Pular para o conteúdo principal

O perigoso lado ruim de ser perfeccionista


Mulher caminha sobre barraPerfeccionismo pode vir acompanhado de efeitos colaterais, como depressão, ansiedade e estresse

Em uma das minhas memórias de infância, estou desenhando. Não lembro exatamente o que, mas me recordo claramente do erro. Meu lápis escorrega, um risco acidental desponta no papel e meu lábio começa a tremer. A ilustração desapareceu há muito tempo. Mas o sentimento de profunda frustração, até mesmo vergonha, segue comigo até hoje.
Com mais frequência do que eu gostaria, algo aparentemente sem importância faz com que a mesma sensação venha à tona novamente. Um evento tão pequeno – como amassar sem querer o panetone que levava para a família do meu namorado no Natal – pode ecoar na minha mente por vários dias, acompanhado de vozes que repetem: "Que estupidez! Você tinha como ter feito melhor".
Fracassar ao tentar alcançar uma meta, mesmo quando tenho consciência de que seria quase impossível, pode me deixar arrasada por um tempo.
Quando uma agente literária me disse certa vez que sabia que eu ainda escreveria um livro, mas que a ideia que tinha apresentado a ela não se adequava ao mercado, me senti vazia por dentro, como se tivesse levado um soco no estômago, algo muito além da decepção.
O lado negativo ocultou o positivo. "Você nunca vai escrever um livro, você não é boa o suficiente", reverberava minha voz interior, sem se importar em contrariar exatamente o que a agente tinha me dito.
Esse é o problema em relação ao perfeccionismo. Ele é implacável.

Não estou só

E não sou a única a sofrer por ser perfeccionista. Essa predisposição começa na juventude – e está se tornando cada vez mais comum.
Os pesquisadores Thomas Curran e Andrew Hill, das universidades de York St John e Bath, no Reino Unido, conduziram recentemente um estudo de meta-análise com base nos índices de perfeccionismo registrados de 1989 a 2016 – a primeira pesquisa a comparar a tendência entre gerações. E identificaram aumentos significativos entre os recém-formados nos EUA, no Reino Unido e no Canadá.
Em outras palavras, o universitário médio de hoje em dia é muito mais propenso a apresentar uma veia perfeccionista do que um estudante na década de 1990 ou no início dos anos 2000.
"Duas em cada cinco crianças e adolescentes são perfeccionistas", diz Katie Rasmussen, que pesquisa o desenvolvimento infantil e o perfeccionismo na Universidade de West Virginia, nos EUA.
"Estamos começamos a falar sobre como caminhamos para um caso de epidemia e saúde pública", completa.
A ascensão do perfeccionismo não quer dizer, no entanto, que as novas gerações estão se tornando mais bem-sucedidas. Significa que estamos ficando mais doentes, mais tristes e até mesmo minando nosso potencial.

Quadro de Claude MonetDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption'Minha vida não tem sido nada além de um fracasso', dizia o perfeccionista Claude Monet, que muitas vezes destruía seus quadros num rompante

Afinal, o perfeccionismo é, em última análise, uma forma autodestrutiva de viver. E é construído sobre uma ironia cruel: cometer e admitir erros são partes fundamentais do desenvolvimento, da aprendizagem, de ser humano. Também te prepara melhor para a carreira, os relacionamentos e a vida em geral. Ao evitar errar a qualquer custo, o perfeccionista consegue dificultar o alcance de suas próprias metas.
Mas as desvantagens do perfeccionismo não se resumem a impedir você de ser mais bem-sucedido e produtivo.
Essa tendência tem sido associada a uma série de condições clínicas: depressão e ansiedade (mesmo em crianças), automutilação, transtorno de ansiedade social e agorafobia, transtorno obsessivo-compulsivo, compulsão alimentar, anorexia, bulimia, estresse pós-traumático, síndrome de fadiga crônica, insônia, colecionismo, dispepsia, dores de cabeça crônicas e, em casos extremos, mortalidade precoce e suicídio.
"É algo que passa por tudo em termos de problemas psicológicos", diz Sarah Egan, pesquisadora da Universidade Curtin, em Perth, na Austrália, especializada em perfeccionismo, distúrbios alimentares e ansiedade.
"Não há muitas outras condições que fazem isso. "
"Há estudos que sugerem que quanto mais perfeccionista, mais transtornos psicológicos você vai sofrer", completa.

