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Cosplay, arte de transformar à magia e dar vida aos seus personagens


Existem muitas maneiras pelas quais os fãs têm demonstrado seu apoio e apreço às obras da cultura pop. Talvez uma das mais explicitas e populares nos dias atuais seja o cosplay. Contração das palavras em inglês costume (traje/fantasiaplay / roleplay (brincadeira, interpretação), o cosplay é um hobby que consiste em fantasiar-se de personagens pertencentes, em grande parte, ao vasto universo do entretenimento, como games, quadrinhos, filmes, séries de TV, livros e animações. Em menor escala há aqueles que caracterizam-se como figuras históricas ou a partir de criações originais.
Uma das principais características do cosplay é que o praticante além de criar os trajes, também interpreta o personagem caracterizado, reproduzindo os traços de personalidade como postura, falas e poses típicas. O hobby costuma ser praticado em eventos que reúnem fãs desse universo, como convenções de anime e games.

Aos olhares desavisados a brincadeira pode parecer um tanto excêntrica, muitas vezes retratada de forma indevida e repleta de esteriótipos sobre o perfil daqueles que a praticam. Com uma visão superficial, é facil confundir o cosplay como sendo um "estilo de vida", quando se trata apenas de um hobby. No entanto basta conhecer esse universo mais a fundo para perceber que seus praticantes revelam-se pessoas comuns, que tem um dia-a-dia tão normal quanto qualquer outro. O que os diferencia no entanto, é sua capacidade de trazer para a realidade momentos e figuras do mundo da fantasia e ficção que causam tanto fascínio entre o público. Longe de serem reclusos e isolados, os adeptos do cosplay mostram-se, em geral, altamente sociáveis; ao contrário de uma atividade meramente escapista, a prática do cosplay exige preceitos sólidos como organização, capacidade de superar desafios, explorar a criatividade e o potencial artístico nas caracterizações.

Origem

Talvez o registro mais antigo das origens do cosplay remonta à 1908, onde William A. Fell e sua esposa participaram de um baile de máscaras realizado em uma pista de patinação, vestidos como os personagens "Sr. Skygack e Srta. Dillpickles", publicados no jornal Chicago Day Book. Fãs do personagem alienígena Mr. Skygack, criado pelo cartunista  A.D. Condo em 1907, foram talvez a primeira manifestação do que podemos chamar de fandom. No entanto, a  história do cosplay, como um hobby está intimamente ligada à história das convenções de ficção científica nos Estados Unidos, e o primeiro exemplo moderno dessa prática ocorreu em 1939, durante a 1ª World Science Fiction Convention, ou Worldcon, em New York, quando um jovem de 22 anos chamado Forrest J. Ackerman, e sua amiga Myrtle R. Douglas compareceram ao evento como os únicos fantasiados entre um público de 185 pessoas. Ackerman, que anos mais tarde se tornaria um dos nomes mais influentes do fandom e produção literária de ficção científica, usava um rústico traje de piloto espacial o qual chamou de "futuricostume", e Myrtle estava caracterizada com um vestido inspirado no filme clássico de 1936 "Things to Come", baseado na obra de H.G. Wells. Ambos causaram agitação entre o público, resultando em um clima de estreitamento entre a ficção e a realidade que mudou pra sempre a cara das convenções do gênero. As fantasias da dupla, confeccionadas por Myrtle, ou "Morojo", como era conhecida, fizeram tanto sucesso que no ano seguinte dezenas de fãs compareceram à convenção em trajes de ficção científica.

A prática cresceu ao longo do tempo, levando ao surgimento dos masquerades, concursos que não se limitavam a exibir as fantasias, mas permitiam aos participantes realizar apresentações criativas e que entretiam o público.O hobby de fãs fantasiados ficou conhecido pelo termo costuming ou fan costuming, e esteve confinado às convenções de ficção científica, essencialmente na América do Norte, por várias décadas. Em 1983 Nobuyuki Takahashi, fundador do estúdio editorial e de design visual Studio Hard Deluxe, publicou na edição de junho da revista My Anime,  um artigo que a palavra Cosplay aparecia pela prmeira vez. O artigo falavra sobre os fãs que se vestiram como personagens de mangá e anime na convenção Comiket em Tóquio. Em 1984 Takahashi visitou a Worldcon, em Los Angeles, e continuou publicando a respeito. Nos anos seguintes já era possível encontrar centenas de fãs fantasiados nas convenções japonesas, e a prática de se caracterizar como personagens de anime e mangás tornou-se um verdadeiro fenômeno no país. Tal sucesso fez surgir lojas, publicações e profissionais especializados no hobby, criando uma verdadeira indústria do cosplay no Japão.

