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Honda Sumaré chega ao topo, fábrica trabalha acima da capacidade à espera de nova planta



Se comparada à evolução de um ser humano ao longo dos anos, a fábrica da Honda em Sumaré chega perto de completar 18 anos de idade no topo da produtividade, em sua estatura máxima. A planta vem produzindo acima de sua capacidade máxima instalada de 120 mil unidades/ano – em 2015 a conta deve ficar próxima de 150 mil veículos. Graças a investimentos de cerca de R$ 100 milhões nos últimos três anos para melhorar a produtividade, além de quase 3,5 horas extras de trabalho em dois turnos, a unidade no interior paulista conseguiu aumentar o volume diário de produção de 540 para 652 carros, para dar conta do sucesso de mercado conseguido por todos os quatro modelos fabricados (Fit, City, Civic e HR-V). Nada mal para quem nasceu, em outubro de 1997, fazendo apenas 20 sedãs Civic por dia. 



“Já crescemos 15% de janeiro a abril e estimamos continuar nesse ritmo até o fim do ano”, diz Carlos Eigi, vice-presidente da Honda Brasil responsável pelas operações industriais. O executivo explica que a procura pelos carros da marca está em alta e só a partir do início de 2016 a fábrica de Sumaré poderá ser desafogada com a inauguração da nova planta de Itirapina (SP), a 100 km de distância, e a transferência da produção do Fit para lá. A segunda unidade fabril da Honda Automóveis do Brasil recebe investimentos de R$ 1 bilhão e vai dobrar a capacidade da montadora no País, pois poderá fazer outros 120 mil veículos/ano, com flexibilidade para fabricar qualquer um dos modelos atualmente montados em Sumaré. 




O HR-V, lançado em março passado, gerou filas de espera que chegam a três meses dependendo da versão. Por isso o modelo ocupa cerca de um terço da produção em Sumaré, com 240 unidades/dia, e 10 mil já foram fabricados este ano. Segundo Eigi, no momento não há como aumentar os volumes de HR-V, nem é essa a intenção com a transferência do Fit para Itirapina. “Isso será feito para evitar as horas extras e a sobrecarga de trabalho dos funcionários, não necessariamente para aumentar a produção em Sumaré”, afirma. Ele acrescenta ainda que, como o HR-V está fazendo sucesso em vários mercados, também existem dificuldades em elevar as importações de alguns componentes usados no carro, que ainda demoram a ser nacionalizados. “Não é possível fazer isso rápido, alguns ferramentais para fazer peças levam seis meses para ser desenvolvidos”, explica. 




O fato é que Sumaré cresce a cada novo modelo que recebe. A renovação dos produtos Honda ocorrida desde 2012 – novas gerações do Civic, Fit e City e o novo HR-V – consumiram investimentos tão altos quanto os normalmente feitos em uma fábrica nova. Para instalar equipamentos e desenvolver ferramental específico foi aportado mais de R$ 1 bilhão, o mesmo valor aplicado para fazer Itirapina.


 

O HR-V sozinho trouxe investimento de R$ 250 milhões a Sumaré. Além do ferramental exclusivo para o modelo, para fabricar o novo carro no mesmo espaço onde já eram produzidos outros três foram aplicados cerca de R$ 100 milhões em melhorias dos processos industriais, incluindo a instalação de uma nova linha de prensas com três máquinas e cinco robôs para o aumento da capacidade da estamparia; 13 novos robôs substituíram a soldagem manual de peças como porta-malas, porta e capô; outros 16 foram agregados aos 80 já existentes na área de funilaria; foram automatizados os processos de transporte de partes da carroceria e a montagem da suspensão. 




FÁBRICA-MÃE

Ao atingir sua maioridade, Sumaré também está sendo preparada para ser a fábrica-mãe da Honda Automóveis na América do Sul, produzindo motores e peças plásticas para a Argentina – que este ano deve complementar a demanda brasileira pelo HR-V – e, em breve, também para Itirapina. 

Estão em andamento investimentos que somam aproximadamente R$ 26 milhões para atender Itirapina. Na área de injeção de plásticos, que já conta com três injetoras de 3 mil toneladas e duas de 800 toneladas para fabricar painéis, para-choques e outras peças menores, a linha de pintura de para-choques ganhou cinco novos robôs para ampliar a produção de componentes que serão enviadas à nova unidade 100 km distante. 

No mesmo ritmo, a área de fundição e usinagem de blocos e cabeçotes de alumínio vai quase que dobrar o ritmo, das atuais 700 para 1,2 mil unidades/dia, assim como a montagem de motores ganhará uma nova linha, permitindo assim alimentar mais uma fábrica. 

Os investimentos recentes envolvem ainda a construção de um novo laboratório de emissões de poluentes, para assegurar a conformidade dos veículos produzidos com as regulamentações do País. Na área são feitas medições para produção e homologação de emissões evaporativas e de exaustão, consumo de combustível, torque e potência, além de durabilidade de catalisadores. 

MAIORIDADE ADMINISTRATIVA

O crescimento contínuo dos últimos 18 anos também trouxe a Sumaré a maioridade administrativa, pois desde o início deste ano a unidade se transformou em sede da Honda Automóveis América do Sul, com a transferência de 400 funcionários, incluindo a presidência e diretorias, que antes trabalhavam em São Paulo. 

Dentro do mesmo terreno de 1,7 milhão de m² comprado em 1974 por Soichiro Honda em pessoa, o fundador da empresa, além das unidades industriais já está em funcionamento há um ano um centro de desenvolvimento que abriga 300 engenheiros e consumiu investimento de R$ 100 milhões. 

Outros R$ 98 milhões foram investidos na nova sede, incluindo o novo prédio de 4,2 mil m² e seus funcionários. Cerca de metade do valor será gasto em benefícios aos empregados que aceitaram se mudar para a região de Sumaré: eles receberam dois salários extras para pagar a mudança e terão bônus de 25% dos vencimentos nos próximos dois anos para arcar com despesas de moradia. Com isso, 90% dos colaboradores de São Paulo aderiram ao programa e aceitaram a obrigação de ter de vestir o mesmo insosso e mal-ajambrado uniforme branco usado por todos nas dependências da fábrica, bem ao modo coletivo japonês de ser – dizem que o próprio Soichiro Honda inventou a moda nos anos 50 para que os operários ficassem parecidos com médicos e imbuídos da mesma missão, de não poder errar com seus pacientes, assim como eles não poderiam cometer erros ao fabricar as motos da marca naquela época.


fonte:http://www.automotivebusiness.com.br/noticia/22026/aos-18-honda-sumare-chega-ao-topo

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