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domingo, 10 de setembro de 2017

Sobrevivente do 11 de setembro cria jornal infantil em SP para formar líderes diferentes

Stephanie Habrich cresceu em São Paulo e foi atuar no mercado financeiro em um escritório no World Trade Center, em Nova Iorque. Ela estava trabalhava no momento em que o primeiro avião atingiu as Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001 (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Uma sobrevivente do atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, voltou a São Paulo após o ataque terrorista que deixou cerca de 3 mil mortos, e se dedica a educar crianças por meio do jornalismo. Ela fundou o jornal Joca, distribuído para 150 escolas do Brasil, que tem a ambiciosa meta de formar uma geração esclarecida e preparada para o diálogo.
Em entrevista ao G1, Stephanie Habrich, hoje com 49 anos, disse lembrar perfeitamente daquela terça-feira em que viu o curso de sua vida mudar ao presenciar os choques dos aviões contra o complexo de edifícios onde trabalhava. “Estava um dia lindo. Não tinha uma nuvem no céu. Fui mais cedo para o escritório porque queria terminar logo o trabalho naquele dia. Foi aí que vi tudo”, disse.
Stephanie nasceu na Alemanha e veio morar no Brasil ainda criança, junto às duas irmãs, o pai, alemão, e a mãe, francesa. Graduou-se em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas e seguiu para Nova Iorque com 26 anos para trabalhar com mercado financeiro no Deutsche Bank, no 4º andar do World Trade Center 4, um dos edifícios do complexo empresarial que ficava de frente para a primeira torre atingida.

“Em Nova Iorque mal se pode dormir por causa do barulho, mas os dias seguintes foram de silêncio. A cidade ficou quieta, incrível, e, ao mesmo tempo, tinha um clima de união nas ruas”, relembra Stephanie Habrich

“Nova Iorque é aquela cidade com várias nacionalidades diferentes e isso sempre me fascinou muito. É um pouquinho o que eu sou, né? Estou no Brasil, mas não sou brasileira. Também não sou uma típica francesa porque não cresci na França. Do mesmo modo, não sou uma típica alemã. Acho que Nova Iorque sempre me representou isso: cidadãos do mundo, que têm várias histórias pelo mundo também, e por isso você se sente mais em casa”, disse.
“Nova Iorque é aquela cidade com várias nacionalidades diferentes e isso sempre me fascinou muito. É um pouquinho o que eu sou, né? Estou no Brasil, mas não sou brasileira. Também não sou uma típica francesa porque não cresci na França. Do mesmo modo, não sou uma típica alemã. Acho que Nova Iorque sempre me representou isso: cidadãos do mundo, que têm várias histórias pelo mundo também, e por isso você se sente mais em casa”, disse.
No dia 11 de setembro daquele ano, ela chegou mais cedo ao trabalho para concluir logo o expediente e se dedicar às negociações com os franceses. “Eu estava trabalhando e vi uma enorme bola de fogo entrar na torre. Todo mundo que estava no escritório saiu correndo lá para baixo. As pessoas falavam que provavelmente um avião de acrobacia havia errado o trajeto e entrado no prédio”, relata.

Ela e os colegas esperavam na calçada e pensavam que poderiam voltar ao trabalho ainda naquela manhã. “E então escutamos o segundo avião. Ouvi o barulho do avião, as explosões e saímos correndo. Eu queria ligar para os meus pais, mas os telefones da região não funcionavam, e peguei um Metrô para ir para casa. As viagens eram gratuitas”, contou.

“Nova Iorque é aquela cidade com várias nacionalidades diferentes e isso sempre me fascinou muito. É um pouquinho o que eu sou, né? Estou no Brasil, mas não sou brasileira. Também não sou uma típica francesa porque não cresci na França. Do mesmo modo, não sou uma típica alemã. Acho que Nova Iorque sempre me representou isso: cidadãos do mundo, que têm várias histórias pelo mundo também, e por isso você se sente mais em casa”, disse.

Dois dias depois, Stephanie já estava de volta ao trabalho, em outro edifício. “A cidade é muito organizada. Manhattan colocou psicólogos à disposição para todo mundo. A empresa em que trabalhava tinha uma área em Nova Jersey para emergências, como essa, e disponibilizou até massagistas para a equipe”, contou.

“Em Nova Iorque mal se pode dormir por causa do barulho, mas os dias seguintes foram de silêncio. A cidade ficou quieta, incrível, e, ao mesmo tempo, tinha um clima de união nas ruas”, relembra.

