domingo, 8 de abril de 2018

MST e CUT planejam levar 40 ônibus e invadir Curitiba para vigília perto da PF

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CURITIBA — Assim que o ex-presidente Lula se entregou para a Polícia Federal, em São Paulo, no início da noite deste sábado, militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Sem-Terra (MST) começaram a montar um acampamento a uma quadra de distância da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o petista começou a cumprir pena pela condenação no caso do tríples do Guarujá.


MST e CUT calculam que ao menos 40 ônibus com manifestantes devem chegar ao local durante o domingo. O movimento pretende, ainda, fazer mobilizações em todo o país na quarta-feira para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar uma liminar que impede a prisão após condenação em segunda instância e pode beneficiar Lula.
Até as 18h domingo, chegaram 20 ônibus com militantes, vindos do interior do Paraná e de São Paulo. Segundo a Frente Brasil Popular, o acampamento recebeu cerca de 2 mil pessoas — nem todas passariam a noite no local. Os manifestantes não puderam ficar na porta do prédio policial onde está Lula porque o perímetro em volta da superintendência foi fechado. Na noite de sábado, quando o ex-presidente chegou a Curitiba, houve confrontos entre manifestantes e policiais que deixaram nove pessoas feridas.

Haverá manifestações todos os dias até quarta-feira, quando pretendemos fazer uma grande jornada de paralisação para pressionar o Judiciário para que conceda liberdade ao Lula — disse Roberto Baggio, coordenador do MST e da Frente Brasil Popular no Paraná. - Aqui, vigília permanente até quarta-feira, com a expectativa de que o Supremo dê a liberdade ao presidente Lula.
Ao contrário da animosidade de sábado, quando jornalistas foram atacados com xingamentos e ovos, o clima é de tranquilidade no acampamento do MST e da CUT. Os manifestantes elegeram porta-vozes que serão responsáveis pelo contato com a imprensa. A organização do grupo se assemelha a de acampamentos de sem-teto do interior do país. Os militantes se dividem no cumprimento de tarefas. Entre 6h e 7h, por exemplo, houve distribuição de café e pães para os acampados - o convite foi estendido a jornalistas. Às 10h30, já se começava a preparar o almoço, que teria macarronada. Outro grupo ficou responsável pela “animação mística”, com músicas e preces.

Uma das presentes no ato, a presidente da CUT do Paraná, Regina Cruz, diz que está sem dormir desde as 8h de sábado e que pode ficar acordada por mais dois dias. Mesmo quem dormir, teve pouco conforto. Nina e Vinícius, que vieram de Joinville (SC), passaram a noite deitados em uma lona, sem coberta, com termômetros marcando perto de 15 graus. Pela manhã, ganharam um cobertor.
— A gente veio de Joinville pela democracia, que foi ferida nos últimos dias. Chegamos no fim da noite, conseguimos uma cobertinha que a galera compartilhou — disse Nina.
O professor de filosofia e membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná Avanir Masty veio de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, acompanhado da esposa, também professora, e a filha adolescente:
— O Brasil avançou muito nos últimos anos, quando estabeleceu um piso salarial para professores. Essa luta começou em 1840. Foi Lula quem garantiu um valor valor mínimo de salário e um reajuste anual. Além das bandeiras do pré-sal, que têm a ver com professores e estudantes em escolas de período integral. E o pré-sal sofre ataques violentos.
Cordão de isolamento
Um cordão de isolamento feito por policiais militares impede a chegada de manifestantes ao prédio da Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a noite de ontem. O objetivo é evitar novos confrontos entre apoiadores do petista e agentes da Polícia Federal. Nove pessoas ficaram feridas durante confronto que ocorreu na noite de sábado, quando apoiadores do petista tentaram entrar no prédio e agentes da PF reagiram com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Entre os feridos há um policial militar.

Neste domingo, a Polícia Militar isolou cerca de um quarteirão ao redor do prédio da PF para impedir a aproximação da manifestantes. A circulação de veículos também é restrita. Mesmo assim, pessoas que foram levar sua solidariedade ao ex-presidente permanecem atrás do bloqueios.
O tumulto começou quando o helicóptero que trazia o ex-presidente pousava no heliporto da PF. Segundo o comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, o estopim foi a explosão de duas bombas onde estavam os manifestantes favoráveis ao petista. O comandante afirmou que a Polícia Federal reagiu com gás lacrimogêneo.
Em seguida, manifestantes decidiram atirar pedras e paus contra os policias militares que estavam no local. Um deles foi ferido com um soco no rosto. Os PMs então revidaram com tiros de bala de borracha para dispersar a confusão. Carmo afirmou que, apesar do tumulto, o esquema de segurança era adequado para a situação. Ainda assim, alguns incidentes foram reportados ao longo do dia, como cenas de hostilidade contra profissionais da imprensa e não houve intervenção por parte dos policiais.

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