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sábado, 27 de janeiro de 2018

Condenação de Lula, bolsa dispara e dólar recua, mercado animado

O mercado e o fator Lula

Lula /Condenado


A ansiedade era tanta que ganhou até apelido: Tensão Pré-Lula (TPL). As apostas no placar do julgamento do recurso de Lula no TRF-4 contaram até com bolões entre os agentes do mercado, como em uma final de Copa do Mundo. Como era de se esperar, a evolução do julgamento provocou altas seguidas no índice Ibovespa, que oscilou em simetria com os votos de cada juiz até atingir o patamar inédito de 83,6 mil pontos e um giro de R$ 15,7 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, caiu de R$ 3,22 para R$ 3,14.
“Lula deu indícios de que, se ganhasse a eleição, faria uma política heterodoxa que provavelmente levaria a um menor crescimento do País”, diz André Sacconato, diretor de pesquisa da BRAiN. Não se atentar ao déficit fiscal, limitar a reforma trabalhista e impedir a reforma da previdência são alguns dos fatores que prejudicariam o desenvolvimento da economia no longo prazo. Por isso, as apostas do mercado antes do julgamento foram proporcionais aos votos dos juízes: quanto mais votos a favor da condenação do presidente, mais os indicadores econômicos apontariam para uma melhora ­— e foi exatamente o que aconteceu. A Bolsa de São Paulo estava prestes a fechar quando o desembargador Victor Laus deu o voto final, chegando à decisão por unanimidade. O pregão fechou com alta de 3,72% em relação à abertura.

A condenação de Lula deu ainda ânimo para a economia brasileira, que vem recuperando a estabilidade em função das decisões adotadas pela equipe liderada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Prova disso é que o índice Bovespa avançou de forma ininterrupta desde o início do ano, puxado por notícias como a queda da inflação e a retomada do crescimento. “As medidas tomadas por Temer geraram grandes incentivos para novos investimentos, tanto de brasileiros como de estrangeiros”, afirma Patricio Giusto, diretor da empresa de consultoria Diagnóstico Político. Além disso, o crescimento da economia global, mesmo lento, é mais uma alavanca para a recuperação do País. “O Brasil acoplou-se muito bem a essa nova etapa de crescimento. As matérias-primas e outros produtos industriais seguem altamente competitivos nos mercados globais”, afirma. Ainda que os recursos que serão interpostos pela defesa do ex-presidente possam influenciar o humor do mercado financeiro, agora as atenções se voltam para a Reforma da Previdência e, claro, a eleição.

fonte: Istoé

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