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Quem é o bilionário, ex-vendedor de coxinhas, que estrelará reality show




Monark Monareta de 1984: réplica da magrela com a qual Semenzato iniciou a carreira, comercializando salgados no interior (Marcelo Justo/Veja SP)


Da janela do escritório de José Carlos Semenzato, de 51 anos, avistam-se a imponente Ponte Estaiada, os prédios espelhados da Avenida Berrini e, encravada nesse centro econômico da cidade, a favela Jardim Panorama. “Olho para lá todos os dias e penso: ‘Preciso ir bem nos negócios, senão posso voltar àquele patamar’”, afirma o empresário, que começou sua carreira quando era um pobre adolescente que vendia coxinhas em Lins, a 420 quilômetros da capital.
Desde 2010 ele é dono da SMZTO Holding de Franquias, que controla doze marcas de diversos setores, como o bufê infantil Casa X e o Espaçolaser, de depilação, ambos em sociedade com a apresentadora Xuxa; o Instituto Embelleze, escola e loja de produtos do ramo de cosméticos; a rede de clínicas odontológicas OdontoCompany; e os quiosques de açaí Oakberry, que acaba de comprar. Juntas, as empresas devem movimentar 2,2 bilhões de reais em 2019. Neste ano, ele pretende ainda lançar o banco SMZTO Investimentos, com capital inicial de 100 milhões de reais. A ideia é investir em companhias de médio porte, torná-las grandes e vendê-las.
Luxo e poder: a bordo de sua Ferrari, que fica em Miami (Coluna Direto de Miami/Divulgação)
Além das altas cifras, Semenzato cultiva amizades com personalidades. Basta dar uma espiada em suas redes sociais para acompanhar as festanças em que empresários e cantores sertanejos são seus convidados em sua mansão de 1 600 metros quadrados em São José do Rio Preto, com pé-direito duplo, piso de mármore e um “S” de mais de 1 metro estampado na porta.
Sem constrangimento algum em relação a seus hóspedes consagrados, o anfitrião curte também soltar a voz aguda em modas populares. “Ele é uma figuraça, um amigão, só peca por acreditar que canta tão bem quanto o Xororó”, brinca Chitãozinho, um “parça” desde quando o empreendedor contratou a dupla para se apresentar em seu aniversário de 43 anos. O rapaz é afeito a festas. Ao completar 50 anos, “torrou” cerca de 200 000 reais só em vinhos.
Mansão no interior de São Paulo: conquista, luxo e poder (Arquivo Pessoal / Reprodução/Veja SP)
Por causa dessa combinação de empresário de sucesso com showman, Semenzato foi convidado no fim de 2018 para ocupar uma das poltronas de “jurados” na quarta temporada do Shark Tank Brasil, reality show do Canal Sony sobre negócios, com reestreia prevista para junho. “Precisei fazer um teste com produtores americanos e, pelo brilho nos olhos deles, percebi que havia passado”, lembra. Substituirá Robinson Shiba, do China In Box, e escolherá investir ou não em novatos no empreendedorismo ao lado de Cris Arcangeli, da Beauty ‘in, João Appolinário, fundador da Polishop, Camila Farani, um dos maiores nomes em investimentoanjo do Brasil, e Caito Maia, dono da Chilli Beans.
“Estar na televisão aumentará minha popularidade”, aposta o empresário, que responde, em média, a 150 requisições por dia na seção de mensagens privadas de seu perfil do Instagram e pretende criar em breve um canal do YouTube para falar sobre empreendedorismo às classes mais baixas. “Lançarei também um livro, com poucas páginas e letras bem grandes”, adianta. “Nele, vou contar a minha história e inspirar pessoas, afinal sou a prova viva de que qualquer um pode ganhar milhões.”
 
Soltando a voz com Bruno, da dupla com Marrone: contatos influentes (Arquivo Pessoal / Reprodução/Veja SP)
A trajetória de Semenzato renderia um filme americano, naquele enredo clássico do self-made man. Aos 13 anos, vendia as coxinhas feitas por sua mãe, a dona de casa Alzira (falecida ao lado do marido, José Pereira, pedreiro e pastor evangélico, em um acidente de automóvel há quinze anos). Menos de cinco anos depois, a família conseguiu comprar um Fusca 62. Aos 16 anos, o autointitulado “maior vendedor de coxinhas da história de Lins” deu um tempo no comércio, matriculou-se em um curso de processamento de dados nos fins de semana e conseguiu emprego em uma copiadora.
Chegou a fazer ciências contábeis na Universidade de Uberaba, mas largou a faculdade no 3º semestre. Garante que não despreza os estudos (“Tanto que paguei o curso de economia do meu filho Bruno na Universidade Duke, nos Estados Unidos, e o da minha caçula, Beatriz, que fez administração no Insper”), mas na época ansiava pôr em prática o plano de ganhar dinheiro. “Fui convidado para dar aulas de processamento de dados em uma escola e preferi receber como professor a pagar mensalidades”, conta.
 Novo no elenco de Shark Tank: os “tubarões” Camila Farani, Caito Maia e Semenzato (em pé) 




