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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

GM corta plano de saúde e fecha acordo com seis hospitais

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Em mais uma iniciativa para atacar os custos fora de controle de um sistema de saúde ineficiente, a General Motors decidiu cortar o intermediário em sua cidade natal. A montadora fechou um acordo direto com uma rede de seis hospitais de Detroit e região para atender seus empregados – eliminando as seguradoras do processo.
A GM engrossa uma fila ainda restrita, mas crescente, de empresas que vêm adotando essa modalidade de benefício de saúde nos Estados Unidos.
Ao fechar um acordo direto com uma rede de atendimento, as empresas conseguem negociar preços melhores e metas de custo e qualidade. No modelo tradicional, com convênios mediados pelas seguradoras, os empregadores ficam no escuro sobre os custos envolvidos nos cuidados com os pacientes – e os hospitais são remunerados pelo volume de atendimentos e serviços prestados, o que cria um incentivo perverso ao desperdício.
O acordo da GM com o Henry Ford Health System cobre de tudo, de consultas médicas a procedimentos cirúrgicos. Como parte de um contrato de cinco anos, a rede de hospitais terá metas de qualidade e custo que envolvem a obrigação de marcação consultas para o mesmo dia ou o dia seguinte (a depender da especialidade), redução de internações e melhora no controle de pressão alta dos pacientes.
Os empregados da GM poderão optar por outras modalidades de benefício, mas o convênio com o Henry Ford deve sair de US$ 300 a US$ 900 mais barato (por ano) do que a segunda opção mais em conta, de acordo com a companhia. (Nos Estados Unidos, os empregados arcam com parte do benefício de saúde)
O presidente do Henry Ford, Wright L. Lassiter III, disse ao The Wall Street Journal que a parceria é um desafio, mas reconheceu que o setor precisa se afastar dos modelos que premiam o volume dos serviços médicos. “Teremos que entregar menos das coisas que tradicionalmente geram mais receita”, afirmou. Apesar disso, a escala potencial com o acordo promete fechar as contas: 24 mil funcionários (de um total de 180 mil empregados da GM no mundo) são elegíveis ao benefício.
Num setor complexo e regulado, eliminar a seguradora não é uma opção trivial – e, por enquanto, tem sido uma opção de empresas com milhares de empregados concentrados em regiões específicas. (No caso da GM, a eliminação não é total, mas a parceria é bem mais restrita: a Blue Cross vai ajudar no processamento e avaliação de pedidos médicos).
A Intel começou a fazer contratos diretos com provedoras de serviços médios em 2013 e hoje adota este modelo em cinco mercados. O resultado: custos 17% menores que nos planos tradicionais. A Boeing também começou com o modelo em 2015 e hoje o aplica em quatro localidades.
Outras empresas como Walmart e JetBlue tem uma parceria mais restrita, para cirurgias complexas – como de coluna, coração e bariátrica – por meio de uma rede chamada Employers Centers of Excellence Network (ECN), que ajuda os empregadores a identificar provedores de serviço de qualidade e negociar os pagamentos.
Apesar da complexidade dos acordos diretos, cada vez mais empresas pensam em adotá-los. Uma pesquisa recente feita pela National Business Group on Health com grande empregadores nos Estados Unidos mostra que 11% deles pretendem adotar algum tipo, contra apenas 3% no ano passado.
O movimento da GM é apenas uma das inúmeras iniciativas para tentar conter a disparada com os custos médicos que aflige pacientes, seguradoras e empregadores em todo o mundo.
No começo do ano, JP Morgan, Berkshire Hathaway e a Amazon anunciaram a criação de uma empresa independente, sem fins lucrativos, para seus empregados nos Estados Unidos. Há pouco mais de um mês, as companhias contrataram o CEO da JV: Atul Gawande, um cirurgião que dá aula em Harvard e é crítico ferrenho da ineficiência do sistema de saúde.
Uma frase atribuída a um antigo CEO da GM diz que “o que é bom para a General Motors é bom para os EUA.” Os resultados do experimento em Detroit mostrarão se a frase é verdadeira.
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