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Tumulto, tapas, socos e chutes, lay-off na GM em S. Caetano do Sul (SP) é aprovado em assembléia

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
Em meio a tumulto, foi aprovada ontem a proposta da GM para colocar 900 funcionários da fábrica de São Caetano em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho), por cinco meses, a partir de segunda-feira. Com isso, o número de empregados afastados nessa unidade chega a 1.716. A medida foi proposta pela montadora na terça-feira como alternativa para interromper o processo de demissões, que, na semana passada, atingiu 150 trabalhadores.
Antes da assembleia, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, se envolveu em confusão com manifestantes contrários à conduta da entidade durante as negociações. Dois integrantes do grupo de oposição, ligados à CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), foram agredidos com tapas, socos e chutes e tiveram de ser socorridos. A Polícia Militar foi chamada para intervir e o caso foi parar na Delegacia-Sede da cidade.“Quem nos agrediu foi o Cidão e os seguranças dele. O Cidão deu um tapa no rosto do (José Roberto) Severino (que também faz parte do grupo oposicionista). Infelizmente, com eles não tem debate. A democracia não existe nesse sindicato”, criticou Ricardo Cadan, que encabeçou a chapa rival à de Cidão na eleição sindical encerrada em abril. A chapa de situação, filiada à Força Sindical, foi reeleita.
Cadan também foi agredido por pessoas que, segundo ele, integram a equipe de segurança do sindicalista. Ele e Severino foram feridos no rosto e, sangrando, foram encaminhados ao pronto-socorro.
O tumulto teve início por volta de 14h30, quando Cidão chegou ao local da assembleia, em frente ao portão 4 da montadora, na Avenida Goiás. Manifestantes opositores protestavam e portavam faixas com críticas ao sindicato. Foi então que começou breve discussão, terminada em pancadaria. “Essa assembleia é um teatro. Esse acordo já foi aprovado”, acrescentou Cadan, que também ironizou o fato de, na sexta-feira, o presidente da entidade estar nos Estados Unidos enquanto a montadora demitia trabalhadores na fábrica de São Caetano. Conforme Cidão, a viagem a Detroit ocorreu por conta de assinatura de termo no qual a montadora se compromete a investir, a partir deste ano, US$ 6 bilhões no Brasil, sendo a metade na planta do município.
Após a assembleia, o dirigente do sindicato foi questionado pela equipe do Diário e assumiu ter empurrado um dos opositores. “Eu não dei tapa em ninguém. Simplesmente ele me chamou de vagabundo e ignorante e eu o empurrei porque ele estava querendo me agredir.” Ele classifica a situação como “momentânea”. “Foi uma confusão generalizada e esses são incidentes que acontecem no dia a dia.”
Durante seu discurso, Cidão pediu união à categoria. “Este é o momento de cada um dar as mãos uns aos outros e buscar o melhor caminho para enfrentar esse cenário. Situação, oposição e quem quer que seja têm que se unir em prol de um objetivo comum, que é a defesa e a manutenção do emprego”, disse.
Sobre as acusações de que o acordo já estaria fechado com a empresa, o presidente rebateu. “O que saiu no jornal em nenhum momento eu falei que estava aprovado. Falei que dependia de referendo, de assembleia que seria no dia de hoje (ontem). Se os trabalhadores não aprovassem, aí sim a situação seria complicada”, afirmou, referindo-se à possibilidade de a montadora aumentar o número de demissões.
Na sexta-feira, 150 funcionários foram demitidos, sendo 100 que estavam em atividade e 50 que integravam grupo de 436 trabalhadores em licença remunerada desde o dia 5 de maio. Os 386 remanescentes da turma se somarão aos outros 514 que entrarão em lay-off a partir de segunda-feira. A GM não divulga informações precisas sobre os cortes na planta.
CAUSA
Os cortes e os afastamentos de funcionários na indústria automobilística são resultado do péssimo momento que o setor atravessa. O número de unidades produzidas no País no mês passado, 217,1 mil, é 14,5% inferior à produção de março e 21,7% menor do que o nível do mesmo período de 2014. Foi o pior abril do setor desde 2007, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
As vendas também tiveram queda acentuada. Em abril, 219,3 mil carros zero-quilômetro foram licenciados no País, 25,2% a menos do que no mesmo mês de 2014. Na comparação com março, a redução foi de 6,6%. Com isso, as indústrias estimam que sejam necessários 50 dias para que os estoques sejam esvaziados.

Número de afastados na planta chega a 1.719
A partir de segunda-feira, o número de funcionários em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) na fábrica da GM em São Caetano chegará a 1.719 – 16,5% do total de trabalhadores da unidade. Além da turma que ficará afastada entre maio e outubro, outro grupo, de 819 empregados, está fora de serviço desde o início de novembro.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, terá reunião com a direção da empresa na semana que vem para discutir a situação dos funcionários que já estão com os contratos suspensos. A previsão é de que o grupo volte ao trabalho no dia 9 de junho, mas, segundo o sindicalista, a montadora não garantiu o retorno, havendo possibilidade de demissões.
Sobre os 900 que serão afastados a partir de segunda, a proposta feita pela GM prevê que, ao término do período de cinco meses, os funcionários terão garantia de estabilidade por mais seis meses. Em caso de demissão nesse intervalo de tempo, receberão o equivalente a seis salários, mesmo que não tenham atuado profissionalmente.
Cidão defendeu o acordo feito. “É uma proposta construtiva no sentido de evitar que mais demissões ocorram.” Entretanto, ele reconhece que a medida é paliativa e, por isso, tentará negociar com a montadora um termo de compromisso de que todos os 10,5 mil empregados da fábrica tenham estabilidade por pelo menos dois anos.
COMO FUNCIONA - Durante o lay-off, o contrato de trabalho é suspenso e parte do salário é paga pelo governo federal, por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), com teto de R$ 1.385,91, o mesmo do seguro-desemprego. Se o funcionário ganha mais do que isso, o empregador pode ou não complementar os vencimentos até a totalidade, mas não há obrigatoriedade definida em lei. Colaboradores da GM que já estão em lay-off dizem que a renda diminuiu em cerca de 30%.
Para receber, o trabalhador afastado tem de passar por curso de atualização profissional oferecido pela empresa e geralmente ministrado no Senai.

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