e João Appolinário e Cris Arcangeli (sentados)
Aos 23 anos, saiu do emprego para abrir uma escola de informática, a Microlins. “A gente havia acabado de se casar e foi um susto”, lembra a esposa, Samara dos Santos Pinto Semenzato, 49. Os dois se conheceram quando ele tinha 12 anos no grupo de jovens da Assembleia de Deus, na qual o pai do empresário atuava como pastor. Desde então nunca se separaram. Nessa história de amor, havia um porém: o pai de Samara era comerciante na cidade, rico, e Semenzato sentia um certo “olhar torto” dos cunhados ao chegar em sua Monareta 84 para encontrar a amada. Ele só teve coragem de entrar no casarão e pedi-la em namoro aos 18 anos, quando comprou seu primeiro carro, um Parati 84. “Hoje eu me dou bem com todos eles, mas é impressionante como a vida dá voltas: eu que presenteei meus sogros com a casa em que moram atualmente”, gaba-se.
 




Semenzato com Xuxa, parceira de negócios, em seu jatinho Cessna Citation 1
Além da infância pobre, Semenzato penou enfrentando outros obstáculos. Em 1995, logo após o Plano Real, quase faliu. Na época, tinha dezessete escolas próprias da Microlins. Segundo recorda, as mensalidades dos alunos caíram, enquanto os juros de empréstimos feitos por leasing dispararam. “Dormia e acordava com cobradores”, lembra. Ainda mantinha o otimismo, simbolizado por um carrão na garagem. Visitava os possíveis clientes e parceiros de negócios com seu BMW e mantinha uma estratégia curiosa: estacionava o veículo em frente à garagem de possíveis parceiros. Quando perguntavam a quem pertencia o veículo, ele erguia o braço, orgulhoso. “Você precisa sempre mostrar poder, ninguém faz negócios com coitadinhos”, ensina.
 



Franquia do Instituto Embelleze: holding com doze marcas
A família toda vivenciou situações difíceis naquela época. Samara ainda chora ao lembrar de alguns episódios, como o dia em que, numa viagem de São Paulo a São José do Rio Preto, onde residiam, o marido declarou que não podiam lanchar na estrada porque faltaria o dinheiro para o pedágio. Ou quando um oficial de Justiça chegou em sua casa para apreender, entre outros pertences pessoais, o baú de brinquedos do primogênito, Bruno, hoje com 26 anos. “Nunca passou pela minha cabeça pedir a separação”, garante Samara. Mesmo quando, em 2011, o marido, já no posto de “rei das franquias”, lhe deu o ultimato. “Ou você se muda comigo para São Paulo ou não posso mais responder pelo meu coração.” Naquele tempo, Semenzato comandava a SMZTO em um escritório no Itaim, e sua família morava em São José do Rio Preto. Aos prantos, Samara aceitou.
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Em almoço com Bolsonaro, antes das eleições: “Votaria de novo” (Arquivo Pessoal / Reprodução/Veja SP)
Mudaram-se para o complexo do Parque Cidade Jardim, um misto de condomínio residencial, comercial e shopping, de frente para a Marginal Pinheiros. “Raramente saio daqui e há cerca de uma década não ando a pé por São Paulo, só faço caminhadas na esteira ou na Fazenda Boa Vista (condomínio de luxo em Porto Feliz, no interior)”, revela o empresário, que circula acompanhado de seguranças e carros blindados.
Na cidade, frequenta o cinema do Shopping Cidade Jardim (o último filme a que assistiu foi Nasce uma Estrela, com Lady Gaga). Fora do complexo, gosta dos restaurantes Varanda Grill e La Tambouille. O “tubarão” não se lembra da última peça de teatro que viu na cidade. “Curto muito o Cirque du Soleil e não perco uma apresentação quando vamos a Las Vegas”, diz ele, que viaja ao exterior para aproveitar uma semana de férias pelo menos quatro vezes ao ano.
Antes de dormir, lê biografias. A sua preferida é sobre o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, a mesma inspiração do presidente Jair Bolsonaro, em quem “votaria de novo”. “É início de governo, houve erros, mas estou esperançoso”, diz o empreendedor, um dos primeiros a apoiar a candidatura do político conservador, que logo “deve colocar um freio nos filhos”. “Mas gosto mesmo é do João Doria. Acredito que um dia ele alcançará a Presidência”, elogia o membro há quinze anos do Lide, grupo de empresários criado pelo governador.
 Família: casado há trinta anos com Samara, é pai de Bruno e Bia, que trabalham em sua 