Autoelogio de entrevista de emprego?

Culturalmente, o perfeccionismo é muitas vezes visto como algo positivo.
Dizer que você tem tendência a ser perfeccionista pode parecer um autoelogio. É praticamente uma resposta pronta para a célebre pergunta de entrevista de emprego: "Qual é o seu principal defeito?" (Recrutadores, agora vocês acreditam em mim? Eu não estava apenas sendo fofa.)
É neste ponto que ele se torna complicado – e polêmico. Alguns pesquisadores identificam dois tipos: o perfeccionismo adaptativo ou "saudável" (caracterizado pelo alto padrão, motivação e disciplina) e o mal-adaptativo ou "nocivo" (quando o seu melhor nunca parece bom o bastante e não atingir metas te deixa frustrado).
Em um estudo com mais de 1 mil estudantes chineses, cientistas descobriram que os alunos mais talentosos eram, em geral, perfeccionistas adaptados. Os "mal-adaptados", por outro lado, costumavam não ser tão geniais.
E enquanto pesquisas mostram que aspectos da forma "nociva" – como se martirizar por erros ou sentir que está abaixo da expectativa dos pais – tornam o indivíduo mais vulnerável à depressão, outros estudos sugerem que os atributos do perfeccionismo "saudável" – como o empenho para realizar algo – não reproduzem o mesmo efeito e podem, inclusive, te proteger.

Cristiano RonaldoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO jogador Cristiano Ronaldo diz que se esforça pela excelência, e não pela perfeição: 'Não sou perfeccionista, mas gosto de sentir que estou fazendo bem'

Mas nem sempre é o caso. O simples fato de estabelecer padrões pessoais altos vem sendo associado, por exemplo, à concepção do suicídio. E mesmo que às vezes haja um lado positivo no pensamento perfeccionista, ele é secundário – e, segundo os especialistas, mal interpretado.
Em 2016, Hill e Curran constataram durante uma meta-análise de 43 estudos sobre perfeccionismo e burnout (esgotamento) que quem estipula parâmetros elevados – sejam atletas, trabalhadores ou estudantes – apresentam apenas uma pequena ou nenhuma vantagem na comparação com aqueles que não determinam. Já indivíduos que manifestam o perfeccionismo mal-adaptativo sofrem significativamente mais burnout.
"Existe uma ideia de que, em alguns casos, o perfeccionismo pode ser saudável e desejável. Com base nos 60 estudos que fizemos, achamos que isso é um mal-entendido", afirma Hill.
"Trabalhar duro, ser comprometido, diligente e assim por diante, são todas características desejáveis. Perfeccionismo não é adotar padrões altos. É estabelecer padrões irreais. Não é um comportamento. É a maneira como você pensa sobre si mesmo", explica.

Mulher estudandoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA princípio, pode ser difícil diferenciar pessoas motivadas e conscienciosas de quem é perfeccionista

