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Inovar-Auto, os desafios do setor automotivo até 2017












Passados quase dois anos da implantação do Inovar-Auto, as empresas que aderiram ao regime que regula o desenvolvimento do setor automotivo ainda têm mais dúvidas do que soluções sobre como cumprir com todas as obrigações do programa até 2017. “Muitos assinaram o termo de adesão para abater os 30 pontos porcentuais de IPI, porque seria impossível permanecer no mercado com a sobretaxação, mas estão descobrindo que são enormes os investimentos necessários para alcançar todos os objetivos”, afirma Marcus Vinicius Aguiar, diretor executivo da Associação de Engenharia Automotiva (AEA) e coordenador do Simea, principal evento organizado pela entidade, que este ano terá o Inovar-Auto como tema central dos debates que acontecem nos dias 6 e 7 de agosto no WTC Events Center, em São Paulo. 

“Será uma boa oportunidade para informar as empresas sobre a evolução do Inovar-Auto e seus principais desafios daqui para frente”, resume Aguiar, que também é chefe do departamento de serviço técnico, legislativo e normativo do Grupo Fiat Chrysler América Latina. Para ele, os fabricantes de veículos e importadores que aderiram ao programa terão grandes dificuldades em cumprir todas as metas até 2017, especialmente no que diz respeito aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e níveis de eficiência energética. “O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) ficará cada vez mais rigoroso em auditar o cumprimento das metas e as perdas com multas para quem não cumprir podem ser significativas”, alerta. 

Segundo Aguiar, as maiores montadoras instaladas no País criaram comitês internos multidisciplinares, com integrantes dos departamentos de engenharia, manufatura, financeiro e jurídico, para discutir quase que semanalmente processos a adotar para enquadramento nas metas do Inovar-Auto. Ele admite que ainda falta regulamentar partes importantes do regime, como especialmente as regras que esclarecem o que pode (e o que não pode) ser considerado investimento em pesquisa e desenvolvimento. A AEA encabeça a elaboração de uma cartilha sobre o tema que será tornada oficial pelo MDIC. “Discutimos com todas as empresas e o governo, mas o documento está quase pronto, é provável que vamos apresentar a versão final em setembro”, diz o executivo. 

Outro tema importante do Inovar-Auto é a rastreabilidade das autopeças, para monitorar o grau de nacionalização de cada componente. O programa do governo prevê que somente o valor gasto com compras de peças realmente produzidas no País pode ser abatido dos 30 pontos de IPI. “Ainda não temos prazo para a implantação da rastreabilidade, mas as maiores montadoras já estão fazendo isso, para estar preparadas”, diz Aguiar.




SIMEA 

Essas deverão ser as principais questões debatidas nos três painéis centrais durante a 22ª edição do Simea. No dia 6 pela manhã, o primeiro painel discutirá o “Inovar-Auto como Política de Inovação do Setor Automotivo”, com a participação de Marcos Saltini, vice-presidente da Anfavea; Sérgio Pin, conselheiro do Sindipeças; Morvam Duarte, diretor do Denatran; e de um representante do MDIC a ser confirmado.

Na tarde do dia 6 o segundo painel tem o tema “Efeitos Decorrentes do Inovar-Auto na Cadeia Automotiva”. Os participantes são Takao Iura, da Jama (associação dos fabricantes de veículos do Japão); Henry Joseph Júnior, vice-presidente da Anfavea; Heloisa Menezes, secretária de desenvolvimento da produção do MDIC; e Bruno Bragazza, diretor da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras). 

No dia 7 pela manhã acontece o terceiro e último painel sobre o regime automotivo, “O Programa Inovar-Auto na Prática”, com o relato de experiências práticas de Luis Curi, presidente da Chery Brasil; Gilmar Laignier, da Anfavea; e Christina Garcia, diretora da consultoria Inventta. 

Além dos painéis centrais de debate, o Simea também abrigará suas tradicionais seções técnicas. Este ano serão 73 apresentações de trabalhos de engenheiros e estudantes de diversas universidades. “São uma importante contribuição para o desenvolvimento do setor, muitos têm aplicação prática e são efetivamente adotados pelas empresas”, diz Aguiar. Ele explica que são recebidos todos os anos mais de uma centena de papers para o Simea e uma equipe de mais de 30 pessoas no Brasil e até no exterior faz a seleção dos que serão apresentados. O grupo é coordenado pelo professor Ronaldo Salvagni, coordenador do Centro de Engenharias Automotiva (CEA) da Poli-USP. 

As apresentações são divididas em 10 categorias: combustíveis e biocombustíveis, lubrificantes e aditivos, emissões, inspeção técnica veicular, ensaios e simulações, materiais e reciclagem, motores e transmissões, manufatura e processos, projeto e tecnologia do veículo e segurança veicular. O melhor trabalho será premiado no fim do evento.



fonte:http://www.automotivebusiness.com.br/noticia/20152/metas-do-inovar-auto-preocupam-empresas

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