Na década de 90, com a explosão do anime pelo mundo, o cosplay foi reintroduzido nos Estados Unidos, dessa vez em uma escala muito maior. O termo popularizou-se rapidamente através das dezenas de convenções de anime que surgiram no país, levando muitos dos novos praticantes - ou "cosplayers", a acreditarem errôneamente que o hobby havia sido criado no Japão, quando na verdade os EUA já possuiam uma tradição de quase meio século. Devido a isso, por muitos anos o termo cosplay foi usado nos EUA  para se referir exclusivamente às caracterizações de animes, games ou mangas japoneses, enquanto o termo mais tradicional "costuming" era usado em relação às fantasias de sci-fi ou de obras ocidentais. 

Apesar do Japão ter importado essa subcultura dos EUA , existem algumas diferenças na forma que o hobby é praticado nos dois países. Os norte-americanos ainda hoje seguem o modelo criado no Worldcon, onde os cosplayers criam suas próprias fantasias e competem em convenções de fãs. Além disso, fantasias originais são bem-vindas e incentivadas. No Japão o cosplay envolve caracterizar-se como um personagem pré-existente, mesmo que a origem não seja de anime ou mangá. Desse modo, o foco é parecer o mais fiel possível. Como se trata essencialmente de reproduzir com fidelidade um determinado personagem, não há nenhuma ênfase na criação de fantasias originais ou que os trajes sejam confeccionados pelos cosplayers. Também vale citar que o Japão não possui os mesmos tipos de competições que os norte-americanos, e a principal atividade relacionada ao cosplay nipônico é reunir-se em grupos e fazer sessões de fotos. Por fim, o cosplay é um hobby praticado predominantemente por jovens mulheres no Japão, enquanto nos EUA sua prática é ampla em ambos os sexos e em diversas idades.

Forrest J. Ackerman,  o pioneiro de 1939, consagrou-se  como um renomado editor de publicações de ficção científica e se tornou um lendário colecionador de itens relacionados, além de ser o criador da personagem de quadrinhos Vampirella. Ackerman também foi agente literário de Isaac Asimov, e serviu de inspiração para nomes como Steven Spielberg, Stephen King e George Lucas. Faleceu no dia 4 de dezembro de 2008, aos 92 anos, deixando um legado inestimável para o mundo da ficção científica, terror clássico, fantasia e toda a cultura que surgiu desse universo, como o cosplay. Foi extremamente influente não somente na origem, organização e no crescimento do movimento de fãs, mas também desempenhou um papel fundamental no processo de aceitação e assimilação pelo grande público daquilo que denominou como "sci-fi", consagrando a ficção científica como forma de arte respeitada, seja na literatura, filmes e outras mídias.

Cosplay no Brasil

Embora existam relatos da presença de fãs fantasiados em convenções de Jornada nas Estrelas já em meados da década de 80, e posteriormente em encontros de jogadores de RPG e fãs de animes em 1994, acredita-se que o cosplay, como um hobby, chegou ao Brasil por volta de 1996, junto com a primeira convenção de animes do país, o Mangacon. Realizado na cidade de São Paulo pela ABRADEMI - Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, o evento é considerado o marco inicial da difusão do cosplay no Brasil, sendo realizado em um período de redescobrimento dos animes na televisão brasileira. Ao longo dos anos a prática do cosplay cresceu de forma exponencial, espalhando-se por todas as regiões do país.
A forma que o cosplay é praticado no Brasil caracteriza-se por uma mistura do modelo americano e japonês. O conceito norte-americano do masquerade foi importado e adaptado tornando-se o tradicional concurso de cosplay das convenções de anime brasileiras. De influência japonesa, podemos citar a predominância de fantasias inspiradas em animes, mangas e games nos primeiros anos da prática deste hobby no Brasil, e o foco na busca pela fidelidade da caracterização, ao contrário da liberdade de customização que é comum nos praticantes norte-americanos.
Atualmente existem milhares de praticantes espalhados pelo país, e os maiores eventos que reúnem fãs do hobby chegam a alcançar um público de mais de 200 mil pessoas.

 

Créditos; Welington França
Editor Cosplay Brasil

Referências:
 - Dr. John L. Flynn  -  Costume Fandom: All Dressed Up with Some Place to Go! -  Costuming for Fun and Fandom. Starlog June 1989: 53-56. 
 - Arquivo Cosplay Brasil


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