Voz crítica

Na verdade, muitos atributos que com frequência chamamos de perfeccionismo "saudável" – como a busca pela excelência – não são de fato perfeccionismo.
Segundo especialistas, trata-se apenas da conscienciosidade, o que explica por que pessoas com essas tendências geralmente apresentam resultados diferenciados nos estudos.
O perfeccionismo, argumentam eles, não é definido pelo estabelecimento de metas elevadas ou pelo grau de empenho no trabalho. É aquela voz crítica interior.
Veja o exemplo de um aluno que estuda bastante e recebe uma nota ruim. Se ele diz a si mesmo: "Estou decepcionado, mas tudo bem; ainda sou bom de uma maneira geral", é saudável. Agora, se a mensagem for: "Eu sou um fracasso. Eu não sou bom o suficiente", está caracterizado o perfeccionismo.
Essa voz interior critica aspectos distintos em cada indivíduo – pode ser trabalho, relacionamento, organização, forma física.
Minhas tendências perfeccionistas podem diferir muito das de outras pessoas. Eu poderia pedir a alguém que me conhece bem para enumerá-las. Quando contei ao meu namorado que estava escrevendo essa reportagem, ele respondeu a mensagem na hora com uma série de emojis de risada.
Segundo Hill, como consequência, perfeccionistas e não perfeccionistas "podem parecer iguais à distância e por um curto período de tempo".
"Mas à medida que você se aproxima e os observa no longo prazo, vê que as pessoas conscienciosas têm mais jogo de cintura para lidar com as situações quando algo dá errado."
"Perfeccionistas sentem cada solavanco na estrada. São muito sensíveis ao estresse", completa.

Quero perfeito, logo desisto

Os perfeccionistas conseguem fazer uma tempestade em um copo d'água ou transformar uma brisa em um furacão de categoria cinco.
Pelo menos, é assim na percepção deles. E, porque as ironias nunca acabam, o modo como se comportam deixa eles, na verdade, mais propensos a falhar.

Serena WilliamsDireito de imagemALAMY
Image captionA tenista Serena Williams se autodeclara perfeccionista - destrói raquetes e se culpa quando algo dá errado, explosões que já lhe custaram a partida

Em um experimento de laboratório, Hill deu metas específicas para perfeccionistas e não perfeccionistas. O que ele não disse foi que o teste era armado: nenhum dos grupos seria bem-sucedido.
Curiosamente, as duas equipes dedicaram a mesma quantidade de esforço para desempenhar a tarefa. Mas um grupo se sentiu muito mais frustrado em relação ao processo como um todo e desistiu mais cedo. Adivinha qual?
Diante do fracasso, "os perfeccionistas tendem a responder de forma mais dura emocionalmente. Eles sentem mais culpa, mais vergonha", diz Hill. E também sentem mais raiva.
"Eles desistem mais facilmente. Têm tendência a fugir quando as coisas não podem ser perfeitas", explica.
Isso, obviamente, impede a pessoa de alcançar suas metas. Em mais de 60 estudos com foco em atletas, por exemplo, Hill descobriu que o maior indicador de vitória no esporte é simplesmente o treino. Mas se os perfeccionistas não apresentam um bom desempenho, podem desistir de treinar.
Isso me faz lembrar da minha própria infância. Eu evitava – ou começava e abandonava – praticamente todos os esportes. Se eu não fosse boa em algo desde o início, eu não queria continuar, especialmente se tivesse mais gente assistindo.
E, de fato, vários estudos identificaram uma correlação entre perfeccionismo e ansiedade de desempenho, inclusive em crianças de até 10 anos.

Menina toca pianoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPerfeccionismo e ansiedade de desempenho muitas vezes estão associados na infância e adolescência, diz pesquisa

O problema é que, para os perfeccionistas, a performance está ligada ao senso de identidade. Quando não conseguem alcançar algo, eles não se sentem decepcionados em relação ao que fizeram, mas, sim, vergonha de si mesmos.
Ironicamente, o perfeccionismo se torna uma tática de defesa para manter a vergonha à distância: se você é perfeito, nunca falha; e se nunca falha, não há por que se envergonhar.
Como resultado, a busca pela perfeição se torna um ciclo vicioso. E, uma vez que é impossível ser perfeito, todo esforço acaba sendo em vão.