empresa
Semenzato mantém um cotidiano de vinhos caros e viagens desde sua virada, em 1995. Na época, percebeu que a única forma de conseguir capital era transformar as dezessete escolas próprias da Microlins em franquias. O negócio deslanchou e, em 2010, quando ele vendeu o grupo ao bilionário Carlos Wizard por 120 milhões de reais, tinha mais de 750 unidades. Naquele mesmo ano, fundou a SMZTO, que cresce pelo menos 20% por ano. “Até a crise me beneficia, porque, por exemplo, a população afetada procura lugares como o Instituto Embelleze para se capacitar e conseguir uma nova atividade.” Ele já prepara os filhos, Bruno e Beatriz, 22, para sucedê-lo. “Minha filha é minha versão de saias”, orgulha-se.
Parceiros de negócio destacam a capacidade de comunicação como um de seus trunfos. “Ele é muito amável, honesto e tem uma visão ampla”, elogia Itamar Serpa, fundador do Embelleze, um de seus primeiros sócios. Mas há também quem teve problemas. “Caí na lábia dele”, reclama Honório Martin, que possuía franquias da Microlins por doze anos. Ele relata ter comprado em 2010 três unidades da escola de informática, que não foram vendidas a Wizard. Logo, percebeu que o negócio só dava prejuízo e entrou na Justiça para reaver um rombo de 900 000 reais. Os juízes determinaram a volta da empresa para Semenzato e o processo está em fase de cumprimento de sentença. “Não recebi nada, porque não tem nada no nome dele”, acusa Martin.
Semenzato rebate, enérgico. “Ele não soube administrar e, além disso, jamais me pagou os 200 000 reais pela venda”, diz, afirmando que esse episódio marca uma das raras encrencas em sua trajetória. “Não preciso apresentar meu imposto de renda, mas meu patrimônio é avaliado em mais de 500 milhões. Sempre fui transparente e não devo nada a ninguém.”
 Monark Monareta de 1984: réplica da magrela com a qual Semenzato iniciou a carreira, comercializando salgados no interior
Monark Monareta de 1984: réplica da magrela com a qual Semenzato iniciou a carreira, comercializando salgados no interior (Marcelo Justo/Veja SP)

TUBARÃO APLICADO

Identidade: José Carlos Semenzato, apelidado de Zé ou Benhê (mas só a esposa o chama assim). Nascido em 28 de março de 1968, em Cafelândia (SP).
Conquistas: Vendedor de coxinhas na adolescência, hoje administra a holding de franquias SMZTO, com faturamento de 1,45 bilhão de reais em 2018. Possui um patrimônio de 500 milhões de reais.
Casas: É dono de dois apartamentos (um no condomínio Cidade Jardim e o outro na Trump Towers, em Miami) e duas casas (no condomínio Fazenda Boa Vista e em São José do Rio Preto).
Meios de transporte: Tem dois Mercedes, uma Ferrari (em Miami), um Land Rover e um Volkswagen Jetta. Seus quatro carros que circulam na capital são blindados, e há dez anos ele não anda a pé por aqui. Possui ainda um jato Cessna Citation 1 e um helicóptero Colibri.
Hobby: Ostenta uma adega com mais de 2 500 garrafas de vinho. Também gosta de cantar modas sertanejas ao lado de duplas famosas.

COMO SER RICO

As dicas do empresário para sair da pobreza
> Sonhar grande: Filho de um pedreiro e uma dona de casa, desde menino Semenzato visualizava comprar mansões e carrões.
> Trabalhar duro: O empresário calcula ter uma jornada de trabalho de em média dezesseis horas. “Sacrifico momentos de lazer em nome da carreira.”
> Humildade: Ele se orgulha da infância pobre. Pretende dar palestras para ajudar pessoas da periferia a sair das dívidas, além de escrever um livro sobre sua trajetória.
> Resiliência e otimismo: Em 1995, após o Plano Real, Semenzato quase faliu. “Mesmo com cobradores na minha porta, sempre tive plena convicção de que viraria o jogo.”
> Parecer bem-sucedido: Até na época em que cultivava uma dívida de 5 milhões de reais, desfilava de BMW. Em reuniões, bloqueava com o carrão a garagem do cliente, só para erguer a mão quando perguntavam de quem era aquele veículo. “Ninguém faz negócios com coitadinhos.”

fonte: Veja SP

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