith Fellowship usou seus dois ramos da igreja na maior nação da América Latina como canal para um fluxo contínuo de jovens trabalhadores, que tinham vistos de turistas ou estudantes, para a sua propriedade de 14 hectares na zona rural de Spindale, na Carolina do Norte.
Segundo as leis dos EUA, os visitantes com visto de turista são proibidos de realizar trabalho pelo qual as pessoas normalmente seriam remuneradas. As pessoas com visto de estudantes têm permissão para alguns trabalhos, em circunstâncias que não correspondem às que aconteciam na Word of Faith Fellowship, conforme a AP revelou.
Em pelo menos uma ocasião, os membros antigos alertaram as autoridades. Em 2014, três ex-congregantes disseram a uma procuradora assistente dos EUA que os brasileiros estavam sendo forçados a trabalhar sem remuneração, de acordo com um registro obtido pela AP.
Brasileiros eram enviados como

Eles nos mantinham como escravos', disse Oliveira  Foto: AP Photo/Mitch Weiss
“E eles espancaram os brasileiros?” Jill Rose, agora procuradora dos EUA em Charlote, perguntou. “Não há dúvidas”, respondeu um dos congregantes antigos. Os ministros “na maioria das vezes traziam eles para cá para trabalho gratuito”, outro disse.
Embora Rose prometesse investigação, os membros antigos disseram que ela nunca respondeu quando eles repetidamente tentavam contato com ela nos meses que antecediam a reunião. Rose se recusou a comentar para a AP, alegando uma investigação em andamento.
Oliveira, que abandonou a igreja no ano passado, é um dos 16 membros antigos brasileiros que contaram à AP que foram forçados a trabalhar, frequentemente sem remuneração, e foram agredidos física ou verbalmente. A AP também analisou uma série de relatórios policiais e queixas formais apresentadas no Brasil sobre as condições adversas da igreja.
“Eles nos mantinham como escravos”, disse Oliveira, pausando às vezes para secar as lágrimas. “Nós éramos descartáveis. Não significávamos nada para eles. Nada. Como podem fazer aquilo com pessoas - declarar seu amor a elas e depois bater nelas em nome de Deus?”
Os brasileiros frequentemente falavam pouco inglês quando chegaram e muitos tiveram seus passaportes apreendidos. Muitos homens trabalharam no setor de construção; muitas mulheres trabalharam como babás e na escola da igreja, contaram os membros antigos. Uma ex-congregante do Brasil disse à AP que ela tinha apenas 12 anos quando teve de trabalhar pela primeira vez.
Os agentes da imigração nos dois países disseram ser impossível calcular o volume do fluxo de humanos, mas pelo menos várias centenas de jovens brasileiros migraram para a Carolina do Norte nas últimas duas décadas, com base nas entrevistas com os membros antigos.
Mitch Weiss, Holbrook Mohr e Peter Prengaman, Associated Press
24 Julho 2017 | 17h05

Brasileiros eram enviados como
Word of Faith Fellowship em São Joaquim de Bicas (MG) Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Quando Andre Oliveira respondeu a um chamado para deixar sua congregação vinculada com a Word of Faith Fellowship (Associação Palavra da Fé) no Brasil e se mudar para a igreja sede na Carolina do Norte, aos 18 anos de idade, seu passaporte e dinheiro foram confiscados pelos líderes da igreja - para proteção, segundo os líderes.
Preso em um país estrangeiro, ele disse que foi forçado a trabalhar 15 horas por dia, geralmente sem remuneração, primeiro limpando casas para a igreja evangélica secretamente e depois trabalhando nas propriedades dos ministros sêniores. Ele conta que qualquer desvio nas regras os colocava sob a ira dos líderes da igreja, regras que variavam de espancamentos a humilhações no púlpito. “Eles nos traficaram para cá. Eles sabiam o que estavam fazendo. Precisavam de mão-de-obra, e nós éramos mão-de-obra barata - ou melhor, mão-de-obra gratuita”, diz Oliveira.
Uma investigação da Associated Press descobriu que a Word of Faith Fellowship usou seus dois ramos da igreja na maior nação da América Latina como canal para um fluxo contínuo de jovens trabalhadores, que tinham vistos de turistas ou estudantes, para a sua propriedade de 14 hectares na zona rural de Spindale, na Carolina do Norte.
Segundo as leis dos EUA, os visitantes com visto de turista são proibidos de realizar trabalho pelo qual as pessoas normalmente seriam remuneradas. As pessoas com visto de estudantes têm permissão para alguns trabalhos, em circunstâncias que não correspondem às que aconteciam na Word of Faith Fellowship, conforme a AP revelou.