O segundo avião, do voo 175 da United Airlines vindo de Boston, atinge a torre sul do World Trade Center às 9h03 de 11 de setembro de 2011 (Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)

O segundo avião, do voo 175 da United Airlines vindo de Boston, atinge a torre sul   World Trade Center
9h03 de 11 de setembro de 2011 (Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)

Em 2001, Stephanie Habrich já havia percebido que o mercado financeiro não lhe fazia feliz e, paralelamente, tateava as áreas social e humanitária, nas quais desejava empreender. Ela estava em contato com editoras francesas na tentativa de trazer ao Brasil as revistas que lia e assinava durante toda a infância, algumas delas, ainda bem guardadas e conservadas.
“As publicações falavam sobre o que acontecia no mundo. Para você ter uma ideia, na França existem mais de 90 revistas para crianças. Os jornaizinhos que tínhamos aqui faltavam com respeito à criança, que é capaz de entender muito mais do que ofereciam e precisam saber interpretar o que está acontecendo”, argumenta Stephanie. “Eu realmente queria trazer revistas de qualidade ao Brasil, como essas que cresci lendo”, continua.
Pouco depois do episódio, Stephanie saiu do mercado financeiro, casou-se com um brasileiro, com quem tem três filhos, e decidiu fazer pós-graduação na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, enquanto apostava as últimas fichas na tentativa de representar revistas infanto-juvenis estrangeiras no Brasil. Ela não conseguiu convencer as empresas, e voltou a morar no país, pois o marido havia sido transferido para outra unidade da empresa em que trabalhava.
Sobrevivente não sabe muito bem porquê, mas guarda revistas sobre o atentado que presenciou da janela do escritório em que trabalhava, há 16 anos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Sobrevivente não sabe muito bem porquê, mas guarda revistas sobre o atentado
que presenciou da janela do escritório em que trabalhava, há 16 anos (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Aqui, fundou a editora Magia de Ler e criou duas revistas infantis, cuja produção, terminou sendo descontinuada. “Porque, primeiro, não existe escola para ser empreendedor. Você vai com toda a sua força e sonhos, mas comete vários erros. Depois, porque é um país super difícil, onde eu pagava os mesmos impostos que uma multinacional. E também pela Cultura. Achei que os pais adorariam a ideia, mas as livrarias disseram que eles procuravam revistas que fizessem barulho ou oferecessem brindes para as crianças. Fali”, contou.
Em 2011, Stephanie lançou o JOCA, que somente ano passado fechou as contas no azul. “Tentei outra abordagem, apresentando o jornal para escolas particulares de São Paulo que quisessem incluir a assinatura no material didático. Hoje, cem escolas particulares usam o JOCA em 21 estados, e eu doo exemplares para outras 50 escolas de São Paulo e de Osasco. 10% das vendas são de assinaturas individuais que os pais fazem no site”, continua.

"O jornal traz a noção de pertencimento para a criança. Ela se sente responsável pelo meio a sua volta. Você transforma uma geração inteira. Você cria líderes diferentes”, afirma Stephanie sobre publicação criada por ela após 11/9

Cerca de 15 profissionais produzem matérias para as editorias Brasil, Mundo, Maluquices, Tecnologia, Ciências, Repórter Mirim e Canal Aberto, em que as crianças apresentam problemas, como separação ou tabagismo dos pais, e a psicóloga responde. A equipe também produz Especiais, como as eleições norte-americanas, a Guerra na Síria, o impeachment no Brasil e o Terrorismo, que entrou na edição dos recentes ataques em Barcelona.

“O jornal aumenta o repertório da criança e traz a noção de pertencimento. A criança percebe que faz parte da sociedade, que é uma cidadã. E se ela cresce assim, ela vai se sentir responsável pelo meio a sua volta. Você transforma uma geração inteira, que passa a pensar diferente. Você cria líderes diferentes”, acredita Stephanie.

Redação do jornal Joca, criado por Stephanie Habrich, na Zona Sul de São Paulo, após o atentado terrorista em Nova Iorque. A equipe produz reportagens para crianças sobre o Brasil e o Mundo  (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Redação do jornal Joca, criado por Stephanie Habrich, na Zona Sul de São Paulo após o atentado terrorista em 
Nova Iorque. A equipe produz reportagens para crianças sobre o Brasil e o Mundo (Foto: Marcelo Brandt/G1)

fonte: G1 

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