Bolsonaro aciona Moro para porteiro depor novamente

Se equivocou, ou não leu o que assinou’, Presidente foi citado em caso Marielle
O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta 4ª feira (30.out.2019) estar conversando com o ministro Sergio Moro (Justiça) para que o porteiro do condomínio onde morou, no Rio de Janeiro, deponha novamente a respeito do caso do assassinato de Marielle Franco. A informação foi publicada no portal Uol durante a madrugada do mesmo dia.
A ideia é que o porteiro esclareça a citação a Bolsonaro na investigação, noticiada pelo Jornal Nacional na noite de 3ª feira (30.out). Segundo Bolsonaro, ele “se equivocou, ou não leu o que assinou”.
Disse o presidente: “O porteiro ou se equivocou, ou não leu o que assinou. Pode o delegado ter escrito o que bem entendeu e o porteiro, uma pessoa humilde, né, acabou assinando embaixo. Isso pode ter acontecido. Estou conversando com o ministro da Justiça, o que pode ser feito para a gente tomar, para a polícia pegar o depoimento novamente. O depoimento agora desse porteiro pela PF”
A declaração foi dada em Riad, na Arábia Saudita, na saída do hotel onde o presidente está hospedado. A cidade é a última parada de Bolsonaro na viagem que faz à Ásia e ao Oriente Médio desde a 2ª feira da semana anterior (21.out).

ENTENDA O CASO

Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou na última 3ª feira que o nome de Bolsonaro foi citado na investigação do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Psol.
A menção veio no depoimento de 1 porteiro de condomínio da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde o atual presidente da República tem residência. O policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle, morava no mesmo bloco residencial.
Segundo o porteiro, Lessa recebeu em 14 de março –data em que a vereadora foi assassinada– a visita de Élcio Queiroz, ex-PM expulso da corporação e suspeito de ter dirigido o carro usado no atentado. Ao identificar-se na portaria, Élcio disse que iria à casa de número 58, de Bolsonaro.
O porteiro disse que chegou a ligar na casa do presidente para confirmar se a visita estava autorizada e que identificou a voz da pessoa que confirmou a visita como a do “seu Jair”. Mas, ao entrar no condomínio, Élcio seguiu para a casa 66, onde morava Ronnie Lessa. O porteiro afirma que observou por meio de uma câmara o carro do suspeito, 1 Renault Logan de placa AGH-8202, o mesmo identificado como o carro que perseguiu o da vereadora na noite em que foi assassinada.
O porteiro disse ter ligado logo em seguida para a casa de Bolsonaro, que teria confirmado saber para onde o homem ia.
De acordo com os registros de presença das Câmara dos Deputados, em 14 de março de 2018 Bolsonaro estava em Brasília e registrou presença em duas votações na Casa, às 14h e às 20h30. No mesmo dia, o presidente, que na época era deputado federal, postou vídeo nas redes sociais dentro e fora do Congresso. Ou seja, não poderia estar no Rio de Janeiro.
No mesmo condomínio, Bolsonaro também é dono da casa 36, onde vive 1 de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

A REAÇÃO DE BOLSONARO

O presidente respondeu já na 3ª feira (29.out) à reportagem do Jornal Nacional. Em transmissão ao vivo em seu perfil de Facebook, disse que a TV Globo fez uma “patifaria” e que a emissora corre o risco de não ter sua emissão renovada em 2022.
“É o orgasmo da TV Globo ver 1 filho meu preso? Ver 1 irmão meu preso? Ver 1 amigo meu, 1 chegado, preso? Esse é o orgasmo de vocês?”, questionou.
Disse ainda que o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), foi o responsável pelo vazamento do depoimento para a mídia. “Esse processo está em segredo de Justiça. Como chega na Globo? Quem vazou para a Globo. Segundo a [revista] Veja, está publicado aqui, quem vazou esse processo para a Globo foi o seu governador Witzel”, comentou.
“O senhor só se elegeu governador porque o senhor ficou o tempo todo colado com o Flávio Bolsonaro, meu filho. O tempo todo colado com ele. Ao chegar à Presidência (sic) o que o senhor fez? Foi se transformar em inimigo dele. Por quê? Porque o senhor quer disputar a Presidência da República em 2022”, disse ao governador.
Witzel e a TV Globo responderam à transmissão. Eis as notas oficiais abaixo.
  • Wilson Witzel
O governador do Rio publicou a nota abaixo em redes sociais.
  • TV Globo
A emissora divulgou nota oficial durante a madrugada de 4ª feira, lida ao vivo pela jornalista Renata Lo Prete durante o Jornal da Globo. Eis a íntegra.
A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações.
O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime. Além disso, a mera citação do nome do presidente leva o Supremo Tribunal Federal a analisar a situação.
 A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro. Sobre a afirmação de que, em 2022, não perseguirá a Globo, mas só renovará a sua concessão se o processo estiver, nas palavras dele, enxuto, a Globo afirma que não poderia esperar dele outra atitude. Há 54 anos, a emissora jamais deixou de cumprir as suas obrigações.”

fonte: Poder360 

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