Em pelo menos uma ocasião, os membros antigos alertaram as autoridades. Em 2014, três ex-congregantes disseram a uma procuradora assistente dos EUA que os brasileiros estavam sendo forçados a trabalhar sem remuneração, de acordo com um registro obtido pela AP.

Brasileiros eram enviados como
'Eles nos mantinham como escravos', disse Oliveira  Foto: AP Photo/Mitch Weiss
“E eles espancaram os brasileiros?” Jill Rose, agora procuradora dos EUA em Charlote, perguntou. “Não há dúvidas”, respondeu um dos congregantes antigos. Os ministros “na maioria das vezes traziam eles para cá para trabalho gratuito”, outro disse.
Embora Rose prometesse investigação, os membros antigos disseram que ela nunca respondeu quando eles repetidamente tentavam contato com ela nos meses que antecediam a reunião. Rose se recusou a comentar para a AP, alegando uma investigação em andamento.
Oliveira, que abandonou a igreja no ano passado, é um dos 16 membros antigos brasileiros que contaram à AP que foram forçados a trabalhar, frequentemente sem remuneração, e foram agredidos física ou verbalmente. A AP também analisou uma série de relatórios policiais e queixas formais apresentadas no Brasil sobre as condições adversas da igreja.
“Eles nos mantinham como escravos”, disse Oliveira, pausando às vezes para secar as lágrimas. “Nós éramos descartáveis. Não significávamos nada para eles. Nada. Como podem fazer aquilo com pessoas - declarar seu amor a elas e depois bater nelas em nome de Deus?”
Os brasileiros frequentemente falavam pouco inglês quando chegaram e muitos tiveram seus passaportes apreendidos. Muitos homens trabalharam no setor de construção; muitas mulheres trabalharam como babás e na escola da igreja, contaram os membros antigos. Uma ex-congregante do Brasil disse à AP que ela tinha apenas 12 anos quando teve de trabalhar pela primeira vez.
Os agentes da imigração nos dois países disseram ser impossível calcular o volume do fluxo de humanos, mas pelo menos várias centenas de jovens brasileiros migraram para a Carolina do Norte nas últimas duas décadas, com base nas entrevistas com os membros antigos.



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Igreja dos Estados Unidos gera medo e destroça famílias no Brasil
As revelações de trabalho forçado são as mais recentes de uma investigação em andamento da AP que expõe anos de abuso na Word of Faith Fellowship. Com base em entrevistas exclusivas com 43 membros antigos, documentos e registros secretos, a APdivulgou em fevereiro que os congregantes eram regularmente golpeados, surrados e sufocados para que fossem “purificados” dos pecados ao derrotarem os demônios.
A igreja raramente sofreu sanções desde a fundação em 1979 pela líder da seita, Jane Whaley, uma antiga professora de matemática, e seu marido, Sam. Outra matéria anterior da AP descreve como os líderes da igreja ordenaram que os congregantes mentissem às autoridades que investigavam relatos de abuso.
AP fez tentativas repetidas para obter comentários desta história com os líderes da igreja nos dois países, mas eles não responderam.
Sob a liderança de Jane Whaley, a Word of Faith Fellowship cresceu de poucos seguidores para cerca de 750 congregantes na Carolina do Norte e um total de quase 2000 membros nas suas igrejas no Brasil e em Gana e suas afiliações na Suécia, Escócia e outros países.
Os membros de todo o mundo visitam a propriedade de Spindale, mas o Brasil é a maior fonte de trabalho estrangeiro, e Jane e seus principais delegados visitam os postos avançados brasileiros várias vezes ao ano, descobruiu a AP
O membro antigo Thiago Silva disse que estava entusiasmado quando embarcou em um avião na cidade brasileira de Belo Horizonte para voar para o seminário de jovens da Word of Faith na Carolina do Norte em 2001. Ele tinha 18 anos e esperava usar seu visto de turista para conhecer novas pessoas e visitar os EUA. 
Ele disse que aprendeu rápido que “não haveria felicidade”. “Os brasileiros vêm para cá para trabalhar. Estou dizendo, é isso”, disse Silva. Ele chamou o tratamento de “uma violação aos direitos humanos”.
Silva, agora com 34 anos, declarou estar entre um grupo de brasileiros que trabalha ao lado de americanos - os locais eram pagos, os brasileiros não eram, ele conta. Silva e outros também disseram que Jane tinha total controle da vida dos congregantes nos dois continentes, ordenando o básico da vida diária, como onde eles morariam e quando poderiam comer - e até mesmo forçando alguns a se casarem com americanos para que pudessem permanecer no país.
