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Uma volta ao mundo por 17 países sem sair do metrô de São Paulo

A imagem para o cartaz de abertura precisava possuir um elemento de “viagem” mais explícito. Por isso, escolhi a foto de um balão deslizando ao amanhecer na planície de Bagan. A imagem também aponta o contraste entre o moderno e o antigo; a cor flamejante alaranjada e o negro com seus marrons escuros; e as formas arredondadas e pontiagudas (Foto: © Haroldo Castro/Época  )

A imagem para o cartaz de abertura precisava possuir um elemento de “viagem” mais explícito. Por isso, escolhi a foto de um balão deslizando ao amanhecer na planície de Bagan. A imagem também aponta o contraste entre o moderno e o antigo; a cor flamejante alaranjada e o negro com seus marrons escuros; e as formas arredondadas e pontiagudas (Foto: © Haroldo Castro/Época )

Em junho passado, conversando no Facebook com Alberto, que regularmente curte as fotos que posto na minha página, ele sugeriu que eu fizesse uma exposição de fotografias no Metrô de São Paulo. Um pouco avesso às burocracias dos processos de seleção e mais ainda a buscar patrocinadores para uma mostra, deixei de lado a ideia.
Mas sempre quando entrava no chuveiro ou caminhava pela Lagoa – momentos perfeitos para divagação – a exposição voltava a se embrenhar na minha mente. Depois do livro “Luzes da África”, por que não mostrar as fotos, por exemplo, das “Luzes da Etiópia”? Ou melhor ainda, por que não escolher alguns países exóticos, com suas fotos mais espetaculares, para inspirar o usuário do Metrô a fazer uma grande viagem pelo planeta?
Foi assim que nasceu “Viajologia, a arte de viajar”, uma mostra de 35 imagens de 17 países de quatro continentes. Apesar de ter fotografado bastante a Europa, esta ficou de fora – e escolhi sete países africanos, seis asiáticos, três sul-americanos e um da Oceania. De Madagascar à Mongólia e do Chile ao Camboja, as fotos pretendem inspirar o público a dar uma volta ao mundo e conhecer algumas das maravilhas do planeta, como as pirâmides no deserto do Sudão, as festas tradicionais em Papua-Nova Guiné, os rituais religiosos da Etiópia ou a vida selvagem da Namíbia.
A mostra reúne algumas das minhas imagens preferidas, muitas já destacadas em crônicas e reportagens publicadas nos últimos anos. São fotos de templos antigos que me fizeram sonhar, de festas coloridas que provocaram surpresas, de pessoas emblemáticas que cliquei pelos caminhos e de uma vida selvagem que marcou meus passos por tantas terras. Como constante, procurei sempre sublinhar o belo, o digno e o inusitado de lugares especiais do planeta.
O processo de edição das imagens foi tão doloroso como rigoroso. Selecionar apenas duas imagens por país – a Etiópia é o único com três – significou cortar dezenas de fotos que tinham muita vontade de serem expostas. Alguns países africanos extremamente fotogênicos e sobre os quais tenho vasto material – como Marrocos e Líbia – acabaram ficando na lista de espera... e não entraram. O espaço era limitado: apenas 10 painéis, frente e verso.

Apesar de possuir belas fotos do Marrocos – como esse momento no curtume de Fez – o país acabou não entrando na seleção para a exposição (Foto: © Haroldo Castro/ÉPOCA)

Ao rever a escolha realizada notei que meu ecletismo espiritual continua marcante: coloquei lado a lado imagens de um ritual sufi muçulmano no Sudão, de uma vigília cristã ortodoxa, de diversos monges e templos budistas e até mesmo de um sacerdote quéchua peruano fazendo uma oração ao Sol em Machu Picchu.
Também constatei que o século XII foi uma época de apogeu em alguns dos países que visitei. Nesse mesmo período, foram construídas as igrejas monolíticas de Lalibela na Etiópia, o santuário hinduísta Angkor Wat no Camboja e milhares de pagodas budistas na planície de Bagan em Mianmar.
A exposição dos painéis estará dentro da estação Sé, entre as linhas 1 e 3 do metrô paulistano, até 30 de novembro. Em dezembro a mostra vai para a estação Clínicas e em janeiro para a estação Luz. 
 
O amigo Alberto Galvão Branco, que sugeriu a ideia da exposição, veio na abertura, assim como a comunicadora ambiental Paula Piccin. Na foto, painéis do Quênia e do Tibete (Foto: © Haroldo Castro/ÉPOCA)  

   amigo Alberto Galvão Branco, que sugeriu a ideia da exposição, veio na abertura, assim como a comunicadora ambiental Paula Piccin. Na foto, painéis do Quênia e do Tibete (Foto: © Haroldo Castro/ÉPOCA)

O ator Ricardo Rodrigues e a artista circense Lisa Gianetti observam os painéis da mostra – à esquerda, as imagens do Peru (Foto: © Haroldo Castro/ÉPOCA)     

Apesar de milhares de pessoas passarem pelo metrô diariamente, considero que uma exposição virtual, com informações dos bastidores, pode completar a mostra presencial. Assim, como “Viajologia, a arte de viajar” passeia por 17 países, faremos uma visita a cada um destes países e, em posts futuros, incluirei, além das duas imagens oficiais, algumas histórias adicionais e fotos que ameaçaram ser escaladas mas que, no último momento, perderam a vez.


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