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As dificuldades e os desafios após a licença-maternidade

Júlia Rocha com o filho Arthur (Foto: Júlia Rocha/Arquivo pessoal)
Dar de mamar, colocar para dormir, aprender a descifrar choros e balbucios. É tudo novidade para as mães de primeira viagem, que precisam adaptar radicalmente a rotina nos primeiros meses em casa após a chegada de um bebê.
Mas e quando acaba a licença-maternidade? Mães que trabalham enfrentam um dilema. É melhor colocar o bebê na escolinha? Contratar uma babá? Deixar com familiares? Dar um tempo no emprego para ficar com a criança?
G1 ouviu seis mães recentes para saber como estão lidando com esse momento da vida familiar. Elas relataram suas dúvidas, as soluções muito diferentes que encontraram e os prós e contras de cada uma. Em comum, a vontade de acertar e uma descoberta: não existe uma fórmula. Depois de muita reflexão e frequentemente após tentativas e erros, cada uma acaba chegando à melhor solução possível para seu caso.Ao voltar a trabalhar após sete meses afastada de seu emprego, Carolina ficou na dúvida sobre deixar seu filho com uma babá ou em um berçário. Consultou a mãe e acabou optando pela escola. "Por ser pessoa jurídica, achei que seria mais seguro”, diz.
Ela diz que ficou satisfeita com a escolha e que Francisco se adaptou bem. “A parte ruim é que ele vive doente. É um caos", diz, rindo. "Mas fora isso é ótimo. Percebo que ele se desenvolveu muito pelo contato com os colegas”, afirma.Por ser autônoma, Elisa só conseguiu tirar três meses de licença após o parto. Como não encontrou um berçário que aceitasse bebês de menos de quatro meses, acabou deixando João com uma babá.
Nessa época, para facilitar a tarefa de cuidar do filho – e de amamentá-lo ao menos até os seis meses –, ela passou a trabalhar apenas meio horário. Diz que o esquema com a babá funcionou bem, mas quando o bebê fez 10 meses resolveu colocá-lo em uma escola.
Quando ele fica doente eu me questiono: será que eu paro de trabalhar? Mas para mim o trabalho faz bem. Sou privilegiada porque consegui um esquema de meio horário, mais flexível"
Elisa Bretas
“É fato que ele adoece bastante, ainda mais no inverno. Mas lá tem toda uma orientação profissional. A criança interage mais, tem uma supervisão melhor”, explica.
Elisa diz que não gostaria de parar de trabalhar totalmente. “Quando ele fica doente eu me questiono muito: será que eu paro? Mas para mim o trabalho faz bem. Sou privilegiada porque consegui um esquema de meio horário, mais flexível. Então consigo ser produtiva, ter meu dinheiro, meu convívio social, e ao mesmo tempo ficar com meu filho”, relata.
Grávida de sete meses, desta vez de uma menina, Elisa diz que pretende deixar a filha em uma creche, no futuro. “No primeiro filho a gente fica muito insegura. Você ouve de tudo, tem palpites por todos os lados. Mas não existe fórmula ideal. Acho que agora, no segundo filho, vai ser mais fácil”, afirma.Depois da licença-maternidade, Sophia foi voltando ao trabalho “em doses homeopáticas”. No início, para manter a amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses, combinou com a empresa de ficar no esquema "home office" (trabalhando de casa), indo até o local só para participar de algumas reuniões.
No início eu fazia 'home office' e, quando ia a reuniões, levava minha filha. O lugar onde eu trabalho foi muito receptivo e proporcionou uma logística favorável para que eu retomasse as atividades"
Sophia Picarelli
Nessas ocasiões, levava a pequena Lia. “Lá não é um megaescritório com ar condicionado. É um ambiente mais caseiro. Ela ficava lá, assistindo, dando as opiniões dela”, brinca. “Eu a deixava no carrinho, mas ela acabava passando de colo em colo. O pessoal curtia”
Sophia recomenda que as mães perguntem aos chefes sobre a possibilidade de readequar horários. "Pode ser bem vantajoso para mãe e empregador. O lugar onde eu trabalho foi muito receptivo e proporcionou uma logística favorável para que eu retomasse as atividades", diz.
Agora que Sophia vai diariamente ao escritório, adotou uma espécie de rodízio e deixa o bebê cada dia da semana com uma pessoa: a mãe, a sogra, uma empregada e uma babá. “É uma logística grande, mas está funcionando super bem. Não queria deixar no berçário tão novinha. Como tenho pessoas de confiança para me ajudar, deixá-la em casa é mais tranquilo para mim e para ela.”Para facilitar o esquema depois que voltou a trabalhar, Patrícia se mudou, no final da gravidez, para o mesmo bairro da cunhada dela, que hoje cuida de Estephani. Eles agora moram no mesmo terreno. “É ótimo. Tia tem amor duas vezes. E minha filha ama a tia, eu fico tranquila de deixá-la com ela”, diz.
Segundo Patrícia, não há conflitos em relação à forma de criar o bebê. “Ela cuida do jeito que eu cuido, sem muita frescura. Sempre concordo com ela porque ela tem mais experiência do que eu, porque tem dois filhos.”
A convivência de Estephani com os primos é outra vantagem, acredita Patrícia.  “Eles ficam brincando juntos. Minha filha está 100% feliz”, comemora.

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