A falta de liberdade era generalizada, eles disseram: Silva, por exemplo, disse que ele poderia telefonar para seus pais dos EUA apenas se alguém que falasse português monitorasse a ligação. “Não há livre arbítrio”, ele disse. “Existe o arbítrio da Jane”.
'EU SOFRI MUITO AQUI'
Durante duas décadas, a Word of Faith Fellowship absorveu duas igrejas no Brasil, Ministério Verbo Vivo na cidade São Joaquim de Bicas (MG) e Ministério Evangélico Comunidade Rhema em Franco da Rocha (SP). Durante suas visitas frequentes, Jane contava aos membros brasileiros do seu rebanho que eles poderiam melhorar suas vidas e suas relações com Deus com uma peregrinação à igreja sede, de acordo com vários dos entrevistados. A marca de adoração dos brasileiros era inferior, como ela frequentemente diria.
Além de estarem comprometidos com um nível mais alto da igreja, alguns dizem que eles também eram atraídos pela chance de frequentar a faculdade, aprender inglês, conhecer um pouco dos EUA. Outros dizem que sentiram que simplesmente não tinham escolha.
Durante todo o tempo, as regras rígidas instauradas em Spindale foram impostas no Brasil, o que levou a queixas à polícia revisadas pela AP e uma audiência legislativa em 2009. Mas a Word of Faith nunca enfrentou qualquer censura oficial - muitas das alegações perduram pela palavra de ex-membros contra a igreja - e o fluxo de humanos continuava a fluir, mesmo que os pais brasileiros dissessem que estavam sendo completamente isolados dos seus filhos na Carolina do Norte.
Chamada de “rebelde” porque ela respondia aos pastores quando criança, Elizabeth Oliveira, que não é parente de Andre, contou à AP que frequentemente era mantida em isolamento durante dias em cada vez em várias casas de ministros em São Joaquim de Bicas.
Ser enviada para os EUA era a maneira de “corrigir” o mau comportamento dela. Ela disse que tinha 12 anos quando foi enviada pela primeira vez para Spindale e imediatamente foi colocada para trabalhar. Ela ajudava na escola durante o dia, depois costurava roupas e era babá à noite, algumas vezes até bem depois da meia-noite, disse Elizabeth. Ela disse que nunca recebeu remuneração.
Agora aos 21 anos e estudando medicina em Belo Horizonte, Elizabeth disse que rompeu com a igreja após sua oitava viagem à Spindale.
“Eu sofri muito lá”, ela disse, “Quando fiz 18 anos, saí e me disseram de novo que eu morreria sozinha no mundo e iria para o inferno.”
Brasileiros eram enviados como

Ana disse que trabalhou em período integral sem remuneração Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Ana Albuquerque viajou do Brasil para Spindale 11 vezes durante mais de uma década, começando aos 5 anos com seus pais. Durante este tempo, ela disse que testemunhou tantos gritos e empurrões para “expulsar demônios” que começou a achar o comportamento normal.
Nas suas últimas três viagens, ela ingressou em um grupo de duas dezenas com outros adolescentes brasileiros que permaneciam até seis meses com vistos de turistas. “Eles chegavam e diziam: ‘Você vai conhecer os Estados Unidos da América. Você vai para todos os shoppings’”, ela conta. “Mas quando você chega lá, tudo é controlado.” Ana, agora com 25 anos, disse que trabalhou em
período integral sem remuneração - como auxiliar de professor na escola durante o dia e babá de crianças de congregantes à noite.
O julgamento aconteceu durante sua última viagem, quando tinha 16 anos. Ana contou que Jane e outro ministro a espancavam repetidamente com um pedaço de madeira enquanto gritavam que ela estava “suja” e possuída pelo demônio.
“Ore para isso sair de você!” Ana se lembrou de ser exortada durante uma sessão que durou 40 minutos. Durante as últimas duas semanas em Spindale, Ana disse que aguentou dias de isolamento forçado, leitura da Bíblia, ameaças de ser internada em hospital psiquiátrico e proibições feitas por Jane de ligar para os pais. Finalmente permitiram que ela voltasse ao Brasil, onde ela deixou a igreja. 
Luiz Pires disse que tinha 18 anos em 2006 quando foi incentivado pelos ministros da igreja de São Joaquim de Bicas a viajar para a Carolina do Norte para aperfeiçoamento espiritual. Na chegada, ele disse que encontrou condições de vida “horríveis”, com o porão de uma casa do líder da igreja lotado com oito pessoas forçadas a trabalharem por muitas horas em empreendimentos comerciais relacionados à igreja. Todo pagamento era para arcar com as despesas de subsistência, diz Pires, apesar do fato de que ele e outros limpavam e faziam trabalho de jardinagem na casa dos membros onde eles moravam.