Onde mora o perigo

O perfeccionismo também é perigoso. Um número recorde de jovens está sendo diagnosticado com transtornos mentais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Depressão, ansiedade e pensamentos suicidas são mais comuns atualmente nos EUA, Canadá e Reino Unido do que há uma década.
Uma pesquisa mostrou que tendências perfeccionistas geram algumas dessas condições – como depressão, ansiedade e estresse –, mesmo quando traços da personalidade, como neuroticismo (propensão a emoções negativas), são controlados pelos cientistas.
Para piorar, a autocrítica pode desencadear sintomas depressivos, que conseguem, por sua vez, agravar o senso autocrítico, gerando um ciclo angustiante.
Os problemas de saúde mental não são causados apenas pelo perfeccionismo, mas alguns distúrbios podem levar a ele. Uma pesquisa recente descobriu, por exemplo, que estudantes universitários que têm ansiedade social são mais inclinados a se tornarem perfeccionistas. Mas não vice-versa.
Também foi constatado que a autocompaixão – virtude que falta aos perfeccionistas – é uma das formas de proteção mais poderosas contra a depressão e a ansiedade. Já a autocrítica, na qual eles são tão bons, leva à depressão.

Gwyneth Paltrow em cena de filmeDireito de imagemALAMY
Image captionPerfeccionismo também pode ser motivado pelo desejo da aprovação social

Quando se trata do caso mais extremo, o suicídio, diversos estudos revelam que o perfeccionismo poder ser mortal. Ele deixa os pacientes deprimidos mais propensos a pensar em tirar a própria vida, além de aguçar sentimentos de desesperança.
Um estudo de meta-análise recente, o mais completo realizado até hoje sobre o elo perfeccionista-suicida, descobriu que quase todas as tendências perfeccionistas – como medo de errar, sentir que nunca será bom o suficiente, ter pais exigentes ou simplesmente padrões pessoais altos – estão com frequência relacionadas a pensamentos suicidas. As duas exceções são: ser organizado ou exigir dos outros.
Alguns desses fatores, particularmente a pressão dos pais e as preocupações perfeccionistas, foram associados a mais tentativas de suicídio.
"O pensamento em preto e branco pode levar os perfeccionistas a interpretarem os fracassos como catástrofes que, em circunstâncias extremas, são vistos como justificativas para a morte", escreveram os pesquisadores.
"Nossas descobertas também respaldam uma literatura mais ampla que sugere que quando as pessoas sentem que seu mundo social é repleto de pressão, julgamento e hipercrítica, elas pensam a respeito e/ou recorrem a várias formas possíveis de fuga (abuso de álcool e compulsão alimentar, por exemplo), incluindo suicídio."

Homem estressado pensandoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO perfeccionismo está relacionado a mortes prematuras - talvez devido ao estresse que gera no corpo

Enquanto pessoas conscienciosas tendem a viver mais tempo, os perfeccionistas morrem mais cedo.
Em vários aspectos, não é de se surpreender que os indicadores de saúde dos perfeccionistas sejam piores.
"Perfeccionistas são muito afetados pelo estresse. Mesmo quando (algo) não é estressante, eles geralmente encontram uma maneira de tornar estressante", diz Gordon Flett, que estuda o perfeccionismo há mais de 30 anos e cuja escala de avaliação desenvolvida em parceria com Paul Hewitt é considerada uma referência.
Além disso, diz ele, se o perfeccionismo levar você a ser workaholic (viciado em trabalho), é improvável que você faça muitas pausas para relaxar – o que é fundamental para o funcionamento saudável do nosso cérebro e organismo.

'Perfeccionismo social'

