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Um PCC rico e forte

Crédito: Helder Almeida/Folha da Manhã

Com faturamento milionário, facção criminosa impõe seu poder por meio da violência, com incêndios a ônibus e ataques a delegacias


Primeiro Comando da Capital (PCC) tem dado repetidas demonstrações de poder e violência. Desde a última semana, ao menos 30 cidades de Minas Gerais e duas do Rio Grande do Norte sofreram ataques atribuídos pela polícia à organização criminosa. No primeiro dia de violência foram ao menos 24 ônibus incendiados em Minas Gerais. A forma de atuação para que isso acontecesse era bem similar em todos os casos: os criminosos entravam nos coletivos, pediam para as pessoas saírem e ateavam fogo. Em Natal, um ônibus foi incendiado e, em Parnamirim (RN), um policial foi morto. O PCC estaria ordenando ataques para denunciar as más condições das penitenciárias dos dois estados, mas também para marcar território e reforçar sua posição de controle regional do crime. Além dos ataques aos ônibus, existem relatos de tiros contra delegacias e depredações em agências bancárias, correios, Câmara Municipal e veículos de agentes penitenciários.
Resultado de imagem para INVESTIGAÇÃO Ataques teriam sido ordenados para protestar contra más condições dentro de presídios
Com atuação em ao menos 19 Estados brasileiros e em países como Colômbia, Paraguai e Peru, a facção criminosa, que surgiu no presídio de Taubaté, no interior de São Paulo, no começo dos anos 1990, realiza ações criminosas coordenadas com grande eficiência — e passa por um momento de expansão. A polícia estima que 30 mil criminosos façam parte, atualmente, da folha de pagamento da facção, atuante dentro e fora dos presídios. Organizado, o PCC tem uma estrutura empresarial e capitalista e enorme capacidade de acuar as autoridades e de gerar insegurança para a população. O que não falta é dinheiro. Investigações desencadeadas em fevereiro deste ano, depois do assassinato de Gêge do Mangue, um dos líderes da facção, revelaram detalhes financeiros de sua operação. Descobriu-se que o faturamento anual da organização criminosa é hoje de pelo menos R$ 400 milhões, podendo chegar ao dobro desse valor, uma vez que não há como rastrear todas as operações que o grupo controla. Se fosse uma empresa, o PCC estaria entre as 500 maiores do País.
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Os ataques em Minas Gerais foram concentrados em cidades do Triângulo Mineiro e do Sul de Minas, onde estão os presídios comandados pela facção. Em Passos, a Câmara Municipal foi atacada e tiros foram direcionados ao quartel da PM. No Rio Grande do Norte, segundo as investigações policiais, o plano, a princípio, era fazer manifestações sem violência contra o que os criminosos chamam de “opressão em Alcaçuz” — presídio local em que aconteceu um massacre em janeiro de 2017, vitimando ao menos 29 pessoas. No entanto, a direção da facção no estado teria decidido que eles seriam mais notados se atacassem.
Estrutura sofisticada
De acordo com o professor Flávio de Leão Bastos Pereira, especialista em direito constitucional do Mackenzie, a estrutura do PCC é sofisticada e de cunho empresarial, o que traz alto faturamento. Segundo ele, o PCC está em um estágio “pré-máfia” por ter poder para atuar em qualquer Estado no Brasil, por ter já entrado em outros países e por ter aliados advogados e políticos. Para o professor, não existe como combater a organização se as instituições não investirem contra problemas estruturais que existem no País. “O Brasil não é um país que trabalha bem com estatísticas. Não existe inteligência suficiente”, afirma.
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Para enfrentar um bando tão poderoso é necessário rastrear de onde vem o dinheiro, com a criação de bancos de dados que permitam sufocar suas finanças — algo como foi feito pela Polícia Federal com os doleiros e empreiteiras na operação Lava Jato. O combate aos criminosos exigiria ainda chegar aos políticos envolvidos com o PCC. “É preciso também que os presídios sejam ocupados por quem realmente cometeu crimes graves”, diz Pereira. Segundo ele, o sistema carcerário atual não consegue trabalhar a ressocialização de quem teve problemas com a lei. “O sujeito é enclausurado e largado à própria sorte”, afirma. Com isso, os encarcerados acabam acolhidos pelas facções — e envolvem familiares que estão do lado de fora. Os ataques da semana passada só foram possíveis graças a aliados do PCC que estão soltos. A solução, portanto, vai além de melhorar as condições do sistema prisional — e, evidentemente, não haverá avanços enquanto a Segurança Pública não for encarada como uma prioridade nacional. Até lá, o PCC continuará mostrando seu poder de fogo sem temer represálias.

fonte: Istoé

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