“Nunca tínhamos tempo de descansar. Sempre estávamos trabalhando como escravos”, ele disse.
O congregante antigo Jay Plummer supervisionou o remodelamento de projetos para um empreendimento comercial do líder da igreja e confirmou que os colegas de trabalho americanos eram remunerados enquanto os brasileiros que trabalhavam com eles não recebiam.
“Eles trabalhavam por quarto e alimentação e não tinham escolha”, Plummer disse à AP. “E quando eles não queriam trabalhar e verbalizavam isso, eles só arrumavam confusão.” Paulo Henrique Barbosa ouviu histórias de terror sobre a vida em Spindale. Mas a influência da seita era tão grande que ele disse que sentia que deveria aceitar quando os líderes da igreja em Franco da Rocha - apoiados pelos seus pais - disseram para ele viajar para Spindale em 2011, quando tinha 17 anos.
Os pastores diziam que ele violaria a vontade de Deus caso se recusasse. “Todos sabiam que essas viagens não eram de turismo”, disse Barbosa, agora com 23 anos e trabalhando em tecnologia de informação em São Paulo. “Eu não queria ir, mas não tive escolha.”
Em Spindale, as condições eram piores do que temia, ele disse: Por seis meses, ele ajudava na escola pela manhã e trabalhava na construção à tarde e à noite, algumas vezes até 1 da manhã. Nunca recebeu remuneração, ele disse.
A igreja controlava tudo o que ele fazia, disse Barbosa, até proibir lanches entre as refeições. Televisão, música e alguns produtos de marca eram proibidos.
Barbosa disse que também dormia no porão com cerca de outros 15 homens jovens. Era proibido falar português.
Todos que permanecessem no banheiro por mais do que os cinco minutos permitidos eram suspensos por cometer o “pecado” da masturbação e Jane seria chamada à casa para decretar a punição.
Se algum dos homens parecesse ter tido um “sonho impuro”, Barbosa disse que todos seriam acordados, era exigido que o cercasse e repetidamente chacoalhasse e gritasse em suas orelhas para “expulsar os demônios”, uma prática da Word of Faith chamada de “explosão”.
Barbosa conta que ele pediu para voltar ao Brasil muitas vezes, “mas eles sempre me diziam que não, que era a vontade de Deus que eu permanecesse”.
Partir por conta própria era impossível, disse Barbosa. Ele aterrissou em Charlotte, mais de uma hora de Spindale, e não tinha carro e pouco dinheiro. Ele não conhecia ninguém fora da igreja e não falava inglês. Tinha permissão para voltar para o Brasil apenas quando o visto de turista de seis meses vencesse. 
“Desde a infância, você é treinado para acreditar que deixar a igreja significaria ir para o inferno, ter câncer ou aids”, ele disse.
Brasileiros eram enviados como

Jane Whaley com crianças na igreja em Spindale  Foto: AP Photo
VIOLAÇÕES DE VISTO
A investigação da AP documentou abusos repetidos em relação aos vistos de turista e estudante obtidos por membros brasileiros da igreja. Os brasileiros muitas vezes chegavam primeiro na Carolina do Norte com vistos de turista por seis meses para exercerem funções na igreja, às vezes 20 ou 30 por vez. Alguns brasileiros sairiam após poucas semanas, outros permaneceriam pelo prazo inteiro.
Talvez para burlar as regras contra o emprego, os líderes da igreja às vezes os encaminhavam para projetos de trabalho forçado como “trabalho voluntário”, de acordo com os brasileiros entrevistados nos dois países. 
Esse trabalho incluía derrubar paredes e instalar drywall em apartamentos de propriedade e alugados por um ministro sênior da igreja e membros da família, eles dizem.
Ross Eisenbrey do Instituto de Política Econômica, de Washington, D.C., disse que as propriedades alugadas são “empreendimentos com fins lucrativos para os quais os imigrantes não poderiam ser voluntários” segundo a Lei de Normas de Trabalho Justo.
Alguns dos entrevistados disseram que eram atraídos para os EUA em parte por promessas de conseguir fazer faculdade, mas não conseguiam estudar ou ir às aulas por causa dos horários da punição com trabalho.
“Tinha vezes que eu terminava às 4 da manhã e sabia que tinha que acordar às 8 para trabalhar. Eu ficava lá, olhando os livros. Mas como se concentrar? Estava muito cansado”, disse Andre Oliveira. 