Não importa o quão autodestrutivo o perfeccionismo possa parecer, trata-se de uma tendência compartilhada por cada vez mais pessoas.
O estudo de meta-análise de Hill e Curran foi o primeiro a investigar, de forma abrangente, a questão por um longo período de tempo.
No total, o levantamento agregou pesquisas com mais de 40 mil estudantes de graduação dos EUA, Reino Unido e Canadá. E, de uma maneira geral, registrou aumento no número de casos de 1989 a 2016.
Mas a maior alta foi referente ao "perfeccionismo social", caracterizado pela sensação de que os outros têm muitas exigências em relação a você: 32%.
"A razão pela qual é tão problemático é que se trata da dimensão mais fortemente associada a doenças mentais graves", diz Curran.
As descobertas estão alinhadas com pesquisas publicadas anteriormente. Um estudo de 2015 com adolescentes talentosos do subúrbio identificou, por exemplo, "índices significativamente mais altos de perfeccionismo (especialmente do tipo 'nocivo') do que em estudos conduzidos previamente".
Uma análise realizada por dez anos com adolescentes tchecos estudantes de matemática encontrou resultado semelhante.
Em sua clínica, onde muitas vezes atende pacientes com distúrbios alimentares, Egan observa a mesma tendência.
"Fico sempre chocada com as faixas etárias. Estamos vendo casos de meninas bem jovens: de sete anos, oito anos", diz ela.
"Isso geralmente é motivado pelo perfeccionismo. Então, acho que sim: as novas gerações estão ficando provavelmente mais perfeccionistas", avalia.

A origem de tudo

De onde vem esse aumento? Quando você tem em mente a ideia de que o perfeccionismo se origina do casamento da sua identidade com suas conquistas, a pergunta poderia ser: de onde não vem?
Afinal, muitos de nós vivemos em sociedades onde a primeira pergunta feita quando se conhece alguém é: o que você faz da vida? Em que somos literalmente valorizados pela qualidade e extensão das nossas realizações – que com frequência são associadas, diretamente, à nossa capacidade de pagar o aluguel ou botar comida na mesa.
Onde estranhos completos colocam esses valores no papel para determinar tudo – seja se podemos alugar um apartamento, comprar um carro ou pegar um empréstimo. Onde sinalizamos o acesso a esses recursos por meio da nossa aparência – roupas, sapatos, forma física – que outras pessoas, por sua vez, analisam para ver se somos o candidato certo para uma vaga de emprego ou um possível convidado para jantar.
Os pesquisadores Curran e Hill têm uma visão parecida:
"O fracasso é muito grave em uma sociedade baseada no mercado", aponta Curran, acrescentando que esse aspecto se tornou acentuado à medida que os governos eliminaram as redes de proteção social.
A competição foi incorporada até mesmo nas escolas: dos testes padronizados à alta pressão para ingressar nas universidades. Segundo o pesquisador, não é de se admirar que os pais estão colocando mais pressão sobre si mesmos – e sobre seus filhos – para alcançar cada vez mais.

Mulher usa borrachaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNovas gerações estão se tornando mais perfeccionistas, diz pesquisadora

"Se o foco está na conquista, as crianças se tornam muito avessas aos erros", explica.
"Se as crianças vierem a internalizar isso – a ideia de que só podemos nos definir em termos estritos e limitados de conquista – então você verá tendências perfeccionistas começarem a surgir."
Um estudo longitudinal descobriu, por exemplo, que o foco no sucesso acadêmico prevê um aumento no perfeccionismo mais adiante.
Da mesma forma, o método de dar "estrelinhas" como recompensa para as crianças, usado por muitos pais e professores, pode ter esse efeito. Se você for elogiado apenas quando fizer algo bem, poderá entender que só tem valor de fato quando recebe a aprovação dos outros.
E, se outras estratégias – como fazer com que os pequenos se sintam culpados por errar – também estão envolvidas, pode ser ainda mais problemático. As pesquisas mostram que essas táticas de educação deixam as crianças mais propensas a serem perfeccionistas e, mais tarde, desenvolver depressão.
O medo de fracassar também está sendo ampliado de outras formas. As mídias sociais, por exemplo: se você comete um erro, o temor de que ele viralize, inclusive globalmente, não é mais algo irracional. Ao mesmo tempo, todos aquelas linhas do tempo tão felizes e perfeitos reforçam padrões irreais.

