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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Bolsonaro alfineta diferença salarial entre apresentadores do "Jornal Nacional"

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    Bolsonaro insinuou que Renata Vasconcellos ganha menos que Bonner; a jornalista respondeu que cabe a ela questionar o candidato, não o contrário

    Segundo candidato a presidência da República a ser entrevistado pelo Jornal Nacional , o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) respondeu, nesta terça-feira (28), a perguntas sobre diferença salarial entre homens e mulheres, possíveis atritos com seu assessor econômico e, como é de costume, sobre seu apoio à ditadura militar de 1964 e a “mais violência” para combater o violento quadro da segurança pública no Brasil.

    Logo em sua chegada na bancada do JN , Bolsonaro buscou descontrair: “Isso parece uma plataforma de tiro de artilharia”, disse ele. O tom da entrevista, contudo, seria mesmo o de embate. “Esteja certo de que não é”, respondeu o apresentador William Bonner.
    A primeira questão foi uma tentativa, por parte dos jornalistas, de enquadrar o candidato quanto ao seu discurso do “novo” na política. Já em seu 7º mandato e com filhos eleitos deputados, em que o militar reformado se diferenciaria de seus pares na Câmara?
    “A minha família é limpa na política”, respondeu o candidato, que afirmou, ainda, sempre ter ocupado o “baixo-clero” da Câmara. “Não tenho envolvimento em casos de corrupção. Estou na política há muito tempo e mantive a minha linha”, argumentou.
    Renata Vasconcellos , que protagonizaria o momento mais tenso da conversa, contudo, insistiu na questão: o que há de novo em aceitar receber auxílio-moradia mesmo possuindo um imóvel em Brasília?
    “Nunca recebi dinheiro de empresas para campanhas, sempre fiz minha campanha com o que consegui ao longo do mandato. Se não aprovei muitos projetos, evitei que outros projetos ruins fossem aprovados. E, por tabela, elegi meus filhos”, respondeu Jair. “Vão me desqualificar por receber o auxílio-moradia, que é legal?”, defende-se.
    Bonner, então, passou à economia. Se o candidato assume não entender do assunto, ele não corre o risco de se submeter às ideias e ao jugo de Paulo Guedes, seu “oráculo” no tema?
    O deputado federal, então, lançou mão de sua recorrente metáfora. “A relação com Paulo Guedes é quase que um casamento. Estou namorando o Guedes há um tempo, se por vontade dele ou minha não der certo, paciência. Acredito nas propostas dele”.
    Bonner , contudo, seguiu pressionando o candidato sobre possíveis desavenças com Guedes. O deputado, então, alfinetou o apresentador sobre sua separação de Fátima Bernardes, jornalista que compunha, antes, a bancada do JN.
    “Bonner, quando nós nos casamos, juramos fidelidade eterna, mas as coisas acontecem, o divórcio acontece”, disse.

    O momento mais tenso da entrevista se deu justamente como no debate presidencial da RedeTV!, quando Marina Silva emparedou o militar reformado. O assunto foi a desigualdade salarial entre homens e mulheres.Renata Vasconcellos relembrou uma frase do candidato, dita no programa da apresentadora Luciana Gimenez. Na ocasião, ele disse que não contrataria uma mulher pagando-a o mesmo salário que um homem.
    “Você viu, ouviu ou leu sobre isso?”, questionou o deputado. “Li, vi e ouvi”, respondeu, de pronto, Vasconcellos.
    Jair negou que tivesse dito a frase, e voltou a repetir que não compete ao presidente da República agir nesse setor. Foi então que ele emendou: “Não sei ao certo, mas o Bonner deve ganhar mais do que a senhora”.
    A jornalista respondeu, então, que como contribuinte do fisco ela é uma das que paga o salário de deputado de Bolsonaro, cabendo a ela questioná-lo, não o contrário. Ela afirmou, ainda, que para desempenhar a mesma função, não admitiria receber menos que um homem.
    Ainda tratando de economia, Bonner questionou o deputado sobre uma frase que ele disse no debate eleitoral da Band, segundo a qual o povo terá que escolher entre ter direitos trabalhistas, ou ter trabalho.
    “Os empresários é que tem dito isso”, respondeu o deputado federal. “Quem vai tirar não é o Executivo, é o Legislativo. Você não consegue produzir um prego de forma competitiva no Brasil. Não jogue a responsabilidade em cima de um candidato a presidência”, disse.
    Contrário à PEC das Domésticas aprovadas no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), o deputado afirmou que votou contra a lei “para proteger as domésticas”. De acordo com Jair, muitas mulheres e homens teriam perdido o emprego após a aprovação da medida. Bonner, contudo, alertou o deputado de que os dados do IBGE desmentem o que ele acabara de dizer – os empregos no setor não decresceram.
    Em seguida, o militar reformado foi perguntado sobre entrevistas em que proferiu frases homofóbicas. Ele respondeu, contudo, não ser homofóbico: seu objetivo, disse, é defender as crianças de uma suposta “doutrinação gay” nas escolas. Para o deputado, ainda, a pecha de homofóbico foi colada nele "pela imprensa". 
    “Um pai não quer chegar em casa e ver o filho brincando com boneca por influência da escola”, disse, acrescentando que “tem muito gay que é pai e é mãe e concorda comigo”.
    Por fim, os apresentadores trataram de segurança pública. O candidato voltou a defender que criminosos “não podem ser tratados como se fossem seres humanos”. Enervado, o deputado, ao gesticular, deixou ver, na palma de sua mão, novas anotações – como também aconteceu no debate da RedeTV!.
    Na última parte da entrevista, o deputado usou seu tempo para defender o golpe militar de 1964. Para ele, Hamilton Mourão, vice em sua chapa, deu “um alerta” à sociedade ao dizer que o Exército poder “impor uma solução” ao país. No meio de sua fala, em que citava um editorial do jornal O Globo  escrito por Roberto Marinho, que apoiou o golpe de 1964, Bolsonaro foi alertado por Bonner de que a entrevista chegara ao fim.




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