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sábado, 21 de abril de 2018

KOMBI 6.0: Em 2 de setembro de 1957 era montada a primeira Kombi brasileira

Resultado de imagem para KOMBI na fabrica

Ela está em todos os lugares. Nas ruas, é muito fácil vê-la. Nas feiras-livres, ainda reina absoluta. E a lista de usos e clientes é imensa. Vai de buffets e food trucks a transporte escolar e funerárias. Quase quatro anos após o fim de linha e exatos 60 anos após ter sua produção nacional iniciada em São Bernardo do Campo, a Kombi continua viva. E conquistando fãs e adeptos.
A saga desse utilitário no Brasil começa em setembro de 1950, com as primeiras unidades importadas da Alemanha pela Brasmotor. Três anos depois, a"perua" passou a ser montada pela Volkswagen em um galpão no bairro paulistano do Ipiranga, em regime CKD -- na sigla em inglês, Completely Knocked Down, ou completamente desmontada --, que era a forma como chegava da matriz, em caixotes de madeira. Mas foi no dia 2 de setembro de 1957 que saiu da linha de montagem da fábrica que ainda estava em fase de construção no km 23,5 da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo, o primeiro exemplar nacional de um dos carros mais emblemáticos da história da indústria automobilística. Com motor de 1.192 centímetros cúbicos de cilindrada, ela desenvolvia parcos 30 cavalos de potência, algo inimaginável nos dias de hoje. Mesmo assim, a capacidade de carga era de 810 quilos, sem contar os 1.040 quilos do próprio veículo.

Os primórdios, no fim da década de 50ACERVO HISTÓRICO VW

Assim, a Kombinationsfahrzeug, palavra que em alemão que significa algo como veículo combinado de uso misto, foi registrada aqui simplesmente como Kombi. E o pioneirismo desse carro foi tão grande que somente dois anos depois começaria a ser fabricado o Fusca brasileiro, na mesma unidade industrial. A Volkswagen, por sinal, considera o dia 18 de novembro de 1959 como a data oficial de inauguração da fábrica do ABC, sua primeira fora da Alemanha, na célebre cerimônia que contou com a presença do presidente Juscelino Kubitscheck desfilando num Fusca conversível preto. Mas, como é de seu DNA, a Velha Senhora já dava duro quando rolava a festa para seu irmão.

Nos 56 anos em que esteve em linha, a Kombi só ganhou adeptos, apesar de a aerodinâmica ser quase a de um tijolo e da fama de incendiar com facilidade, entre outros tantos"defeitos". Hoje, nas ruas das grandes cidades brasileiras, muitos donos de carros modernos e tecnologicamente mais avançados se queixam de estar circulando lado a lado com um utilitário que definem como"sem segurança","bomba ambulante" e em que"o joelho do motorista é o para-choque". Mas nenhum outro utilitário uniu com tanta competência robustez, versatilidade, economia e custo-benefício seja no transporte de nove pessoas, em três fileiras de bancos, ou de cargas (com a remoção dos bancos). Ou também nas versões furgão e picape, destinadas exclusivamente ao trabalho.


E)Foto oficial, com a fábrica ainda em obras. (D)Exportação para a Nigéria, em 1975: além da Kombi, embarcavam Variant, Brasília, SP2 e Fusca

O projeto, do final dos anos 40, só teve um ponto final no Brasil porque a partir de 2014 seria obrigatória a presença de ABS e air bags. Assim, em de dezembro de 2013, encerrou-se a mais longeva história de um modelo da indústria automobilística mundial. Segundo dados da Volkswagen, foram montadas exatas 1.565.050 unidades da Velha Senhora entre setembro de 1957 e dezembro de 2013. O auge da produção ocorreu em 1976, o ano da sua maior reestilização, quando o desenho"Corujinha", com faróis grandes e redondos e para-brisa bipartido, deu lugar à chamada geração Clipper, de para-brisa em peça única. Neste ano, foram produzidas 62.548 Kombis. Em 1993, a Volkswagen celebrou a produção de 1 milhão de unidades do utilitário. A partir da década de 1970, ela também passou a ser exportada, e a lista chegou a 90 países. Os principais mercados dos utilitários montados em São Bernardo foram Argélia, Argentina, Chile, Peru, México, Nigéria, Venezuela e Uruguai. No total, foram exportadas 94.158 unidades da Kombi.


(E)Kombi-cadeia da Polícia Civil: versatilidade. (D)Linha de montagem nos anos 60

E boa parte das peruas, talvez a maior parte, continua rodando. No ranking de comerciais leves usados mais negociados em julho de 2017 da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a Kombi ocupou o sexto lugar, com 6.513 unidades, atrás apenas de Fiat Strada, VW Saveiro, Chevrolet S10, Toyota Hilux e Chevrolet Montana. E à frente de Ford Ranger, Fiat Fiorino, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier, entre outros."Já cheguei a vender 70 Kombis em um mês. Hoje, mesmo com a concorrência de outras marcas, ainda vendo de oito a 10", diz o comericante Edson Castro. Desde 1976 no ramo, ele é dono da Brasil Kombis e Vans, empresa especializada em utilitários na zona leste de São Paulo."A Kombi ainda é um carro barato, e muitas empresas a procuram para entregas rápidas, que exigem agilidade", diz.
Como nos anos 50 e 60 a perua era vista como um carro de trabalho durante a semana e de lazer nos sábados, domingos e feriados, muita gente traz a Kombi num canto agradável da memória, aquele carro em que a família viajava para o litoral ou para o campo nas férias. Hoje, as mais valorizadas são as da primeira safra, fabricadas até 1975, de preferência na versão luxo, com pintura em duas cores (saia-e-blusa) e muitos cromados. Alvo de cobiça de fãs, colecionadores e exportadores, elas são disputadas em qualquer estado de conservação e, devidamente restauradas e equipadas, podem passar de R$ 100 mil no mercado nacional e do triplo disso no exterior.
Aficionados não faltam. Fundado em setembro de 2013 pelos irmão Hélder e Sergio Sobrêda e mais três amigos, o Kombi Clube do Brasil já reúne 350 associados, tem sede no bairro paulistano de Pinheiros e realiza um encontro mensal todo quarto domingo do mês no estacionamento de uma loja na zona norte de São Paulo."Nosso divertimento é nos encontrar e celebrar a Kombi. Não cobramos mensalidade dos sócios, quem quer se junta a nós pelo prazer", diz Hélder, o atual presidente. Para celebrar o aniversário de 60 anos do início da produção nacional, o clube promoverá neste domingo, 3 de setembro, um grande encontro na garagem Box 54, na cidade paulista de Araçariguama. Uma caravana sairá cedo de São Paulo e promete colorir a Rodovia Castelo Branco.


A linha de montagem pouco antes do final da produção

Também o Sampa Kombi Clube, um dos maiores e mais ativos do País dedicados à Kombi, fará sua festa neste domingo, no São Bernardo Plaza Shopping, na cidade de São Bernardo do Campo, no ABC, berço da Kombi. Centenas de carros são esperados para o encontro. No Paraná, o Kombi Clube de Curitiba quer estabelecer o recorde de maior fila indiana de exemplares do utilitário Volkswagen no País. A meta é formar uma fila de pelo menos um quilômetro de extensão na rodovia BR 116. E em vários outros pontos do país, clubes dedicados à Kombi também darão sua contribuição para a manutenção e a memória desse ícone da indústria.


fonte: Estadão

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