Jovens fazendo selfieDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlém de reforçar padrões irreais, as redes sociais nos dão mais motivos para ter medo de errar

O perfeccionismo pode ser hereditário. Mas também surge em função do meio ambiente. Afinal, se fosse apenas genético, seria improvável ter aumentado tanto.
Então, como os pais podem neutralizar isso? Inspirando o bom comportamento e observando suas próprias tendências perfeccionistas, dizem os pesquisadores. Além de dar demonstrações de carinho e amor incondicional.
"É dizer coisas como: 'Você realmente se esforçou, tenho orgulho do seu empenho'. É criar um ambiente onde a imperfeição não seja apenas aceita, mas celebrada, pois significa que somos humanos", sugere Rasmussen, coautora de uma análise sobre como as estruturas familiares podem gerar perfeccionismo.
"Ou dizer à criança que o amor e o carinho não são condicionais ao desempenho dela. Que você não precisa ser perfeito para ser amado ou amável."

O mal do enaltecimento

Tratar o perfeccionismo pode ser particularmente desafiador. Você pode orientar alguém a ter mais autocompaixão em uma sessão de terapia. Mas se a pessoa volta ao trabalho, digamos, com mesmo chefe exigente e o mesmo comportamento arraigado, muitos avanços podem ir por água abaixo.
E existe, é claro, aquela crença generalizada (e errônea) de que ser perfeccionista nos torna melhores funcionários, pais ou atletas – em qualquer tarefa a ser desempenhada.
"A parte difícil (do perfeccionismo), e que o diferencia da depressão ou ansiedade, é que muitas vezes as pessoas o valorizam", diz Egan.
"Se temos ansiedade ou depressão, não enaltecemos esses sintomas. Queremos nos livrar deles. Quando vemos uma pessoa perfeccionista, ela pode ser muitas vezes hesitar em relação à mudança. Muitos dizem que traz benefícios a eles."
Egan ajuda os pacientes a provarem para si mesmos que não é o caso. Se alguém diz, por exemplo, que precisa trabalhar de casa três horas a mais todas as noites para ser bom no que faz, ela sugere experimentar não fazer isso por uma semana. Em geral, a pessoa não apenas descobre que não faz diferença, mas que o descanso extra pode até melhorar seu desempenho.
Eu vivenciei um pouco disso me soltando um pouco. Ao mesmo tempo, estou tomando consciência de quando me esforço muito e me sinto exaurida na tentativa de fazer "o bastante" (uma medida que para mim não existe).
O desafio maior, no entanto, é substituir a voz crítica interior por mensagens mais gentis – tanto para mim quanto para os outros. Comecei conscientemente (e com relativo sucesso) a parar de reagir de forma exagerada aos erros das outras pessoas. Mais difícil, mas também importante, foi me controlar em relação às minhas próprias falhas. Ironicamente, isso inclui tentar não criticar a mim mesma quando estou aquém de um objetivo.
É um trabalho contínuo. Mas o que eu notei é que, cada vez que consigo substituir a crítica e o aperfeiçoamento pela compaixão, me sinto não apenas menos estressada, mas mais livre. Aparentemente, isso não é tão raro.
"Pode ser libertador permitir que a imperfeição aconteça, aceitá-la e celebrá-la", diz Rasmussen.
"Porque é exaustivo, manter tudo isso."

fonte: BBC Brasil

Comentários

ᘉOTÍᑕIᗩS ᗰᗩIS ᐯISTᗩS

AO VIVO - Tv Junina - São João de Campina Grande - 24/06/2018

fonte: youtube

Atraso de 4h para show do Capital Inicial, homem é agredido por seguranças por solicitar o reembolso do valor pago

André Panico gravou vídeo após agressão em show neste sábado (10) Reprodução/ André Panico/  Facebook   Após mais de quatro horas de atraso para o início do show do Capital Inicial, neste sábado (10), no Luso Brasileiro, em São José dos Campos, um homem foi agredido, segundo ele, por seguranças após solicitar o reembolso do valor pago para assistir ao espetáculo. Ele postou um vídeo no Facebook falando sobre a agressão. Além da vítima, muitos fãs da banda postaram na página oficial do evento no Facebook muitas reclamações sobre o tempo de espera para o início do show. Segundo as postagens, a banda estava prevista para subir ao palco por volta das 22h, mas só foi se apresentar após quatro horas de espera do público. Um internauta disse que deixou o local  do show às 1h40 da madrugada. "Um show cuja abertura dos portões se deu às 22h e era previsto pra meia noite, e sperar por 4h, em pé, depois de ter levantado às 7h30 e trabalhado o dia inteiro e ir pra casa s...