Os congregantes antigos dizem que mais brasileiros vieram com vistos de turista, e várias centenas de adolescentes permaneceram por longos períodos.
A experiência de Andre Oliveira, agora com 24 anos, é um exemplo. Após a primeira viagem para Spindale em 2009, ele disse que demorou meses para conseguir a permissão para voltar ao Brasil. De volta para casa, ele disse que ele e outros foram forçados a se mudarem para a casa do ministro, onde trabalhou como faxineiro por meses até que disseram que “era a vontade de Deus ele visitar Spindale, desta vez, com um visto de estudante.”
Quando ele voltou à Carolina do Norte, os ministros novamente tomaram seu passaporte e colocaram-no para trabalhar em empresas de propriedade dos ministros da igreja, ele conta. Ele foi a poucas aulas na faculdade, mas não tinha tempo de estudar. “Um dia típico começaria assim: Eu começaria a trabalhar às 9h da manhã e terminaria 15 ou 16 horas depois, algumas vezes mais tempo”, ele disse. “Não parávamos.” Oliveira e outros disseram que tinham pouca escolha, mas obedeciam às ordens.
“Nós sabíamos o que aconteceria: gritariam, criticariam e bateriam em nós. E o que você vai fazer? Você não tem para onde ir. Você não fala o idioma. Você não tem documentos. Então, você trabalha”, disse Oliveira. 
“Eu era trabalhadora escrava”, acrescenta Rebeca Melo, de 29 anos, que cresceu na igreja no Brasil e visitou os EUA cerca de 10 vezes para funções religiosas e viagens com a família. Essas visitas incluíam passeios de compras, mas ela disse que as coisas foram muito diferentes quando se mudou para Spindale com visto de estudante em 2009.
“Eu não queria me mudar para lá. Jane disse que era a vontade de Deus”, ela contou para a AP. Rebeca disse que o passaporte foi retido e rapidamente ela foi colocada para trabalhar. Apesar do visto de estudante, os funcionários da igreja eram claros sobre a escola não ser o foco, ela revela. Ela conta que os vistos de estudante eram apenas uma “justificativa para nós estarmos lá  legalmente”.
CASAMENTOS ARRANJADOS
A marca do “amor” de Jane também desempenhou uma função importante em atrair homens brasileiros para Spindale e mantê-los lá quando seus vistos vencessem, de acordo com 10 membros antigos da igreja. 
Alguns dos entrevistados falaram que homens brasileiros - bem como os membros da igreja de vários outros países - conseguiam green cards para residência permanente e poderiam trabalhar legalmente por serem “casados” com uma mulher congregante americana.
É ilegal simular um casamento com o objetivo de burlar as leis de imigração dos EUA.
Os casamentos arranjados também revelam o fato de a congregação de Spindale ter mais mulheres solteiras que homens, dizem os ex-membros. Segundo as regras de Jane, não era permitido que os congregantes saíssem com pessoas de fora da igreja, muito menos se casarem.
“Eu posso me lembrar de pelo menos cinco ou seis rapazes brasileiros que se mudaram para cá para se casar com uma americana”, disse Rebeca. “Eles nunca, jamais, considerariam deixar você se encontrar com alguém de fora da igreja.”
Silva disse que Jane com frequência dizia para as pessoas que ela ouvia de Deus que eles deveriam se casar ou usava mão de ferro sobre as vidas dos membros para organizar os relacionamentos.
Silva se lembrou de um casal jovem brasileiro apaixonado que não poderia permanecer nos EUA após o vencimento dos vistos se eles se casassem. Jane queria manter o homem em Spindale, dizendo para ele que era a “vontade de Deus” que ele se casasse com uma americana, disse Silva.
Com seu tempo de visto acabando, Andre Oliveira pediu aos líderes da igreja que encontrassem uma noiva para ele. 
À americana Kim Rooper, que ingressou na igreja de Spindale, foi solicitado que se casasse com um homem do Equador cujo visto estava vencendo.
Kim, que agora mora em Tampa, Flórida, disse que foi orientada sobre como fazer o casamento parecer legítimo para as autoridades de imigração, por exemplo, tendo um álbum de fotos do casal.
“Chegou o momento de consumar o casamento e eu lutei contra isso”, ela disse. “Eu passei por um período difícil porque eu não o amava nem sentia atração por ele.”
Os líderes da igreja disseram para ela que era a “vontade de Deus” ser submissa ao seu marido, disse Kim. “E foi quando eu soube que eu tinha de escapar”, ela conta.
fonte: Estadão

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