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domingo, 14 de janeiro de 2018

Rio violência sem controle: Bebê que nasceu após mãe ser baleada tem quadro de 'extrema gravidade', diz médico

Michelle estava com o marido quando foi baleada por assaltantes; médicos tiveram que fazer cesariana (Foto: Arquivo Pessoal)
Michelle estava com o marido quando foi baleada por assaltantes; médicos tiveram que fazer cesariana (Foto: Arquivo Pessoal)

O diretor-geral do Hospital Geral da Posse, Joé Sestello, detalhou em entrevista coletiva neste domingo (14) o estado de saúde da mulher que foi baleada na cabeça quando ainda estava grávida. O caso ocorreu em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Michelle Ramos da Silva Nascimento Araújo foi submetida a uma cesariana. Tanto ela, quanto o bebê estão em situação delicada.

“A mãe encontra-se grave, porém, ainda estável. Sem nenhuma intercorrência e com sinais vitais, pressão, frequência estabilizados. Muito sedada ainda porque faz parte do tratamento da neuro cirurgia manter sedada para lesão cerebral. A criança, infelizmente, está muito grave, já com sinais de instabilidade, pressão oscilando e tem extrema gravidade”, disse Sestello.

Segundo o médico, caso a criança sobreviva, ela terá sequelas. "Sem dúvida nenhuma. Infelizmente é o reflexo da nossa violência". De acordo com o diretor do hospital, fatores que contribuem para a dificuldade de atendimento foram a demora em encontrar a clínica já que é uma das poucas perto de onde ocorreu o crime. "Mas ainda é precoce para dizer o tipo de sequela que vai ter”.

De um dia para o outro, o bebê teve a situação piorada. Ele nasceu prematuro, com oito meses.

“Ainda existe a gravidade por conta da neurocirurgia, a cirurgia do crânio e sem dúvida nenhuma ainda é muito grave. A questão da instabilidade, sinais vitais que dão suporte de vida, estão estáveis de ontem para hoje. Só fazendo a sedação que é um protocolo da neurocirurgia. Com relação à criança, apresentou de ontem para hoje uma instabilidade grande, uma instabilidade de pressão, de frequência, levando a equipe do neonatal do Mariana Bulhões, que é a maternidade municipal de Nova Iguaçu a administrar as medicações para fazer um suporte de vida da criança, medicações que ajudam no batimento cardíaco”.

Duas cirurgias simultâneas

O diretor do hospital, Joé Sestello, disse ainda que Michelle Ramos teve que passar por duas cirurgias ao mesmo tempo. Enquanto ela passava por uma intervenção no cérebro, a equipe cirurgica optou por fazer o parto do bebê e tentar salvar as duas vidas.

“Foi identificado a lesão do sangramento cerebral. Imediatamente, a equipe de cirurgia geral foi com ela para o centro cirúrgico, passou pela tomografia e foi feita a abordagem. Enquanto ela era operada da neurocirurgia, ela era operada da cesária. É uma agressão cirúrgica grande, mas fundamental para a gente tentar salvar duas vidas simultaneamente”, disse o diretor.


Homens armados


De acordo com o marido de Michelle, o corretor de imóveis Wallissom Silva de Araújo, o casal foi abordado por dois homens armados.

O carro que estava à nossa frente começou a se mover muito devagar. Achei até que era alguém que não sabia dirigir. Quando fui contornar, o homem que estava no banco do motorista já saiu do carro atirando. Outro, que estava no carona, também saiu e viu que minha mulher havia sido baleada. Ele começou a gritar: 'Você matou ela! Você matou ela!'. Os dois voltaram para dentro do carro e fugiram", relembrou o corretor de imóveis Wallissom Silva de Araújo, marido de Michelle.


fonte: G1

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