Defeitos: Perda de potência nos motores da Hilux e SW4

Alaor: perda de potência e troca de turbina duas vezes (Marcelo Curia) Hilux e SW4 fabricadas de 2006 a 2013 apresentam carbonização no motor. Toyota já emitiu à sua rede dois boletins para tentar sanar o problema A picape Toyota Hilux e sua versão SUV, a SW4, são reconhecidas pelo público pela fama de serem quase indestrutíveis. Mas nem isso impediu que os dois modelos apresentassem um problema de carbonização nos seus motores a diesel produzidos entre 2006 e 2013. E o fato já é bem conhecido pela Toyota, que chegou a distribuir para sua rede de concessionárias dois boletins de serviço. O primeiro, intitulado BS019/09 e emitido em 14 de abril de 2009, para Hilux e SW4, fala sobre a excessiva “emissão de fumaça preta devido ao mau funcionamento da Válvula EGR”, que pode ficar travada. O segundo boletim chama-se BS060/09, de 28 de outubro de 2009, por conta da “cavitação do acento dos injetores”. Segundo esse do­cumento, a falha provoca perda de potência, marcha lenta ir...

Latino pode ser preso a qualquer momento por não pagar pensão

O cantor Latino pode ser preso a qualquer momento. A informação é do jornal Extra deste sábado (20).   A Justiça de Minas Gerais já expediu um mandado de prisão contra o cantor devido ao atraso de pensão feita pela cabeleireira Neusimar Cosendei, mãe de Ana Júlia, de 6 anos.    Na última quinta-feira (18), também  venceu o prazo para o cantor pagar três parcelas atrasadas  da pensão do seu filho Matheus, de 2 anos.     De acordo com o jornal, a Justiça deu autorização para a polícia buscar e prender o cantor até que o mesmo efetue o pagamento estipulado. Latino não é considerado foragido pois o ofício ainda não foi entregue a nenhuma delegacia.   No começo desta semana, Latino retirou sua agenda de shows de seu site oficial para que ele não seja encontrado facilmente. "Até agora, não entrou nada. Mas ninguém conseguiu encontrá-lo. Ele está fugindo", acusou Jaqueline Blandy, mãe do caçula, em entrevista ao jornal...

Mundo rural: Ferimentos em cavalos, como evitar que eles piorem os machucados

Há algum produto, ou tratamento, que impeça as mordidas constantes do meu cavalo em um ferimento na parte da frente da canela traseira dele, devido a um acidente com arame liso? O machucado já até aumentou de tamanho, por isso faço curativos para ele pastar e beber água e, à noite, deixo-o amarrado com cabo curto. Marcos Sextito, por email Ao manter a área da ferida limpa com o animal em bom estado de saúde, a cicatrização deve ocorrer normalmente, pois não houve complicação com contaminantes (bactérias e fungos). Contudo, a coceira, que faz com que o cavalo morda o ferimento, ocorre sobretudo quando há alguma contaminação. É importante ter muito cuidado com tétano, principalmente se o animal nunca foi vacinado. Por isso, a dica é lavar a região do machucado com sabão neutro e passar uma solução de clorexidine, ou algum produto que contenha antibióticos. Enfaixe o local e repita o procedimento uma ou duas vezes ao dia. O uso de corticoide também pode diminuir a coceira, mas tem ...

O Antagonista: A morte de Teori é o fim da Lava Jato?

Claudio Dantas comenta a articulação política para a substituição de Teori Zavascki e as causas - ainda inexplicáveis - do acidente. fonte: youtube

Restaurante Leite na Pista tem teto arrancado por vendaval que atingiu Tremembé SP

Um restaurante que fica às margens da rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, em  Tremembé , foi destelhado pela força da chuva e dos ventos que atingiram a região, na tarde desta segunda-feira (2). No Vale do Paraíba, os ventos chegaram a 77 km/h. O restaurante atingido é o 'Leite na Pista',   que fica no km 10 da rodovia, no lado sentido Campos do Jordão. Segundo os responsáveis pelo local, o estrago foi grande.   Em cerca de 10 minutos de temporal com ventos fortes, o local ficou destelhado, todo revirado e com vários danos na estrutura. Leia mais: G1 Vanguarda/ Vídeo Cale 360 News

Você está demitido - Globo não renova com Zeca Camargo como parte de plano para reduzir gastos

Na política de cortes de gastos que inclui a necessidade de administrar um elenco cada vez menor, a Rede Globo não renovou nesta quarta, 27, o contrato com o jornalista e apresentador  Zeca Camargo.  Com passagens pelo  Fantástico,   Vídeo Show  e  No Limite,  Zeca era um dos apresentadores do  É de Casa,  exibido nas manhãs de sábados. Em 2019, circularam boatos de que a emissora teria tentado reduzir o salário de Camargo, que por sua vez não teria aceito. Estima-se que o apresentador tinha um salário de 300 000 reais por mês, valor que a Globo não confirma. A emissora deve fazer outros cortes nos próximos dias. O departamento de teledramaturgia, que fica sob responsabilidade de Silvio de Abreu, será o mais afetado. O Globo emitiu o seguinte comunicado: Após 24 anos de uma trajetória conjunta, marcada por uma parceria de muito respeito e sucesso, o apresentador Zeca Camargo se despede da Globo.  Profissional multitalent...

Paulo Betti é acusado de intolerância religiosa após comparar Weverton, do Palmeiras, a goleiro Bruno

  O ator  Paulo Betti  recebeu  várias críticas  nas  redes sociais  quando comparou o goleiro  Weverton , do  Palmeiras , com  Bruno , ex-goleiro do  Flamengo  e condenado pela morte de  Eliza Samudio . Durante uma fala considerada preconceituosa, o ator reclamou da  “falação sobre  Deus ”  no discurso do atleta depois que seu time foi campeão da  Libertadores  no último dia 27. Paulo escreveu no  Twitter  que, ao ver a cena do homem rezando antes do jogo começar, se lembrou de Bruno, que costumava rezar no  Maracanã  e depois “ ia matar a moça e jogar para os cães”. Na sua declaração, o goleiro que foi tricampeão da Libertadores agradeceu a Deus pela sua vitória com o Palmeiras. Na ocasião, ele disse: “ Hoje, diante de tanta adversidade, Deus nos agraciou para que não fique dúvida de quanto ele é bom e nos colocou na história de um gigante.  Não é fácil  vencer duas ...

Organização projeta Agrishow 2022 mais tecnológica em Ribeirão Preto, SP

  O presidente da Agrishow, Francisco Maturro, disse neste sábado (9) que a organização da feira de agronegócios projeta mais tecnologia para a edição de 2022 em  Ribeirão Preto  (SP). O evento, que ocorre entre 25 e 29 de abril, é retomado três anos depois da última edição, em 2019. As feiras previstas para 2020 e 2021  foram canceladas por conta da pandemia do coronavírus. “Nesse período longo de três anos, as indústrias não pararam de desenvolver, porque o agro não parou nesse período. Consequentemente, as novidades estão todas acumuladas, nós teremos uma chuva de novas tecnologias apresentadas na Agrishow”, explicou. Na manhã deste sábado, os organizadores da feira participaram de uma coletiva de imprensa em um hotel de Ribeirão. Presente no evento, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan, também aposta que a tecnologia vai se destacar entre os expositores. “Nós vivemos hoje já entrando na cone...